Ameaça maior à sobrevivência judaica:
assimilação ou anti-semitismo?
 
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  Por Aron Moss
 

A maior ameaça à sobrevivência judaica é a identidade judaica confusa. Infelizmente, em muitas famílias e escolas judaicas, a identidade judaica é construída através de ensino sobre o Holocausto e temor de casamentos mistos. A preocupação da comunidade judaica com a assimilação e o anti-semitismo não é a solução, é o problema.

Uma apresentação negativa e pessimista de ser judeu desencoraja os jovens mais que qualquer outra coisa. Quando nos tornamos obcecados com o anti-semitismo, nos tornamos eternas vítimas. Quando enfatizamos demais a ameaça da assimilação, isso nos faz sentir como espécies em risco de extinção. Os judeus estão lado a lado com a baleia branca e o panda gigante na lista de comunidades indefesas e dignas de pena, desaparecendo do planeta. É de se surpreender que judeus jovens estejam optando por sair do Judaísmo? Quem deseja ser uma vítima?

Temos de parar de nos definir pela maneira que os outros nos enxergam. A assimilação é quando os não-judeus nos amam tanto que desejam se casar conosco. O anti-semitismo é quando os não-judeus nos odeiam tanto que querem nos matar. Ambos acontecem conosco; mas o que pensamos sobre nós mesmos?


Idéias judaicas ousadas precisam de judeus ousados para perpetuá-las.

Precisamos de um motivo claro e positivo para permanecermos judeus. Se isso faltar, por que o Judaísmo deveria sobreviver? Existe um bom argumento para não assimilar nas sociedades que nos cercam e nos recebem bem? Há uma forte razão para continuar orgulhosamente judeu em face do anti-semitismo?

Creio que há.

O Judaísmo é a idéia mais poderosa que o mundo jamais viu. Os judeus devem sobreviver porque têm uma mensagem que o mundo precisa ouvir. O estilo de vida judaico é uma força revolucionária que pode transformar vidas comuns em vidas significativas. Uma família que guarda o Shabat é sempre lembrada daquilo que é realmente importante – que há mais na vida que acumular riquezas. As leis casher nos ensinam que não somos meros animais que devem alimentar cada anseio e desejo, e que até o ato de comer pode ser sagrado. Uma mezuzá sobre a porta diz ao mundo que este lar é construído para um propósito mais elevado.

O Judaísmo ensina lições que o mundo precisa aprender urgentemente – que todo indivíduo é criado à imagem de D'us, e portanto é único e valioso; que a moralidade não é relativa, mas absoluta; que os seres humanos são parceiros de D'us na criação, com uma missão de criar o céu na terra.

Estas ousadas idéias judaicas são mais relevantes agora do que nunca. Porém idéias judaicas ousadas precisam de judeus ousados para perpetuá-las. O mundo somente pode ser elevado se primeiro os indivíduos se elevarem. Podemos apenas transformar o mundo num lar Divino se começarmos em nosso próprio lar. Esta é a fórmula do Judaísmo para mudar o mundo para melhor. É por isso que devemos continuar judeus.

A maior ameaça ao Judaísmo não é a pressão externa, mas sim a confusão interna. Quando perdemos de vista a nossa missão, perdemos a força e a energia para sobreviver. O sentimento judaico que precisamos desenvolver em nós mesmos e em nossos filhos não é o temor ao anti-semitismo, ou culpa sobre a assimilação. É um orgulho humilde pela grandeza da missão judaica e a resolução confiante de cumpri-la. Quando somos claros sobre a nossa identidade, nenhuma ameaça no mundo pode nos abalar.

       
   
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