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Judaísmo | |||||
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Barba |
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Lavar a alma • Livre Arbítrio • Luz e Honra • Mezuzá - A Proteção do Lar • O Chassidismo • O Perigo da Assimilação • O Rebe Escreve... • Providência Divina • Sobrevivência judaica • Tefilin: A Proteção de Soldado • Teshuvá • Tsedacá, Torá e mitsvot |
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| Judaísmo | ||||||
| Barba Saudações e bênçãos: Recebi sua carta de 21 de Tevet. Creio que é desnecessário enfatizar a você que o casamento é, segundo o texto do abençoado Binyan Adei-Ad, "Um edifício eterno", e que tudo relacionado a ele não é de interesse imediato e vital somente da noiva e do noivo, mas se reflete também em seus filhos. Portanto, está implícito que a máxima atenção deve ser dada àqueles fatores essenciais para assegurar uma vida feliz e um lar judaico duradouro. Neste caso não se deve prestar atenção à opinião de um conhecido ou vizinho. Um exemplo óbvio seria o caso em que um negócio está sendo examinado, envolvendo um milhão de dólares, quando seria tolice considerar níqueis e centavos, deixando de prestar atenção às condições que afetam a totalidade do negócio. Com referência específica ao assunto sobre o qual você escreve em sua carta e que parece preocupá-lo, deixe-me dizer isso: Quando um jovem tem a força de vontade e a firmeza de caráter para usar uma barba e o fez por vários anos, mesmo na época em que usar barba não era tão popular quanto agora, não somente em círculos ortodoxos, mas mesmo em círculos que nada têm a ver com religião, isso certamente demonstra coragem e confiança, bem como lealdade para com as obrigações – todas qualidades essenciais para assegurar uma vida familiar feliz. Creio também não ser necessário acrescentar que onde rapazes religiosos não usam barba, não é porque eles têm força de caráter e convicção, mas sim por causa da falta delas. Finalmente, é importante ter em mente o que está escrito no Zohar e em outras fontes sagradas. Há um canal especial e recipiente para receber as bênçãos adicionais de D’us, material e espiritualmente. Com bênção, (Assinatura do Rebe) |
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| Como
aproximar o próximo O único caminho para aproximar judeus ao Pai Celestial é através do fortalecimento, encorajamento, frisando as vantagens que cada um possui, etc. e não (D’us nos livre) agindo ao contrário. Pois quando se frisa e enfatiza a falha destes que até o momento ainda não cumprem Torá e mitsvot, aterrorizando-os, dizendo ser esta a razão de seus sofrimentos, dores… (D’us nos livre) só os afastam mais e mais. Como vemos na prática, principalmente em nossa geração, o único caminho é quando a advertência é aplicada em harmonia e paz, amando o próximo, como diz o Midrash sobre a atitude de Moshê Rabênu em relação ao povo: “ Moshê os advertiu pois amava-os”. Sêfer HaSichot 5751 v.I pág. 228 |
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| Corpo
e alma Recebi sua carta, na qual você exprime suas opiniões pessoais sobre aquilo que considera a abordagem correta para o Judaísmo. A seu modo de ver, o caminho certo deve ser atingido em duas fases: primeiro, o entendimento, pela razão e pelo intelecto, da "linguagem" da Torá, etc., e segundo, a aceitação definitiva da Grande Aliança e do Jugo. Minha opinião, que difere radicalmente da sua, foi publicada em diversas ocasiões no passado, e a repetirei brevemente mais uma vez. O mundo é um sistema bem coordenado por D’us, e nele não há nada supérfluo ou faltando, com uma reserva, no entanto: por razões somente conhecidas do Criador, Ele concedeu livre arbítrio ao ser humano, por meio do qual o homem pode cooperar com o sistema, construindo e contribuindo com ele, ou fazer o inverso e provocar a destruição até mesmo das coisas já existentes. Partindo dessa premissa, segue-se que a duração da vida de um homem nesta terra tem o tamanho exato para que ele cumpra seu propósito; não é um dia mais curta, nem um dia mais longa. Então, se ele permitir que um único dia, ou semana, que dirá meses, passem sem cumprir seu propósito, é uma perda irrecuperável para ele e para o sistema universal como um todo. O segundo pensamento para se ter em mente é que o mundo físico em geral, como pode ser visto claramente a partir do corpo físico do homem em particular, não é algo independente e separado do mundo espiritual e da alma. Em outras palavras, não temos aqui duas esferas separadas de influência, como os pagãos costumavam pensar: ao contrário, o mundo agora está consciente de uma força unificadora que controla o sistema universal, aquilo que chamamos de monoteísmo. Por este motivo, é possível entender muitas coisas sobre a alma a partir de seus paralelos no corpo físico. O corpo físico exige uma ingestão diária de determinados elementos em determinadas quantidades, obtidos por meio da respiração e do consumo de alimentos. Nenhuma quantidade de pensamento, fala ou estudo sobre estes elementos pode substituir a verdadeira ingestão de ar e comida. Todo este conhecimento não acrescentará um milímetro de saúde ao corpo, a menos que lhe seja dado o sustento físico; pelo contrário, negar a ingestão dos elementos exigidos enfraquecerá as forças mentais do raciocínio, concentração, etc. Assim, é óbvio que a atitude correta para assegurar a saúde do corpo não se faz primeiro pelo estudo e depois pela prática, mas o oposto, comer e beber e respirar, que por sua vez fortalecem também os poderes mentais de estudo e concentração, etc. O mesmo ocorre no caso da alma e dos elementos que ela exige diariamente para seu sustento, mais conhecido por seu Criador, e que Ele revelou a todos no Monte Sinai, na presença de milhões de testemunhas, de aparências diversas, esferas de vida, caráter, etc., que por sua vez transmitiram-na de geração em geração, ininterruptamente, até os dias de hoje, cuja verdade é assim constantemente corroborada por milhões de testemunhas, etc. Em terceiro lugar: Conta-se que um famoso filósofo alemão, autor de um complicado sistema filosófico, quando lhe disseram que sua teoria era inconsistente com os duros fatos da realidade, replicou: "Pois tanto pior para os fatos." Porém, a atitude normal de uma pessoa é aquela expressa por Maimônides, que as opiniões são derivadas da realidade, e não a realidade das opiniões. Nenhuma teoria, não importa o quanto seja inteligentemente concebida, pode mudar os fatos: se algo é inconsistente com os fatos somente pode causar dano a quem a aceita. A conclusão de tudo que foi dito acima, em relação à atitude que você sugeriu e ordem de duas fases, é bastante claro. E do ponto de vista prático, o essencial é isso: todo dia que passa para um judeu sem que este pratique uma vida segundo a Torá é uma perda irreparável para ele e para todo o nosso povo, prejudicando-os, pois todos nós formamos uma única unidade e somos mutuamente responsáveis um pelo outro – e também pela ordem universal, e todas as teorias tentando justificar esse ponto não podem alterá-lo de modo algum. Finalmente, desejo assinalar que há uma diferença em como o acima exposto deveria afetar o indivíduo preocupado e seu amigo, que deseja ajudá-lo e colocá-lo no caminho certo. Mais uma vez, a seguinte analogia pode ser útil. Quando um paciente impõe condições antes de aceitar o tratamento prescrito pelo médico, então, apesar do fato de que estas condições são prejudiciais à terapia completa, mesmo assim, se ao concordar com o paciente pelo menos algum sucesso será atingido, é necessário fazê-lo, se o paciente é categórico, pois além da ajuda parcial que pode lhe ser dada desta maneira, existe a esperança de que o paciente possa mais cedo ou mais tarde entender o por quê. É por isso que tenho argumentado repetidamente com você que sua abordagem está errada, e que você está perdendo um tempo valioso e causando muitos danos a vocês mesmos com sua atitude, e embora você ainda não concorde plenamente comigo, tento ajudá-lo se eu puder, embora no presente você ainda siga sua própria opinião. Que D’us o ajude, e a seus amigos, a ver a luz e a se colocar no caminho da Torá e mitsvot, que assegura a verdadeira felicidade para o corpo e para a alma, em completa harmonia. Com bênçãos, (Assinatura do Rebe) |
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| Dificuldades
emocionais Onde está você? De uma carta do Rebe (a data não estava disponível) Saudações e bênçãos: Você escreve que se encontra em grandes dificuldades emocionais, e não sabe como superar isso, etc. Estes distúrbios emocionais são discutidos a fundo na Chassidut, e até a ciência secular ultimamente tem dado atenção àquilo que é chamado de subconsciente. Uma pessoa pode não estar cônscia de seu verdadeiro estado espiritual e daquilo que precisa, tendo suprimido determinados impulsos interiores, portanto tudo que percebe é um sentimento de frustração e falta de realização. Refiro-me, evidentemente, ao fato de que o judeu sempre tem um impulso interior de expressar sua alma Divina. Aqueles que estão em posição de influência têm uma ânsia interior de exercitar esta influência ao maior grau possível, para aproximar seus irmãos judeus ao modo de vida judaico. O fato de que alguém se torne superficialmente absorvido em alguma atividade que apenas se assemelha à verdadeira educação judaica, ou a uma atividade religiosa que enfatiza o coração judeu, é justificada, mas negligencia a ênfase vigorosa na verdadeira essência do Judaísmo – o cumprimento diário de mitsvot. Então a religião se torna um assunto para três dias, ou uma questão de Yahrzeit e Serviços Memoriais, etc. Tais atividades não fornecem uma justificativa real para a alma, e ocorre então que a ânsia interior não é satisfeita. Sem dúvida você ouviu a explicação do Alter Rebe (Rabi Shneur Zalman) quando um erudito gentio lhe perguntou o significado de "Onde está você?" que D’us fez a Adam; certamente nada é escondido de D’us. O Alter Rebe então replicou que quando Adam cometeu o pecado, ele vivenciou um Divino chamado exigindo "Onde está você?" Você percebe aquilo que fez, e o que deveria ter feito? A questão "onde está você?" é sempre feita a qualquer indivíduo, especialmente ao judeu que foi dotado com uma alma Divina. Isso provoca a introspecção e a auto-análise, a fim de descobrir novamente o próprio "eu". Fica claro pelo acima exposto que é injustificado pensar que você perdeu contato permanentemente, etc. D’us não exige o impossível, e tendo estabelecido um programa e uma meta, Ele simultaneamente deu a total capacidade e habilidade para preenchê-los. Porém Ele deseja que todos cumpram seu propósito na vida por seu próprio livre arbítrio, apesar das tentações e dificuldades. Se você, portanto, perceber que tem isso dentro de si para superar, então você encontrará novamente a si mesmo, e o contato do qual sente falta no momento. Que D’us lhe conceda o sucesso. (Assinatura do Rebe) |
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| Disseminação
do Yiddishkeit 24 de Nissan 5727 (1967) Paz e Bênçãos: Fiquei realmente feliz ao vê-lo no farbrenguen [reunião chassídica], e antes disso, davening [rezando]. Além do prazer de ver a prova concreta de sua boa saúde física, é especialmente gratificante poder compartilhar com bons amigos a alegria de Yom Tov, especialmente Acharon-shel Pêssach [o último dia de Pêssach]. O farbrenguen nessa ocasião é em muitos aspectos uma extensão da Haftará do dia, que fala dos felizes dias de Mashiach e continua na nota de verdadeira realização, quando "a terra estará repleta do conhecimento de D’us, como as águas cobrem o leito do oceano". Enquanto a Haftará fala dos Dias de Mashiach, D’us, que é a Essência da Bondade, deseja que o Bem (neste caso o conhecimento universal de D’us) que Ele nos dará, seja apreciado por completo. É desnecessário dizer que o júbilo e a apreciação de ganhar alguma coisa por meio de trabalho e esforço é incomparavelmente maior que algo que vem sem empenho. Conseqüentemente, a atividade de divulgar "o conhecimento de D’us na terra" – a disseminação do Yiddishkeit (Judaísmo), Torá e mitsvot é a preparação necessária e adequada para isso, na qual também será possível apreciar completamente a bênção de "a terra estará repleta do conhecimento de D’us, como as águas cobrem o leito do oceano." A alegria é dobrada quando alguém tem a oportunidade de trazer o conhecimento de D’us a esferas que são inacessíveis a outros, para as quais D’us provê uma capacidade especial para realizá-las. Como você facilmente deduzirá, estou me referindo ao seu singular zechut [privilégio] em ser capaz de trazer o "Emet Hashem l'Olom" [a eterna verdade da Divindade] a um círculo onde poucos, se é que há alguns, além de você, podem penetrar – o Emet Hashem – incorporado em Sua Torá [verdadeira Torá]. A verdade é, evidentemente, incompatível com a concessão, pois até a menor concessão invalida a verdade real. Isso me lembra a história relatada por meu sogro, de abençoada memória, durante um farbrenguen em Acharon-shel-Pêssach: "Meu avô, o Rebe Maharash [Rabi Sholom Ber, quinto Rebe de Lubavitch], disse certa vez ao chassid R. Elya Abeler, um comerciante: 'Elya, eu o invejo. Você viaja e vai a mercados e feiras, o que lhe dá oportunidade de trocar uma palavra judaica com um irmão judeu e inspirá-lo a [estudar] Niglê [as partes reveladas da Torá] e Chassidut. Isso cria júbilo no Céu, e D’us paga a comissão em termos de filhos, vida e sustento. Quanto mais movimentado o mercado e maior o esforço, maior a parnassá [sustento].'" "Muitos anos depois, quando R. Elya me contou isso, ele estava empolgado com estas palavras, e seus membros tremiam, como se tivesse acabado de ouvi-las pela primeira vez naquele dia." (Sefer HaSichot 5703, p. 111). A história fala por si mesma. Acrescentarei apenas o óbvio, que a inveja em termos de Torá e mitsvot é aceitável. Para reiterar aquilo que desejei a você durante nossa reunião, que seja a vontade de D’us que por muitos anos você trabalhe na direção acima mencionada, com boa saúde, júbilo e alegria no coração, e com uma medida crescente de vitalidade e inspiração; e que as bênçãos do Rebe Maharash sejam cumpridas para você e todos os seus. Com bênção, [Assinatura do Rebe] P.S. Foi um prazer especial para mim ouvir sua filha recitar a sedra [porção] da Torá e sobre o Seder, o que ela fez com naturalidade e inocência característica de uma criança, sem concessões. Isso depõe sobre sua capacidade, obviamente compartilhada por sua esposa, de instilar nela uma fé tão pura. Que tenham muito nachas. |
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| Enfrentando
dúvidas Saudações e bênçãos, Recebi sua carta com algum atraso. Nela você escreve sobre a incerteza que sente a respeito de um compromisso com o judaísmo, visto que você pensa que uma vida de acordo com a Torá e mitsvot é restritiva, e limita o indivíduo em criatividade pessoal, particularmente na área de raciocínio e escolha para si mesmo, etc.; que é então difícil conciliar tal compromisso com a idéia de liberdade pessoal. Francamente, esta atitude é de certo modo surpreendente, vinda de uma pessoa que raciocina. Suponho que a dificuldade aqui deve-se ao entendimento superficial do significado de “aceitação do jugo da Torá e mitsvot,” porque a palavra “jugo” sugere restrição. Na verdade, há muitas coisas na vida diária que a pessoa aceita e segue sem questionar, mesmo se ele ou ela é um intelectual dotado, de mente inclinada a pesquisar. Como você está na faculdade, e estudou ciência, etc., certamente sabe que alguém não inicia o estudo em física e tecnologia desde a base, verificando tudo através de pesquisa pessoal e experimentação. Por exemplo, uma pessoa embarca num avião sem primeiro ter pesquisado aerodinâmica, etc., para verificar se é seguro voar nele, e se o avião o levará até seu destino aproximadamente na hora aprazada. Podemos usar um exemplo da área da saúde física. Existem coisas bem estabelecidas como sendo úteis ou prejudiciais à saúde. Ninguém sai experimentando tudo pessoalmente para verificar a eficácia de uma droga qualquer. Mesmo se a pessoa tem forte inclinação para pesquisa e experimentação, certamente escolherá áreas que não tenham sido testadas previamente. Esta atitude geralmente aceita é perfeitamente lógica e compreensível. Visto que peritos pesquisaram amplamente estas áreas e determinaram o que é bom e o que é daninho à saúde física, ou estabeleceram os métodos que possibilitam maiores avanços tecnológicos, seria, na melhor das hipóteses, perda de tempo tentar novamente todas as experiências desde o início. Além disso, nada nos assegura que alguém não cometa algum erro, e chegue a conclusões erradas, com efeitos desastrosos, como já aconteceu em certos casos. O que foi exposto acima a respeito da saúde física também se aplica a saúde espiritual, e como a neshamá pode atingir a perfeição e a plenitude. Além disso, saúde física está geralmente relacionada com saúde espiritual, principalmente quando se trata de judeus. O Criador do homem, que é também o Criador e Mestre de todo o mundo, certamente tem as melhores qualificações que se poderia esperar de qualquer autoridade, para saber o que é bom para o homem e para o mundo no qual ele vive. Em Sua bondade, D’us nos proveu com resultados finais e completos, fazendo-nos saber que se uma pessoa conduzir sua vida de uma certa maneira, então terá uma neshamá saudável em um corpo são, e isso será bom para ela, tanto neste mundo como no mundo Vindouro. D’us deixou algumas áreas nas quais uma pessoa pode tentar suas próprias experimentações, em outros aspectos que não interferem com as regras estabelecidas por Ele. Em outras palavras, é bem provável que, se um ser humano viver bastante, e tiver as necessárias habilidades para fazer todos os tipos de experiência sem distração e interferência, sem erro, ele sem dúvida chegaria à mesma conclusão que já encontramos na Torá que D’us nos deu, a saber, a necessidade de observar Shabat, comer alimentos casher, etc. Mas, conforme mencionado acima, D’us em Sua infinita bondade – e está na natureza de D’us fazer o bem – desejou nos poupar a todos de problemas, bem como da possibilidade de erro, e nos deu os resultados de antemão, pois o benefício tanto para a pessoa que tem inclinação e capacidade de pesquisa, como para aquela que não a tem. A expressão “jugo” em relação à aceitação da Torá e mitsvot na vida diária é para ser entendida no sentido de que a natureza humana faz necessário que se aja em imperativos. Pois, natureza humana e a Yetser Hará são de tal forma que um indivíduo poderia facilmente sucumbir à tentação. A tentação é doce no princípio, porém amarga no fim. Mas a natureza humana é tal que um indivíduo pode desprezar as conseqüências amargas por causa da gratificação inicial. Observamos, por exemplo, que crianças, e às vezes até adultos, são advertidos que exagerar em certas comidas poderá ser prejudicial e mais tarde os tornará doentes, e que por um período de tempo eles não poderão comer nada; mesmo assim eles rejeitam os avisos para satisfazer seu apetite ou paixão imediatos. De maneira similar, D’us nos deu o “jugo” da Torá e mitsvot, dizendo-nos que se alguém as entende ou não, qualquer que seja a tentação, a pessoa deve cumprir os mandamentos de D’us sem questioná-los. Há um ponto adicional, e este é o aspecto mais essencial do conceito do jugo da Torá e mitsvot. Embora, como mencionado acima, a Torá e mitsvot tenham sido concedidas para o benefício do homem, tanto nesta vida como na vida Eterna, há uma qualidade infinitamente mais grandiosa com a qual D’us dotou a Torá e mitsvot. Esta é a qualidade de unir o homem com D’us, a criatura com o Criador, que de outra forma nada teriam em comum. Pois, dando ao homem um conjunto de mitsvot para cumprir na vida cotidiana, D’us tornou possível ao homem unir-se ao seu Criador, e transcender as limitações de um ser limitado, vivendo num mundo limitado. A Torá e mitsvot constituem a ponte que passa sobre o abismo infinito separando o Criador da criatura, possibilitando ao ser humano elevar-se e aproximar-se da Divindade. É claro que esta qualidade pode ser conseguida apenas se a pessoa observa a Torá e mitsvot não pela recompensa que advirá para o corpo, ou para a alma, ou ambos, mas simplesmente porque são a vontade de D’us, bendito seja Ele. É também por esta razão que o texto da berachá que um judeu faz antes de cumprir uma mitsvá não menciona a qualidade da mitsvá, mas ao contrário, o fato de que “Ele nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou.” Finalmente, gostaria de dizer que o fato de que você tem algumas dúvidas e incertezas não deve desencorajá-lo de forma alguma. De fato, a Torá deseja que a pessoa utilize todas as suas habilidades, incluindo a mente e a inteligência, ao serviço de D’us desde que a abordagem seja a correta, i.e., a aceitação da Torá e mitsvot em primeiro lugar. É natural e até mesmo desejável que alguém deva entender tudo que está ao alcance de sua capacidade mental. No seu caso, isto é ainda mais importante, porque você tem oportunidade de influenciar e beneficiar outras pessoas jovens que possuem a mesma capacidade intelectual que você. Muito mais pode ser dito com relação a um assunto tão profundo, mas creio que as linhas acima, embora limitadas em quantidade, têm conteúdo suficiente para iluminar os verdadeiros aspectos deste problema. Além disso, se ainda desejar discutir esse assunto com mais profundidade, certamente tem amigos entre os Anash de Londres que sentir-se-ão contentes em esclarecê-lo. Com bênçãos, (Assinatura do Rebe) |
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Escolha
a Vida! Notas: 1 – Igrot Kodesh, vol. XVIII, pág. 369. 2 – Ética dos Pais, 5:21. 3 – Devarim 30:19. |
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Essência
judaica |
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| Fé
em D’us 16 de Adar 5711 (1951) Saudações e bênção: Recebi sua carta de 16 de maio. A seu pedido, apressei-me a responder, embora grande quantidade correspondência anterior ainda não tenha sido tocada. Em primeiro lugar, desejo corrigir uma atitude errada de sua parte como está expressa na carta, no sentido de que você pôs sua fé em mim e na minha promessa. Um judeu deve colocar sua fé somente em D’us, Criador e Mestre do universo, que guia todos os destinos, que cura os doentes e é a Fonte do Bem. Como D’us é bom, Ele deseja que todos, especialmente os judeus, sejam felizes. Ocorre, no entanto, que com nossos olhos humanos, não podemos ver e entender Seus caminhos. Porém devemos ser firmes em nossa fé de que somente o bem pode vir do bom D’us, e que o bem terminará por surgir. Na verdade, eu deveria ter usado palavras de censura mais fortes com respeito à sua atitude de colocar sua fé inteiramente num ser humano. No entanto, percebendo o coração sofrido de uma mãe cujo filho está doente, e pessoa alguma pode ser totalmente responsável quando está sofrendo, eu gostaria de repetir aquilo que disse ao seu marido, o Rabino, e que pedi a ele para lhe transmitir: seja forte em sua fé em D’us, que não conhece obstáculos ou limitações, que Ele certamente enviará Sua ajuda, e que você terá muitos nachas (prazer) por sua filha e a levará à Chupá. Como eu disse a seu marido, esta firme fé em D’us é o melhor meio de apressar a cura de sua filha. Seja confiante e animada, e ajude a animar os outros participando nos preparativos para um farbrenguen chassídico (reunião) nas ocasiões apropriadas, e outras ocasiões inspiradoras como essa. Com bênção (Assinatura do Rebe) |
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| Genocídio
Espiritual Saudações e bênçãos Recebi sua carta, bem como a precedente. Por algumas razões, estou respondendo em inglês, embora as suas fossem escritas em hebraico. Com sua permissão, devo começar com declarações introdutórias que podem ser parcialmente repetitivas, pois creio que toquei neste assunto na reunião. Entretanto, há palavras que devem ser ditas mesmo correndo o risco de repetição, para não deixarem de ser ditas de todo. Refiro-me às linhas que concluem sua carta, onde menciona várias escolas de pensamento em judaísmo, e fala de filosofia, psicologia e várias atitudes em geral. Cá entre nós, muitos aspectos da sua esfera de interesses têm sido tratados em livros, não apenas em hebraico como também em inglês. Você provavelmente já sabe sobre estes livros ou pode descobrir. Existem também fontes similares que tratam de Chassidut em geral e Chabad em particular. Entretanto, isto é mencionado apenas de passagem. O propósito essencial da minha carta é uma tentativa de esclarecer o que para mim é algo intrigante: já há muitos meses tivemos nosso encontro pessoal, e parece que a discussão que tivemos àquela época, e meus esforços subsequentes para ajudar você a se encontrar, por assim dizer, têm sido infrutíferos até agora. Entretanto, visto que as razões que me forçaram a começar nossa conversa ainda estão de pé, e talvez mais fortes que antes, devo reforçar minhas opiniões mesmo com o risco de uma repetição: 1 – Podem existir diferenças válidas de opinião entre homens, sobre qual atividade ou interesse na vida diária deveria ter prioridade sobre outras. Mas isto pode se justificar apenas em circunstâncias normais. Quando acontece uma emergência, entretanto, todas as diferenças teóricas devem ser postas de lado para tratar da emergência. Para ilustrar meu ponto: uma coisa é debater que tipo de casa – se pegou fogo – vale a pena salvar – por qual método, ou por quem. Mas é uma outra coisa quando alguém está na verdade enfrentando uma casa em chamas com pessoas presas dentro, idosos, jovens e crianças. Numa hora destas não pode haver diferença de opinião sobre a necessidade imperativa de combater as chamas e resgatar os que estão encurralados. Este é o dever de qualquer um que esteja por perto, mesmo se não for um bombeiro treinado, e mesmo se aqueles presos dentro da casa são estranhos. A obrigação é consideravelmente maior, claro, se aqueles dentro dela são nossos parentes, e especialmente se alguém teve uma experiência bem sucedida na atividade de extinguir um incêndio. 2 – Onde existe uma dúvida sobre o que é bom para um indivíduo, ou grupo, ou nação, é às vezes esclarecedor considerar o que o inimigo deseja; especialmente se o inimigo tem mostrado persistentes esforços para atingir seus fins. Pois então ficaria claro que o oposto do que o inimigo deseja é bom para aquele indivíduo, grupo ou nação. Em nossa geração, vimos com nossos próprios olhos o que o arquiinimigo de nosso povo – Hitler e seus seguidores – desejaram, tramaram e infelizmente conseguiram em grau considerável, a respeito de nosso povo. Ele não fez segredo de seu plano diabólico. Sua intenção confessa era exterminar o povo judeu e, acima de tudo, erradicar o espírito judaico. Por isto, as primeiras vítimas foram os livros judaicos e as sinagogas, líderes espirituais e rabinos. Há muitos métodos pelos quais nossos inimigos esperam conseguir nossa aniquilação, D’us não o permita. Para a mente distorcida de Hitler, o método óbvio era simplesmente enviar judeus, homens, mulheres e crianças, às câmaras de gás e crematórios. Mas o método da cremação espiritual, envolvendo não o corpo judeu, mas a alma – através da assimilação, casamentos mistos, etc. – é da mesma forma devastador. Os crematórios onde os corpos judeus foram incinerados, são algo de um passado horrível demais para ser esquecido. Graças a bondade do Todo Poderoso, aqueles açougueiros foram detidos antes que sua obra de destruição atingisse o objetivo. Mas o crematório espiritual, onde as almas dos judeus estão sendo consumidas, para nosso profundo desgosto ainda estão acesos, e mais ferozmente que nunca. A Casa de Israel está em chamas (que D’us tenha piedade), e a geração jovem, do jeito que estão as coisas, está totalmente encurralada. Você com certeza não está consciente da “fria” estatística sobre casamentos mistos e assimilação neste país, e a situação é similar em outras nações. O assunto é muito doloroso para ser contemplado, e ainda mais para escrever sobre ele mais demoradamente. Em um sentido, o perigo de “crematório espiritual” é mais sério que aquele do genocídio; pois o hediondo deste último pode ser entendido sem muitas considerações filosóficas, ao passo que para o extermínio espiritual há certos grupos que não reconhecem isso como uma calamidade, e alguns grupos mesmo o elogiam sob o nome de “liberdade,” “igualdade,” “integração” e outros “ideais” equivocados. À luz desta introdução, deixe que nós – você e eu – consideremos nossa posição. Certamente, face à situação hoje existente e sua deterioração, todo o debate e a especulação filosófica devem ser deixados de lado. A emergência existente demanda ação imediata para salvar almas judaicas, dos idosos, de meia-idade e dos jovens. Esta é a obrigação primordial de cada um de nós que deseja agir contra os objetivos de Hitler. Esta obrigação é particularmente imperativa quando trata do ambiente imediato onde a pessoa foi criada, e com o qual a pessoa tem um débito de gratidão por muitos benefícios. Ainda mais obrigatório é o débito de alguém que tentou seus esforços no campo da educação e obteve sucesso. Isto deveria ser tão óbvio para a pessoa conscienciosa, que é intrigante se esta pessoa falha em reconhecê-lo. Posso explicar isso da seguinte maneira: Se o yetser hará viesse a uma pessoa que raciocina e lhe diz: “Esqueça tudo a respeito daqueles crematórios espirituais; ao invés disso, saia e divirta-se, proporcione-se os prazeres da carne!” – isto não iria funcionar, é claro. Mas o yetser hará tem uma tática melhor, que é mais “discreta” e “diplomática”. Segue na direção oposta, qualquer coisa deste tipo: “Para uma pessoa como você, prazeres mundanos são muito triviais. Você deveria pensar em termos de idéias universais, idéias que abarquem toda a humanidade, baseadas na mais profunda das filosofias, etc. Aqui você encontrará a plenitude da missão de sua alma, pois salvando o mundo todo, você também salvará suas partes,” e assim por diante. Infelizmente, esta decepção frequentemente acontece com indivíduos bem-intencionados, e os induz a concentrar atenção em algumas idéias utópicas, com a negligência do ambiente imediato. Tudo que foi dito acima – na esperança de sua bondosa indulgência – não se destina – é claro – a rebater ou argumentar pelo prazer de discutir. Eu simplesmente queria entender como é possível para um homem jovem, que observa o que se passa à sua volta, cair neste tipo de equívoco. Certamente os jornais diários não conseguem iludir a pessoa e fazê-la pensar que tudo está bem e normal. As notícias sobre delinqüência juvenil e crime; a promiscuidade entre estudantes das universidades; a crescente onda de casamentos mistos e assimilação, etc., certamente deve ser um constante desafio aos jovens decentes e conscientes, e deveriam “atiçá-los” a fazer alguma coisa prática, ao invés de engajar-se em alguns tópicos abstratos, ou em alguma pesquisa que, como todos concordarão, poderia esperar um pouco; no entanto, o menino ou menina no colégio não podem ser deixados a esperar, e a menos que seja ajudado e guiado de imediato, pode em breve ser arrebatado e irremediavelmente perdido, D’us não o permita, pela maré de casamentos mistos e assimilação. 3 – Chabad exemplifica a abordagem correta, e isto responderá uma de suas perguntas, a saber, qual é o objetivo de Chabad? Um dos ensinamentos básicos de Chabad é que Ahavat Hashem, união com D’us , que é não apenas o criador da humanidade, mas também o Criador do Universo, é sinônimo de Ahavat Yisrael. E Ahavat Yisrael não é necessariamente expresso como tentativa de salvar todo o povo judeu, mas em ajudar até mesmo um único indivíduo. Lembre:se: “Aquele que salva uma única alma, considera-se como tendo salvado o mundo todo,” declararam nossos sábios. De fato, o próprio fundador de Chabad deu um exemplo disso: quando uma pobre mulher deu à luz nas cercanias da cidade, Rabino Schneur Zalman, fomos informados, tirou seu talit e tefilin, e foi visitá-la na miserável cabana para acender o fogo, e preparar-lhe alguma comida. O Alter Rebe não viu contradição em interromper suas preces a D’us (e aqui vale a pena lembrar que mesmo a prece de um judeu comum, se for sincera e ardente, atinge a união com o Criador), para ajudar a mulher em necessidade: ao contrário, tal ajuda é a melhor expressão da proximidade com D’us . Como poderá você – e eu – e digo isto com o devido respeito – sentarmo-nos preguiçosamente nesta cidade, rodeados por milhares e milhares de judeus famintos por aconselhamento e em direção ao caminho certo na vida, da maneira da Torá, Torá Chayim? Pode fazer-se de surdo aos gritos das crianças judias que, se lhes for negada ajuda imediata, podem ser consignados ao crematório espiritual, D’us não o permita? Certamente você deveria dedicar todas suas energias e habilidades a esta obra que resgata vidas. É minha esperança que, a partir de agora, pelo menos, você abrirá os olhos e o coração ao que eu disse e escrevi a você: que você irá, sem mais nenhuma procrastinação, utilizar plenamente estes dons e capacidades que a Divina Providência lhe concedeu, para ajudar a guiar crianças e adolescentes judeus em direção à trilha de Torá e mitsvot, para ajudar a salvá-los das garras da completa assimilação. Além disso, conforme explicado em Chabad que, estou feliz por perceber, você está interessado, esta obra sagrada lhe dará novo discernimento sobre Ahavat Hashem e tudo que o acompanha, e ajudará a esclarecer muitos dos problemas, enigmas e conflitos que perturbam sua paz de espírito no presente. Espero e rezo para que minhas palavras, vindas do coração, encontrarão a resposta certa em seu coração. Com bênçãos, (Assinatura do Rebe) |
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| Justiça
e Moralidade Pela Graça de D’us 15 de Cheshvan, 5733 Brooklyn, NY Saudações e Bênção: Esta é para confirmar o recebimento de sua correspondência. Você escreve que gostaria de saber o que significa caminhar na presença de D’us. Estou certo de que você conhece os assim chamados Sete Mandamentos dados por D’us a Nôach e seus filhos. Estes são: (1) O estabelecimento de cortes de justiça; (2) a proibição de blasfêmia; (3) de idolatria; (4) de incesto; (5) de derramamento de sangue; (6) de roubo; (7) de comer carne de um animal vivo. Estes Sete Mandamentos, que D’us deu aos filhos de Nôach, i.e., a toda a humanidade, são as leis básicas, com ramificações de longo alcance que abrangem toda a vida da sociedade e do indivíduo, para assegurar que a raça humana será regida por estas leis Divinas de moralidade e ética, e que a sociedade humana será de fato humana, e não uma selva. Certamente os judeus, filhos de Avraham, Yitschac e Yaacov, mais tarde receberam muitos mais mandamentos com obrigações para eles, mas não para o restante da humanidade. No entanto, isso de maneira alguma diminui o fato de que os não-judeus podem e devem buscar realização completa através da observância dos mencionados Sete Mandamentos do Homem, com todas as suas ramificações, pois, como são outorgados por D’us, proporcionam o veículo pelo qual se atinge a comunhão com D’us, e assim “caminhar sempre na presença de D’us”, como você escreve em sua carta. Eu gostaria de fazer uma observação adicional. Houve uma época em que alguns pensadores acharam que não havia necessidade de conectar as leis da ética e moralidade com a autoridade Divina, visto que estes são princípios racionais. O equívoco deste raciocínio agora é bastante claro. Vimos, em nosso próprio tempo, uma nação inteira que se gabava de grande progresso filosófico e sistemas éticos descer às maiores profundezas da depravação humana e barbarismo sem precedentes. E o motivo para isso foi que eles acreditavam poder estabelecer moralidade e ética baseadas na razão humana, sem se sujeitar à autoridade de um Ser Supremo, tendo eles próprios se tornado uma super-raça, como pensavam. Certamente não há necessidade de elaborar sobre o óbvio. A partir das declarações acima, fica claro que nenhum indivíduo pode se contentar com a própria observância dos Mandamentos Divinos, mas é sua responsabilidade com seus amigos, vizinhos e sociedade em geral, envolvê-los na observância dos Mandamentos Divinos na vida e na conduta diárias. Desejando a você sucesso em seus esforços para atingir a verdadeira realização, Com bênção, (Assinatura do Rebe) |
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| Lavagem
da Alma Quando o Todo Poderoso dá ao judeu sua alma, ela está limpa e passada, e encaixada individualmente nele ou nela. Pela Graça de D'us, 17 de Sivan, 5711 [21 de junho de 1951] Brooklyn, NY Saudações e Bênção: Como eu lhe disse durante sua visita, meu sogro o Rebe1 com frequência citava um dito de Rabi Israel Baal Shem Tov: “De tudo que um judeu vê ou ouve, ele deve extrair uma lição em seu serviço ao Todo Poderoso.” Obviamente, a pessoa deve procurar uma lição no seu trabalho diário. As roupas, antes de vesti-las, são lavadas e passadas – tudo no devido lugar. Mas depois de as usarmos durante algum tempo, elas ficam amassadas, empoeiradas ou manchadas. Apesar disso, não precisamos descartar essas roupas; em vez disso, enviamo-nas a uma lavanderia. O tintureiro coloca-as numa máquina com temperatura morna ou quente, água, produtos químicos ou sabão que remove a sujeira e as manchas. Depois ele as passa aplicando um ferro pesado ou pressão. A roupa pode ser usada novamente. Assim é com a alma judaica. Quando o Todo Poderoso dá ao judeu – homem ou mulher – sua alma, ela está limpa e passada, e encaixada individualmente nele ou nela. Como dizemos diariamente nas preces matinais: “A alma que colocaste dentro de mim é pura.” Com o tempo, porém, à medida que é usada para questões mundanas, a alma torna-se amassada – marcada pelo uso para coisas que não são a vontade de D'us. A alma pode também tornar-se suja e manchada quando a pessoa negligencia, D'us não o permita, o cumprimento de uma mitsvá obrigatória ou então transgride uma proibição Divina. Mesmo assim, a Torá nos ensina a não desesperar e acreditar que é possível restituir a pureza da alma e sua condição para ser descente e viver conforme a prescrição para uma vida judaica. Deve-se imergi-la numa temperatura morna – ou seja, morna com a calidez da Torá e das mitsvot, para que possa “cozer” nelas e ser vitalizada por elas. Esse calor deve ser úmido, para que a alma tenha uma aderência úmida a todas as coisas sagradas; isso é atingido por meio da prece sincera, sobre a qual se afirma: “Derrame seu coração como água,”2 e com sincero estudo de Torá, sobre o qual se diz: “Aquele que tem sede, venha até a água – a água sendo a Torá.”3 A pessoa também deve se envolver em outras coisas: caridade, observância da cashrut e outras mitsvot, restaurando assim a alma à sua pureza sem manchas. E se acrescentar a isso o “peso” e “pressão” da Torá – um peso e pressão que podem parecer, a princípio, ser um fardo – isto não apenas não incomoda a roupa – pelo contrário, deixa-a lisa e coloca cada coisa em seu lugar, restaurando-a à forma e brilho adequados. Em outras palavras, por intermédio de Torá e mitsvot a alma se torna aquilo que deveria ser. Concluo com uma bênção de vida longa para você e sua esposa, que ela viva. Que vocês tenham muito nachas de todos os seus filhos, que eles vivam.4 NOTAS 1. Rabi Yosef Yitschak Schneersohn (1880-1950), sexto líder de Chabad-Lubavitch. 2. Lamentações 2:19. 3. Isaias 55:1: Talmud, Bava Kamma 17 a. 4. Traduzido do yidish, Igrot Kodesh, vol. 4, págs. 334-336. |
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| Lavar
a alma Saudações e bênçãos! Como eu lhe disse durante minha visita, meu sogro, o Rebe1 costumava citar um dito do Rabi Israel Báal Shem Tov: "De tudo aquilo que um judeu vê ou ouve, deve derivar uma lição em seu serviço ao Todo Poderoso." Obviamente, deve procurar extrair uma lição em sua ocupação diária. As roupas, antes de as vestirmos, estão limpas e bem passadas – tudo no seu devido lugar. Porém depois de usá-las por algum tempo, ficam enrugadas, empoeiradas ou com manchas. Apesar disso, não é necessário descartar estas roupas: basta levá-las a uma lavanderia. O funcionário a coloca numa máquina onde a água quente, sabão e produtos químicos removem a sujeira e as manchas. Então a roupa é passada mediante a aplicação de peso ou pressão, e pode ser novamente usada. O mesmo ocorre com a alma judaica. Quando o Todo Poderoso dá ao judeu – seja homem ou mulher – sua alma, está limpa e passada, própria para que a pessoa a use. Como dizemos todos os dias nas preces matinais: "A alma que Tu colocaste dentro de mim é pura." No entanto, à medida que é usada para assuntos mundanos, a alma torna-se amarrotada – pelo uso para coisas que não são a vontade de D'us. A alma pode também tornar-se suja e manchada quando alguém negligencia, D'us não o permita, o cumprimento de alguma mitsvá obrigatória ou transgride uma proibição Divina. Apesar disso, a Torá nos ensina a não desesperar da pureza da alma e sua adequação para a vida judaica. A pessoa deve imergir numa temperatura quente – ou seja, aquecê-la com o calor da Torá e mitsvot, para que "cozinhe" e seja vitalizada por elas. Este calor deve ser úmido, para que as coisas sagradas sejam aderidas à alma; isso se consegue por meio da prece sincera, sobre a qual se declara: "Derrame seu coração como a água"2 – e pelo fervoroso estudo de Torá, sobre o qual se diz: "Veja, todos que têm sede venham à água" – a água é a Torá."3 Deve-se também acrescentar outras coisas: a tsedacá, cashrut e outras mitsvot, assim restaurando a alma à sua pureza impecável. E se a pessoa adicionar a isso o "peso" e "pressão" da Torá – peso e pressão que podem parecer, a princípio, como sendo um fardo – isso não somente não prejudica a roupa, mas ao contrário, a deixa lisinha e coloca cada coisa em seu lugar, restaurando-a a seu formato e brilho originais. Em outras palavras, por intermédio da Torá e mitsvot a alma torna-se aquilo que deveria ser. Concluo com uma bênção de longa vida para você e sua esposa. Que vocês tenham nachas de seus filhos.4 (Assinatura do Rebe) Notas 1 – Rabi Yossef Yitschac Schneersohn (1880-1950), sexto líder de Chabad-Lubavitch. 2 – Echá 2:19 3 – Mishlê 9:5; Talmud, Bava Kama 17a 4 – Traduzido do yidish, Igrot Kodesh. vol. IV págs. 334-336 |
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| Livre
Arbítrio 25 de Elul, 5724 (1964) Saudações e bênçãos: Recebi sua carta de 16 de Elul. Creio já ter escrito a você antes, tanto a respeito de esforços para influenciar outros, como também a ajudar-se; é bom consultar amigos tementes a D’us, especialmente porque eles têm experiência nesses assuntos. Quanto à sua pergunta sobre livre arbítrio, o Rambam explica longamente este tema nas Leis de Teshuvá (Arrependimento), capítulos 5 e 6. O significado do livre arbítrio é simplesmente que uma pessoa é livre para agir, falar e pensar, e sempre tem a opção de fazer ou não o bem. Assim, também está enfatizado na Torá: "Veja que coloquei diante de ti, etc. – escolha a vida." Não há contradição entre o livre arbítrio humano e a Sabedoria Divina, pois o oposto do livre arbítrio não é o conhecimento, mas a compulsão. Em outras palavras, a Sabedoria Divina de forma alguma afeta a liberdade humana, e não a obriga. Uma das ilustrações que tornarão mais fácil entender este assunto é aquela de uma pessoa que é clarividente, e pode prever acontecimentos no futuro, ou um psicólogo que conheça muito bem um amigo e pode prever suas reações, embora limitado a um curto período de tempo. Evidentemente, este conhecimento antecipado não afeta o evento e as ações que ocorrerão. Porém D’us é ilimitado em tempo e conhecimento, e Sua sabedoria se estende a todos os tempos e locais, mas nunca afeta a liberdade das ações humanas. Anexei uma cópia de minha mensagem geral de Rosh Hashaná deste ano. Nela você encontrará respostas também para algumas de suas questões. Desejando-lhe um Kesivo veChasimo Toiva [que você seja inscrito e selado para o bem]. Com bênçãos, (Assinatura do Rebe) |
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| Luz
e Honra 16 de Adar, 5740 (1980) Saudações e Bênção: Sua carta de 27 de janeiro chegou a mim com grande atraso. Como foi solicitado, lembrarei de você em prece para o cumprimento dos desejos de seu coração para o bem. A julgar pelo que escreve, não há necessidade de enfatizar que sempre há espaço para avanços nos aspectos de bondade e santidade, Torá e mitsvot que, embora sejam uma necessidade para o nosso bem, são também os canais para receber as bênçãos de D’us em todas as necessidades. Como estamos agora vindo de Purim, quando os judeus renovaram seu compromisso com a Torá e mitsvot, para eles próprios e para seus filhos para todos os tempos, e por isso mereceram os milagres Divinos que trouxeram para eles uma completa reviravolta, da tristeza à alegria – esta é uma boa época para todos nós fortalecermos nosso engajamento com o Judaísmo. E, assim como foi para os judeus da Pérsia “Luz, júbilo, alegria e honra” – tanto no sentido comum quanto no sentido mais profundo de “Luz – esta é a Torá… Honra – este é Tefilin”, podemos estar certos de que seguindo seus passos “Para que seja também para nós.” Que D’us lhe conceda ter boas novas para relatar sobre todo o acima. Com bênção, (Assinatura do Rebe) |
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| Mezuzá
– A Proteção do Lar Pela Graça de D’us Rosh Chôdesh Elul, 5736 Brooklyn, NY Às Mães e Filhas Judias em Toda Parte D’us as abençoe Saudações e bênçãos: Tendo em vista os eventos recentes – o sequestro e salvamento dos reféns em Uganda; e a subsequente tentativa dos terroristas de perpetrar uma perversa repetição, D’us não o permita, em Kusha (Istambul); Deve-se entender que esses eventos são uma indicação de que os judeus devem, o mais cedo possível, reforçar todos os aspectos de sua segurança e defesa – primeiramente e antes de mais nada na vida espiritual, o canal para receber as bênçãos de D’us também no aspecto físico, ou seja, conhecer os caminhos e meios certos que devem ser tomados na ordem natural das coisas, e para ter completo sucesso nesses esforços, segundo a Divina promessa, “D’us, teu D’us, te abençoará em tudo aquilo que fizeres” – para ser protegido e seguro contra os inimigos, e ser poupado de quaisquer acontecimentos indesejáveis, D’us não o permita. Os eventos acima lembram a todos e a cada um dos nossos irmãos judeus em geral, e às mães e filhas em particular – pois toda mulher judia casada é chamada Akeret Habayit, “Alicerce do Lar,” e aquelas ainda não casadas serão Akeret Habayit, para o que elas devem se preparar desde a tenra idade – o seguinte: A situação atual clama pela proteção de todo lar judaico. A verdadeira proteção é aquela que somente D’us proporciona, como está escrito; “D’us guarda a cidade.” Para assegurar essa Divina vigilância, o lar deve ser conduzido em todos os aspectos de acordo com a vontade Divina. Então o lar será também uma morada para a Shechiná (Presença Divina), segundo Sua promessa: “Eu habitarei entre eles.” Além disso, D’us deu ao nosso povo um presente especial para proteger o lar, ou seja, a mitsvá da mezuzá. Nossos Sábios declaram explicitamente que “o lar é protegido por ela (a mezuzá).” Além disso, essa proteção abrange os membros da família também quando saem da casa, como está escrito: “D’s guardará suas idas e vindas agora e para sempre.” É ainda explicado em nossas fontes sagradas que o Nome Divino (Shin-Dalet-Yud) escrito no verso do sagrado pergaminho da mezuzá declara as palavras “Shomer Dalsot Yisrael – Guardião das Portas Judaicas.” Lembremos também que embora todos os judeus constituam um só corpo, e estejam ligados uns com os outros, toda mezuzá é uma proteção Divina não somente para o lar individual, com todos e tudo que está dentro dele, mas cada mezuzá casher adicional afixada num batente de qualquer lar judaico, em qualquer parte, acrescenta à proteção de todo o nosso povo, esteja onde estiver. E considerando – como mencionado acima – que toda esposa judia é um Akeret Habayit, e toda menina judia uma futura Akeret Habayit, elas têm um zechut (mérito) especial e a responsabilidade na questão da mezuzá, para providenciar que não somente uma mezuzá casher seja afixada em todo batente no lar que exige uma mezuzá, como também que o mesmo seja feito pelos seus vizinhos e amigos judeus, e em todos os lares judaicos. Com estima e bênção de Kesivo veChasimo Tovah, Assinatura do Rebe |
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| O
Chassidismo esquiva-se do mundo? 5724 Saudações e bênçãos A finalidade desta é acusar o recebimento de sua carta. Foi para mim uma surpresa notar na sua missiva que sua impressão, é de que os chassidim não participam do mundo exterior, etc. Na verdade, o oposto é verdadeiro, pois dificilmente há uma área ou esfera no mundo que os chassidim excluam de seu interesse. Esta atitude é o resultado direto da ênfase da Chassidut no real conceito de Monoteísmo. O conceito chassídico da Unidade de D’us vai muito além da opinião geralmente aceita de que há apenas uma Divindade e nenhuma mais, mas que há apenas Um D’us e nada mais! Pois, visto que a palavra de D’us (onde Ele trouxe o mundo à existência) constantemente e sem interrupção cria e vitaliza todo o universo e cada partícula dele, e sem esta força criativa, que é a verdadeira essência de tudo que existe, nada poderia existir, conclui-se que não há realidade outra que não D’us , e nada existe, senão Divindade. Chassidut enfatiza que é um dos principais aspectos do propósito do homem na vida estabelecer esta verdade e divulgá-la ao máximo de sua influência. Isto não é meramente uma idéia, mas um modo de vida que se expressa no cotidiano, e que permeia totalmente o íntimo do Chassid. Um corolário deste ponto de vista é outro princípio fundamental nos ensinamentos da Chassidut, que a Divina Providência estende a cada um em particular na Criação, não apenas a cada indivíduo da raça humana, mas a tudo no reino animal, vegetal ou mineral, como é bem sabido por todos que estudam Chassidut. Desta maneira, é fundamental para a filosofia e modo de vida chassídicos não excluir nenhuma parte do mundo de sua esfera de interesse. Quanto a você escrever que não tem achado nomes de chassidim que participam de certos movimentos, como o dos direitos humanos, etc., isto é também surpreendente, visto que muitos deles têm tomado parte ativa neste e em outros movimentos construtivos. Muitos mais, entretanto, dentre aqueles que participam em tais movimentos, o fazem ao mesmo tempo em que evitam publicidade e manchetes na imprensa. Com bênçãos, (Assinatura do Rebe) |
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| O
Perigo da Assimilação Carta do Rebe – 12 de Marcheshvan, 5722 (1961) ...Creio que durante nossa conversa tocamos no assunto que, como a Torá sempre foi chamada Torat Chayim, a Lei da Vida, e tem sido sempre a fonte de nossa vida e existência, bem como o guia para nossa vida diária, muito mais o é nos tempos atuais. O perigo para a vida judaica e a existência nos países livres, especialmente nos Estados Unidos, não é da exterminação física, D'us não o permita, por um outro Hitler ou Eichman, mas sim um perigo não menos destrutivo, o risco da assimilação. Exatamente porque não há antagonismo externo e discriminação contra os judeus, especialmente nas classes média e baixa (embora na classe alta, a tendência para a assimilação seja reprimida pelo preconceito), o perigo da assimilação de massa é bastante real. Além disso, fatores como a educação compulsória e social e as pressões econômicas de conformidade, etc., associadas à grande ignorância sobre os valores judaicos, aumenta bastante o perigo da assimilação de uma geração para a seguinte. Se for permitido que continue sem contenção, quem sabe aonde isso poderá levar. Portanto, é dever de todo judeu consciente e consciencioso fazer o possível para deter a onda de assimilação, e trata-se realmente de uma questão de salvar uma vida. É evidente que tal esforço não deveria ser limitado ao adulto e às gerações mais velhas, mas principalmente no que diz respeito aos jovens, em especial os muito jovens. Desnecessário dizer, a pessoa sobre quem a Divina Providência concedeu a capacidade especial para influenciar, por uma questão de dever deve usar esta capacidade na direção delineada. Essa não é a ocasião para estender-se em pesquisa teórica sobre todos os aspectos da situação, e adiar a ação dependendo dos resultados da pesquisa. Pois, quando uma casa está se incendiando, não há tempo para estudar as leis da combustão e os métodos para apagar o fogo, mas tudo deve ser feito para extingui-lo antes que a casa seja destruída, com possíveis perdas de vidas. ... Similarmente, você tem a capacidade de expandir sua influência, além de sua proximidade imediata em casa, até a comunidade em geral. Isso você pode fazer de maneira direta e, talvez ainda mais, de modo indireto, elevando os padrões de sua vida religiosa e espiritual. (Assinatura do Rebe) |
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| O
Rebe Escreve... Carta do Rebe 15 de Av, 5735 [1975] Saudações e Bênçãos: Fiquei contente ao ser informado sobre o seu constante progresso em assuntos de Torá, chamada “Torat Chaim”, porque é o guia do judeu para a vida, e também “Torat Emet”, porque é a verdade. Isso é duplamente gratificante, visto que pessoas de sua posição têm um impacto na comunidade, pois as pessoas o respeitam e tentam seguir seu exemplo. Assim, seu avanço nos assuntos da Torá e mitsvot é grandemente multiplicado através daqueles que são inspirados pelo seu exemplo, para não mencionar o impacto direto sobre os filhos e nos filhos deles, numa eterna reação em cadeia. Tendo em vista o acima, mesmo que haja algumas dificuldades para superar, certamente vale a pena o esforço, pois este envolve apenas o indivíduo, ao passo que o benefício é para muitos. Acrescente a isso o fato de que este também é o canal para receber as bênçãos de D’us em todas as necessidades, e que D’us paga na mesma moeda, e na medida mais generosa. O acima se refere a todos os assuntos de Torá e mitsvot, mas tem um significado especial no que tange à cashrut [leis dietéticas judaicas]. Como médico, você tem o imenso conhecimento que tem sido acumulado recentemente na área de nutrição e dieta, e como a qualidade da comida afeta a saúde física e mental. Para os judeus, as Leis Dietéticas vieram com a própria Torá, que revelou o verdadeiro significado do monoteísmo, do qual os judeus têm sido os guardiães desde então. Isso foi relevante não somente naqueles dias, quando o paganismo e a idolatria eram prática geral no mundo, mas também relevante nos dias atuais, pois somente a Torá e mitsvot são a base do puro monoteísmo, enraizado na absoluta unidade de D’us. Isso significa que o judeu traz harmonia e unidade ao mundo físico, eliminando a departamentalização na vida diária, ou tendo práticas ocasionais; ou então, como alguns indivíduos equivocados poderiam pensar, eles podem praticar o Judaísmo em seu lar, mas devem fazer concessões fora de casa. Todas estas diferenciações são contrárias à verdadeira unidade, puro monoteísmo. Pois o conceito do puro monoteísmo não é confinado a Um D’us, mas ao mesmo tempo exige unidade na vida pessoal de cada judeu, que é um membro do Único Povo, sobre o qual se afirma: “Um Povo sobre a terra.” Segundo a explicação do Alter Rebe, fundador de Chabad, “Um Povo sobre a terra” significa que eles trazem união e unidade também nas coisas terrenas, e é somente desta maneira que o indivíduo pode atingir a completa harmonia pessoal e unidade do corpo e alma o tempo todo, seja na sinagoga, no lar ou no escritório. Assim, é óbvio como a cashrut é importante para um judeu, pois o alimento e as bebidas que consome se tornam sangue, tecidos e energia, e a comida não adequada (não-casher) para um judeu apenas pode aliená-lo dos assuntos do Judaísmo, e somente a comida correta, casher, pode nutri-lo física, mental e espiritualmente. Como já foi mencionado, não há necessidade de elaborar isto para você, um médico, embora sua especialidade não esteja diretamente ligada ao campo da nutrição. A bênção mais desejável que pode ser expressa neste caso é que você de fato deveria servir como um exemplo vivo e inspirador para outros copiarem, e que através de sua inspiração muitos outros se tornarão cada vez melhores em assuntos de Torá e mitsvot na vida diária. Que D’us lhe conceda sempre ter boas notícias para relatar. Com bênção. (Assinatura do Rebe) |
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| Providência
Divina Segurança e confiança 25 de Elul, 5735 [1975] Saudações e Bênçãos: Recebi sua carta relacionada com a aproximação do novo ano, bem como uma cópia da carta anterior. Como foi solicitado, eu me lembrarei de você e sua família, bem como daqueles mencionados em sua carta, em prece, para a realização dos desejos de seus corações para o bem. Com referência às suas dúvidas e a dificuldade de tomar decisões, e sobre um sentimento de insegurança para confiar nas pessoas em geral, não é preciso eu me alongar muito para dizer que este tipo de sentimentos surge quando alguém pensa que está sozinho, e pode apenas confiar em si mesmo e em seu próprio julgamento, e portanto sente-se incerta e insegura sobre cada passo que precisa dar. E embora ele também confie em D’us, esta confiança de certa forma é superficial e não está imbuída nele, em todos os detalhes de sua maneira de viver; e apenas em determinados dias, como as Grandes Festas, ele se sente mais próximo de D’us. Porém quando a pessoa tem uma profunda fé em D’us, e quando reflete que a benevolente Providência Divina se estende a todas as pessoas, e a todo e cada detalhe, e a todo e cada minuto, certamente ele desenvolve um profundo senso de segurança e confiança. O conceito de "Divina Providência" é melhor compreendido no termo original hebraico, Hashgachá Peratit [supervisão individual], pois Hashgachá significa cuidadosa vigilância, razão pela qual o termo Hashgachá também é usado em conexão com as leis de Cashrut [leis dietéticas judaicas], onde cada detalhe precisa ser cuidadosamente supervisionado. Uma outra tradução que às vezes é usada para Hashgachá Peratit, ou seja, "supervisão", não é inteiramente satisfatória neste caso, porque supervisão implica "visão de cima", ou seja, olhar do alto, ao passo que Hashgachá no sentido da vigilância de D’us significa conhecer todos os assuntos, por dentro e por fora, completamente. A crença nesta Hashgachá Peratit é fundamental em nossa religião e modo de vida, a tal ponto que antes de cada novo ano, e durante o início do ano, recitamos duas vezes ao dia o Salmo 27: "D’us é minha luz e minha salvação, a quem temerei? D’us é a força da minha vida, de quem terei medo?" Por isso vemos que mesmo que as coisas não ocorram como desejadas, segundo os cálculos humanos, e mesmo que pareça que, segundo a Torá, deveria ser diferente, um judeu ainda coloca sua confiança em D’us, como conclui o Salmo: "Espera em D’us; sê forte e fortalece teu coração e esperança em D’us." Em outras palavras, às vezes é necessário ser forte e fortalecer o próprio coração para atingir plena confiança em D’us, mas há também a promessa de ser capaz de consegui-la. O que foi dito acima vem mais facilmente quando se fortalece a aderência à Torá e mitsvot [mandamentos] na vida diária. E não importa o quão satisfatório isso possa ser a qualquer tempo, sempre há espaço para aperfeiçoamento em todos os assuntos de bondade e santidade, Torá e mitsvot, que são infinitos, sendo derivados do Infinito. Na verdade, estou contente por notar que apesar das suas dúvidas, você dedica tempo e esforço para ser útil em seu campo, e que D’us conceda que seja com Hatzlocho (sucesso), especialmente por isso não interferir com períodos regulares de estudo diário de Torá. Nesta conexão, cabe lembrar as palavras do Alter Rebe, o fundador de Chabad, que verdadeiro Kviat Ittim (horários estabelecidos) para o estudo de Torá implicam não apenas no tempo, mas também na alma. Possa D’us conceder que você tenha boas notícias para relatar sobre o que foi dito acima. Desejando a você e todos os seus um Kesivo VeChasima Tovo [que você seja inscrito e selado para o bem], para um ano novo bom e doce, Com bênção, (Assinatura do Rebe) |
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| Sobrevivência
judaica Saudações e bênçãos Tenho em mãos sua carta. Por ser costume lembrar de alguém em oração citando o nome hebraico completo e o nome hebraico da mãe, solicito que me informe estes nomes na próxima vez em que me escrever. A respeito do assunto de sua carta, especificamente no que se refere ao seu sucesso ao defender sua tese, não ficou bem claro porque isso o deixou com um gosto amargo, como escreveu. Certamente você sabe que é procedimento usual criticar-se uma tese; na verdade, este é o propósito de cada defesa. Não é infrequente, também, que quando a tese recebe forte apoio, terá também fortes críticas. Finalmente, tenho certeza de que será uma fonte de satisfação para você que, apesar dos ataques à tese, você conseguiu superá-los e defendeu sua obra com sucesso. Com referência a sua dúvida sobre se você escolheu o caminho certo, etc., confio que você sabe os princípios básicos de nossos sábios, de abençoada memória, que o essencial é o ato que leva ao resultado prático. Similarmente, no seu caso, se você tomou o caminho certo ou não vai depender de como você utiliza sua graduação: se o faz em direção ao bem e ao sagrado, usando-a para iluminar seu ambiente – isto provará que está no caminho certo. Por outro lado, se suas qualificações e capacidades não forem utilizadas desta forma, ou são usadas em outra direção, a conclusão inevitável, com o devido respeito, será que então não é o caminho certo. Pois uma pessoa pode não ser um observador passivo em seu ambiente e sociedade, para não mencionar um fator negativo; ela tem um dever para com a sociedade de ser um agente positivo e ativo para aperfeiçoar seu ambiente. E todos têm a capacidade de fazê-lo, pelo menos num certo grau. Se o exposto acima é verdadeiro a respeito de qualquer ser humano, há um aspecto adicional e essencial no seu caso, como judeu. Considere: o povo judeu, cada membro dele, tem sempre se achado na situação ímpar de ser uma pequena minoria entre as nações, muitas das quais não eram amigáveis, e frequentemente hostis. Nesta circunstância desfavorável, a sobrevivência judaica tem sido sempre um problema e um desafio. Consequentemente, esta situação acarreta um dever especial e sagrado para cada judeu, homem e mulher, a fazer o máximo para fortalecer e assegurar a sobrevivência judaica. Entretanto, um judeu não deveria olhar este dever simplesmente como uma obrigação, mas sim vê-lo como sua missão privilegiada e divina neste mundo, através da qual o judeu atinge a plenitude. Além disso, isto não é algo que possa ser deixado à escolha do judeu, pois sua única escolha é se ele deseja, ou não deseja, cumprir seu dever; mas aquilo que é seu dever sagrado não é uma escolha sua, pois nasceu judeu. E tendo nascido judeu, chega a este mundo com um rico legado, que o equipa com capacidades especiais, privilégios especiais, e obrigações especiais. Não tem o direito de argumentar dizendo que não foi consultado, etc., pois, seja este argumento válido ou não, de forma alguma muda a realidade, da mesma maneira que a realidade para todo homem é que, visto que como alguém recebe da sociedade uma variedade de benefícios positivos, é obrigado a compensar a sociedade com seus melhores esforços. Retrucar dizendo que estas obrigações lhe foram impostas sem o seu consentimento, etc., não serve como desculpa para esquivar-se às responsabilidades. Sinto-me no dever de adicionar mais um aspecto. A sobrevivência de nosso povo judeu, e o impacto que isso tem em cada indivíduo, não é algo que deva ainda ser investigado e experimentado. O povo judeu é um dos mais antigos do mundo, e sua longa história como nação tem passado incólume por muitas condições e circunstâncias, a maioria desfavoráveis, conforme mencionado acima. Se alguém deseja saber o segredo da sobrevivência judaica sob circunstâncias que obliteraram nações maiores e mais poderosas, deve aplicar os mesmos métodos científicos que em outros casos. Em outras palavras, é necessário encontrar o fator, ou fatores, comuns, em todos os vários períodos da história judaica, o que teria que ser considerado como a base da sobrevivência judaica. Se forem encontrados dois ou três fatores, seria uma questão de se todos eles foram indispensáveis à sobrevivência, ou talvez apenas um ou dois teriam sido suficientes. Porém, se apenas um fator comum for encontrado, então não pode haver dúvida de que esta é a única base da sobrevivência. Isto, como mencionado acima, é a abordagem científica e não um problema de falta de fé. Além disso, como em todos os campos da ciência, não importa se alguém entende ou não as descobertas científicas. De fato, em ciências mais exatas, os fatos e fenômenos reais são primeiro verificados, somente então uma explicação científica é procurada. Voltando à longa história de nosso povo por um período de trinta e cinco séculos, vê-se que há apenas um fator que tem preservado a identidade e sobrevivência judaicas durante os vários períodos de nossa história. Este fator não foi o idioma, ou país, nem qualquer dos fatores que são normalmente associados com nacionalidade e nacionalismo; pois em todas estas coisas têm ocorrido mudanças radicais de um período a outro, como qualquer um que esteja familiarizado com a história judaica sabe. O único fator, e enfatizando, o único fator, que tem preservado nosso povo judeu através das eras, sob todos os tipos de circunstâncias, tem sido o cumprimento das mitsvot na vida cotidiana, como a observância do Shabat, vestir tefilin, e a educação de Torá ministrada às nossas crianças. Estas e todas as outras mitsvot já estão incorporadas na Torá e têm sido cumpridas pelos judeus desde a outorga da Torá no Monte Sinai, e têm sido observadas da mesma maneira no decorrer dos séculos, sem mudanças. Uma prova adicional de que este é o “segredo” da sobrevivência judaica, se alguma prova mais se faz necessária, é o fato de que sempre têm havido dissidentes; a própriaTorá relata que imediatamente após a outorga da Torá no Monte Sinai, houve os adoradores do Bezerro de Ouro. Similarmente, através do período dos Juízes, Profetas e Reis, bem como no período pós-bíblico do Segundo Bet Hamicdash, e mais tarde. Estes dissidentes tentaram tomar outro rumo, à parte do judaísmo tradicional, mas nunca puderam se enraizar dentro do povo judeu. Até mesmo estes que se desviaram acabaram por perceber seu equívoco e retornaram ao aprisco da observância da Torá e mitsvot, ou então foram completamente assimilados entre as nações do mundo, sem ter mais nada a ver com o povo judeu, menos ainda com a sobrevivência judaica. Baseado no princípio de que o principal é a ação, como foi citado antes, quero expor a conclusão prática dos pensamentos expressados nessa carta, isto é, que independentemente de como sua vida diária expressou-se no passado, é meu dever, visto que estabelecemos contato entre nós, mostrar-lhe que seu dever consigo mesmo, com o que o cerca e com nosso povo judeu como um todo, é ordenar sua vida em total concordância com a Torá e mitsvot na conduta diária. Desnecessário dizer, entendo que tais mudanças acarretam dificuldades e a desistência de várias coisas, mas certamente é um pequeno sacrifício em relação ao enorme privilégio de cumprir uma obrigação sagrada com nosso povo, em adição à sua obrigação com a comunidade judaica na qual vive com sua família. Possa D’us garantir que você tenha boas novas a dizer sobre tudo que foi discutido acima. Com estima e bênçãos, (Assinatura do Rebe) |
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| Tefilin:
A Proteção de um Soldado Correspondência de Rabi Menachem M. Schneerson Pela Graça de D'us, 11 de Nissan, 5714 (14 de abril de 1954) Brooklyn, NY Senhor.... Manchester, Inglaterra Saudações e bênção: Recebi sua carta e fiquei contente ao ler sobre o seu programa de estudos, e que você está fazendo progressos em Torá com Yirat Shomaim. Você menciona que está na força aérea, e estou incluindo aqui um pequeno folheto – uma mensagem do meu sogro. Envie-a a ele juntamente com minhas bênçãos para que ele se conduza segundo a Vontade de D'us e seja especialmente cuidadoso em colocar tefilin todos os dias da semana, então D'us o protegerá e o devolverá ao lar com segurança no devido tempo. Explique a ele que assim como um soldado precisa estar adequadamente equipado (com capacete, farda etc.) para proteção, e uma falha nessa disciplina não é uma ofensa contra si próprio mas também contra toda a companhia ou regimento cuja segurança é enfraquecida pela falha de um soldado, também é assim no caso de um judeu que tem “equipamento” especial ordenado por D'us, do qual tefilin é o mais importante, e não necessariamente apenas pela própria segurança, mas também em benefício de seus colegas. Você pode, é claro, citar-me nisto. Da mesma forma você deveria também dizer a ... que levar a vida segundo a Torá não é para o benefício de D'us, mas para o próprio benefício, pois é a única maneira de ter felicidade, material ou espiritualmente. Inclusa aqui está uma mensagem para as mulheres judias que certamente interessarão a ela. Dê a ela minhas bênçãos para sucesso em cumprir isto na vida. Desejando a você e a seus amigos um Pêssach feliz e casher. [Assinatura do Rebe] |
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| Teshuvá Erev Shabat-Codesh, Shabat Teshuvá 6 de Tishrei, 5739 (1978) Aos filhos e filhas de Nosso Povo Israel, em toda parte Saudações e bênção: … Teshuvá (arrependimento) permite a uma pessoa retificar por completo tudo aquilo que deveria ter sido atingido no decorrer do passado, em assuntos de Torá e mitsvot – "de uma 'vez' e “em um momento". Da mesma forma, não é preciso enfatizar que o acima não deve, D’us não o permita, servir como desculpa para agir erradamente, como advertiram Nossos Sábios: "Aquele que diz 'Pecarei e depois me arrependerei' – não recebe a oportunidade de fazer teshuvá." Em reflexão, pode-se ver facilmente que, no conjunto, o mundo contém mais quantidade (materialidade) que qualidade (espiritualidade), e muito mais. De fato, quanto mais corpórea e rude é alguma coisa, maior a quantidade em que é encontrada. Assim, por exemplo, o mundo em matéria inanimada (inorgânica) é muito maior em volume que o reino vegetal, e este quantitativamente é maior que o reino animal, que por sua vez, supera muito em quantidade o mais elevado dos quatro reinos, a raça humana (a criatura “falante"). Similarmente no corpo humano: as extremidades inferiores, as pernas, são maiores em tamanho que o restante do corpo, e este é muito maior que a cabeça, onde estão localizados os órgãos da fala e os sentidos do olfato, audição e visão, bem como o intelecto, que animam todo o corpo e dirigem todas as suas atividades. Refletindo-se melhor, uma pessoa poderia também ficar desencorajada, D’us não o permita, perguntando-se como poderia cumprir adequadamente seu verdadeiro propósito na terra, que é, para citar Nossos Sábios, "Eu fui criado para servir meu Criador" – vendo que a maior parte do tempo é necessariamente ocupada com coisas materiais, como beber e comer, dormir, ganhar o sustento, etc. E também com o fato de que os primeiros anos de vida de um ser humano, antes de atingir a maturidade e a sabedoria, são passados de maneira inteiramente materialista. A resposta é, antes de mais nada, que mesmo a assim chamada preocupação com a vida diária não deve se tornar puramente materialista e semelhante a de um animal, pois temos de estar sempre conscientes do imperativo: "Deixe todos seus afazeres em mérito do Céu", e "Conheça-O em todos os seus caminhos." Isso significa que também ao cumprir as atividades conectadas com os aspectos físicos e materiais da vida (os quais, como foi mencionado, ocupam a maior parte do tempo de uma pessoa) um ser humano deve saber que aqueles aspectos materiais não são um fim em si mesmos, mas são, e devem servir, como o meio para chegar ao reino mais elevado e espiritual da vida, ou seja, aspectos físicos com conteúdo espiritual, e utilizá-los para um propósito espiritual. Assim, todos estes assuntos mundanos e triviais são elevados a seu papel adequado: perfeição e espiritualidade. Além do acima, há também a excepcional efetivação da teshuvá, que tem o poder de transformar "De uma 'vez' e em um momento" – todo o passado – sua própria materialidade em espiritualidade. O tempo, evidentemente, não é medido simplesmente pela duração, mas por seu conteúdo em termos de realização. Assim, ao avaliar o tempo há grandes diferenças em termos de conteúdo, e a partir daí, em valor real, de um minuto, uma hora, etc. Basta mencionar como exemplo que não se pode comparar uma hora de prece e expressão da alma perante D’us com uma hora de sono. E para usar a analogia das moedas, podem existir moedas de tamanho e formato idênticos, porém diferentes em valor intrínseco, dependendo do fato de serem feitas de cobre, prata ou ouro. Com todas as maravilhosas oportunidades que D’us fornece a uma pessoa para preencher este tempo com o conteúdo mais elevado, há o presente mais maravilhoso do "D’us que opera maravilhas" da extraordinária qualidade da teshuvá, que transcende todas as limitações, incluindo as de tempo, para que "em um momento" ele transforme todo o passado, até o grau de absoluta perfeição em qualidade e espiritualidade. O Todo Poderoso também ordenou ocasiões especialmente favoráveis para teshuvá, ao fim de cada ano e no início do ano novo, juntamente com a certeza de que todos que resolverem fazer teshuvá – possa fazê-lo "em um momento". Assim, a pessoa transforma a quantidade da materialidade do passado em qualidade meritória, espiritualidade e santidade. Ao mesmo tempo, prepara-se para o futuro, no ano vindouro e depois dele, de maneira adequada. Isso é conseguido por meio de Torá e mitsvot na vida diária, elevando-se assim, e ao ambiente em geral, ao mais alto grau possível de espiritualidade e santidade, tornando este mundo material uma morada adequada para D’us, bendito seja. Possa D’us conceder que todos que se esforçarem ativamente pelo acima, de acordo com a prece da Profetisa Chana, que lemos no primeiro dia do Ano Novo: "Meu coração se rejubila em D’us, minha força é elevada por meio de D’us… Eu me rejubilo em Sua ajuda… e Ele exaltará o reino de Seu Mashiach." Com bênção para o sucesso em tudo e para um Chasimoh uGmar Chasimoh Toivoh (selado e completamente selado para o bem), tanto material quanto espiritualmente. (Assinatura do Rebe) |
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| Tsedacá,
mitsvot e Torá Rosh Chôdesh Kislev, 5740 (1979) Saudações e Benção: Recebi sua carta de 24 de Cheshvan. Em resposta às suas perguntas, na ordem em que as escreve: Enquanto se doa para tsedacá (caridade) para causas judaicas, é desejável ou opcional fazer caridade também para não-judeus necessitados? Em geral, obviamente, você está certo de que isso não somente é permitido, como também desejável. De fato, nossos Sábios do Talmud decretaram que não-judeus pobres deveriam ser ajudados juntamente com judeus pobres (Gittin 61a). Quanto à proporção em que tal caridade deveria ser distribuída, especialmente sob determinadas condições, esta é uma sheela (questão) sobre a qual você deveria consultar uma autoridade rabínica em sua comunidade, pois cada situação precisava ser considerada por seus próprios méritos. Quanto a sua segunda pergunta, – segunda apenas na sua carta, mas certamente primeira em importância – sobre o progresso do Yiddishkeit (Judaísmo), deve-se ter em mente que a abordagem fundamental em assuntos de Torá e mitvsot é que a costumeira abordagem "racional" às coisas seria "irracional" no caso de Torá e mitsvot, que estão essencialmente além da total compreensão humana, sendo Divinos por natureza. Em outras palavras, a compreensão anterior dos Divinos preceitos não deve ser uma condição de seu cumprimento, o Naassê ("fazer") deve vir antes de ve Nishma ("entender"). Além disso, o real cumprimento das mitvsot torna mais fácil entendê-las subseqüentemente. Para ilustrar: não se espera que uma criança pequena entenda o modo de pensar de um professor, embora ambos sejam seres humanos e as diferenças entre eles seja apenas relativa em termos de tempo e educação, e seja possível até que um dia a criança supere o professor em conhecimento e sabedoria. Mas a diferença entre um ser humano criado e o Criador é, evidentemente, absoluta e incomparável, em qualquer maneira ou grau. Mencionarei ainda um ponto, ou seja, que embora um ser humano não possa prever o futuro, e com freqüência não tenha conhecimento completo nem mesmo dos eventos anteriores numa situação específica, a avaliação humana de qualquer acontecimento que vê não pode ser perfeita sem ter conhecimento completo de todas as causas e efeitos. Aqui, também, há uma ilustração simples: se uma pessoa, que não tem qualquer conhecimento sobre a função de um hospital, entrasse na sala de operações, onde vê alguém amarrado e inconsciente na mesa de operações, cercado por pessoas que o estão cortando, ele pensará que aquele é um grupo de assassinos sádicos. Mas ele faz um juízo diferente quando lhe explicam que aquelas pessoas são cirurgiões que estão removendo algum corpo estranho ou cuidando de um ferimento, com o objetivo de curar o paciente e restaurar sua saúde. É difícil explanar este assunto numa carta, e se você ainda deseja mais esclarecimentos, certamente pode discuti-lo com as pessoas com quem está em contato para assuntos de estudo de Torá e Yiddishkeit. Com bênção, (Assinatura do Rebe) |
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