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IRENA SENDLER foi
homenageada esta semana por ter salvado a vida de 25000 crianças
judias durante o holocausto.
Heroína desconhecida fora da Polônia e apenas reconhecida
no seu país por poucos historiadores devido ao obscurantismo comunista
que havia apagado sua façanha dos livros de história oficiais,
Irena nunca contou a ninguém sobre sua vida durante aqueles anos.
Em 1999 sua história começou a ser conhecida graças
a um grupo de alunos de Kansas através de um trabalho de conclusão
de curso sobre os Heróis do Holocausto. Na pesquisa encontraram
poucas referências sobre Irena com um dado surpreendente: 2.500
vidas foram salvas por ela. Como era possível não existir
informação sobre uma pessoa assim? Mas a maior surpresa
viria depois. Ao investigarem o local do túmulo de Irena descobriram
que nunca existiu porque ela estava viva. Hoje aos 97 anos reside em um
asilo em Varsóvia num quarto cercado de flores e cartões
de agradecimento de sobreviventes e filhos destes em sua honra.
Quando a Alemanha invadiu o pais em 1939, Irena era enfermeira no Departamento
de Bem-estar Social de Varsóvia, onde cuidava das refeições
comunitárias. Desde o outono de 1940, Irena Sendler assumiu riscos
consideráveis para levar alimentos, roupas e remédios aos
habitantes do gueto que os ocupantes nazistas instalaram num quarteirão
da capital. Em 4 km2, eles colocaram 500.000 pessoas. Ao assistí-los
no Gueto de Varsóvia Irena, horrorizada pelas condições
de vida impostas a seus moradores. Devido à falta de comida, muitos
morreram de fome ou em decorrência de doenças. Os outros
foram mandados para as câmaras de gás do campo de Treblinka.
No fim do verão de 1942, ela resolveu unir-se ao movimento de resistência
Zegota (Conselho de Ajuda aos Judeus) criado por um grupo de resistência
heróica antes de o exército nazista destruir completamente
o quarteirão.
Como os alemães receavam uma epidemia de tifus aceitavam a ajuda
dos poloneses para controlar a situação e os deixavam tomar
conta do local. Irena fazia contato com as famílias oferecendo
ajuda para levar filhos e netos com ela para fora do Gueto. Era um dos
momento mais dolorosos de sua experiência; deveria obter a confiança
dos pais e convencê-los a entregar-lhe seus filhos. Era indagada:
“Pode prometer que meu filho viverá?.....” E a única
coisa que poderia dar como certa é a de que morreriam se permanecessem
ali. O mais duro era o momento da separação.
Começou a tiráa-los em ambulâncias como vítimas
de tifus, e se valia de todos os meios e de tudo o que estivesse ao seu
alcance para escondê-los e tira-los dali: cestas de lixo, sacos
de batatas, malas, etc. Em suas mãos, qualquer coisa se transformava
numa via de escape. Conseguiu recrutar ao menos uma pessoa de cada um
dos dez centros do Departamento de Bem-estar Social. Com a ajuda dessas
pessoas elaborou centros de documentos falsos, com assinaturas falsificadas,
dando identidade temporária às crianças judias. Irena
vivia os tempos da guerra pensando nos tempos da paz. Era incansável.
Queria que um dia pudessem recuperar seus verdadeiros nomes, sua identidade,
suas histórias pessoais e suas famílias. Foi quando inventou
um arquivo que registrava os nomes dos meninos com suas novas identidades.
Anotava os dados em pedaços de papel que enterrava, dentro de potes
de conserva, debaixo de uma maciera, no jardim do seu vizinho.
Algumas vezes quando Irena e suas companheiras retornavam a estas famílias
a fim de persuadi-las era informada que todos haviam sido foram levados
aos campos de extermínio. Cada vez que isso ocorria, ela lutava
com mais força para salvá-las.Quando caminhava pelas ruas
do gueto, Sendler usava uma braçadeira com a Estrela de David,
em solidariedade aos judeus, e afim de não chamar a atenção.
Um dia os nazistas acabaram descobrindo suas atividades e a levaram à
prisão. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de
inúmeras torturas. Queriam que delatasse quem eram seus colaboradores
e os nomes das crianças que ajudara a salvar. Por não revelar
absolutamente nada, em total silêncio, foi sentenciada a morte.
Irena era a única pessoa que sabia os nomes e onde se encontravam
as famílias que abrigaram as crianças judias. A caminho
de sua execução, o soldado que a levava a deixou escapar.
Embora oficialmente ela constasse nas listas dos executados, a resistência
havia subornado o soldado salvando a vida de Irena. Ela mesma desenterraria
os vidros com as anotações e tentaria unir os 2500 meninos
que colocou
com famílias adotivas devolvendo-os a suas verdadeiras famílias.
Infelizmente, a maioria tinha perdido seus pais e irmãos nos campos
de concentração nazista.
O pai de Irena, um médico que falecera de tifus quando ainda pequena,
lhe fez memorizar o seguinte: “Ajude sempre a quem estiver se afogando,
sem levar em conta a sua religião ou nacionalidade. Ajudar cada
dia alguém tem de ser uma necessidade que saia do coração.”
Os meninos só a conheciam pelo apelido: Jolanta.
Anos mais tarde, quando a sua história saiu num jornal com sua
foto antiga, diversas pessoas entraram em contato: “Lembro de seu
rosto... sou um daqueles meninos, lhe devo a minha vida, meu futuro, e
gostaria de vê-la!”
Irena vive há anos numa cadeira de rodas pelas lesões e
torturas impostas pela Gestapo.
Não se considera uma heroína e jamais reivindicou crédito
por suas ações: “Poderia ter feito mais” e completa:
“Este lamento me acompanhará até o dia de minha morte!”
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