Milhares de judeus formavam uma fila na frente do Consulado Japonês em Kaunas, em 1939 e 1040, esperando receber vistos de trânsito que lhes permitisse escapar para o Leste e para os Estados Unidos ou Palestina.  
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  Os Sobreviventes de Sugihara  
  Por Eric Saul
 

“Se você salva a vida de uma pessoa, é como se tivesse salvado o mundo inteiro.”

Provérbio Judaico

Chiune (Sempo) Sugihara, o cônsul oficial japonês na Lituânia, salvou o segundo maior número de judeus no Holocausto. Ele emitiu mais de 2.000 vistos para refugiados poloneses. Isso resultou em salvar mais de 6.000 vidas. Estima-se que se os filhos e netos das pessoas salvas por Sugihara fossem computadas, haveria mais de 40.000 pessoas em todo o mundo que devem a vida a Sugihara.

No decorrer da história humana, muitas pessoas têm sido testadas, mas poucas tiveram o altruísmo para atingir a verdadeira grandeza.

No decorrer da história humana, muitas pessoas têm sido testadas, mas poucas tiveram o altruísmo para atingir a verdadeira grandeza. Esta é a história de um homem e sua esposa que, quando confrontados pelo mal, escolheram obedecer a D'us e desafiar as ordens de um governo indiferente. Essas pessoas foram Chiune e Yukiko Sugihara que, no início da Segunda Guerra, num supremo ato de heroísmo e auto-sacrifício, arriscaram a carreira, seu sustento e seu futuro para salvar a vida de mais de 6.000 judeus, Este alto altruísta resultou no segundo maior número de judeus resgatados dos nazistas.

A Compaixão do Cônsul Geral Sempo Sugihara

Em março de 1939, o Cônsul Geral do Japão Chiune Sugihara foi enviado a Kaunas para abrir um serviço de consulado. Kaunas era a capital temporária da Lituânia na época e estava situada estrategicamente entre a Alemanha e a União Soviética. Após Hitler invadir a Polônia em 1 de setembro de 1939, a Grna-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha. Chiune Sugihara mal tinha se instalado em seu novo posto quando os exércitos nazistas invadiram a Polônia e uma onda de refugiados judeus fugiu para a Lituânia. Levaram com eles horripilantes relatos das atrocidades alemãs contra a população judaica.

Escaparam da Polônia sem posses nem dinheiro, e a população judaica local fez o possível para ajudá-los com dinheiro, roupas e abrigo. Antes da guerra, a população de Kaunas consistia de 120.000 habitantes, dos quais um quarto era de judeus. A Lituânia, na época, tinha sido um enclave de paz e prosperidade para os judeus. A maioria dos judeus lituanos não percebia nem acreditava totalmente na extensão do Holocausto nazista que estava sendo perpetrado contra os judeus na Polônia. Os refugiados judeus tentavam explicar que estavam sendo assassinados às dezenas de milhares. Quase ninguém acreditou neles. Os judeus lituanos continuavam levando vidas normais.

Nas duas últimas décadas de sua vida, Chiune trabalhou como gerente de uma empresa de exportacão com negócios em Moscou. Este foi o seu destino por que ele ousou salvar milhares de seres humanos da morte certa.As coisas começaram a mudar para pior em 15 de junho de 1940, quando os soviéticos invadiram a Lituânia. Agora já era tarde demais para os judeus lituanos partirem para o Leste. Ironicamente, os soviéticos permitiam que os judeus poloneses continuassem a emigrar da Lituânia através da União Soviética se conseguissem obter determinados documentos de viagem. Em 1040, a maioria da Europa Ocidental já tinha sido conquistada pelos nazistas, exceto a Grã-Bretanha. O restante do mundo livre, com pouquíssimas exceções, barravam a imigração de refugiados judeus da Polônia ou de qualquer outro lugar da Europa ocupada pelos nazistas.

Contra este terrível cenário, o cônsul japonês Sugihara de repente tornou-se vital num plano desesperado pela sobrevivência. O destino de milhares de famílias dependiam de sua humanidade. Os alemães estavam avançando rapidamente rumo ao leste. Em julho de 1940, as autoridades soviéticas instruíram todas as embaixadas estrangeiras a deixar a cidade de Kaunas. Quase todos partiram imediatamente, mas Chiune Sugihara pediu e recebeu uma extensão de 20 dias de prazo.

Exceto pelo Sr. Jan Zwartendijk, o cônsul holandês, Chiune Sugihara era agora o único cônsul estrangeiro que restara na capital lituana. Eles tinham muito trabalho a fazer.

A Conexão Holandesa
Era verão, e o tempo estava se esgotando para os refugiados. Hitler rapidamente apertava sua rede ao redor da Europa Oriental. Foi então que alguns dos refugiados poloneses criaram um plano que oferecia a última chance para a liberdade. Eles descobriram que as duas ilhas coloniais holandesas, Curaçao e Guiana Holandesa (agora conhecida como Suriname), situadas no Caribe, não exigiam vistos formais de entrada. Além disso, o cônsul holandês honorário, Jan Zwartendijk, disse-lhes que tinha conseguido permissão para carimbar os passaportes deles com permissão de entrada.

Restava um obstáculo importante. Para seguir rumo àquelas ilhas, os refugiados precisavam passar através da União Soviética. O cônsul soviético, que era simpático à provação dos refugiados, concordou em deixá-los passar com uma condição: além da permissão holandesa de entrada, eles teriam de obter também um visto de trânsito dos japoneses, pois teriam de passar pelo Japão a caminho das ilhas holandesas.

A Opção de Sugihara

Numa manhã de verão em julho de 1940, o Cônsul Sempo Sugihara e sua família acordaram com uma multidão de refugiados judeus poloneses do lado de fora do consulado. Desesperados para fugir dos nazistas que se aproximavam, os refugiados sabiam que sua única rota de fuga seria o leste, se o cônsul Sugihara lhes concedesse vistos japoneses de trânsito, eles poderiam obter vistos de saída soviéticos e correr para a possível liberdade. Sempo Sugiraha ficou comovido pela dificuldade deles, mas não tinha a autoridade para emitir centenas de vistos sem permissão do Ministério do Exterior em Tóquio.

Chiune Sugihara enviou telegramas por três vezes pedindo permissão para emitir vistos para os refugiados judeus. Três vezes recebeu uma negativa. O cônsul japonês em Tôquio respondeu:

A RESPEITO DOS VISTOS DE TRÂNSITO PEDIDOS PREVIAMENTE PONTO ACONSELHO A NÃO EXPEDIR QUALQUER VISTO PARA VIAJANTE NEM EMPRESA COM PARTIDA GARANTIDA DO JAPÃO PONTO SEM EXCEÇÕES PONTO NÃO ESPERAMOS MAIS PEDIDOS PONTO ASSINADO K TANAKA MINISTRO DO EXTERIOR TÓQUIO

“A vida humana é muito importante. Ser virtuoso na vida também é muito importante. “Meu marido e eu conversamos sobre os vistos antes de emiti-los. Entendemos que tanto o governo japonês quanto o alemão discordam das nossas ideias, mas apesar disso fomos em frente.”

Yukiko Sugihara, esposa de Chiune Sugihara

Após receber repetidas respostas negativas de Tóquio, o cônsul discutiu a situação com sua esposa e filhos. Sugihara tinha uma decisão difícil a tomar. Ele era um homem que fora criado na severa e tradicional disciplina dos japoneses. Era um diplomata de carreira que de repente tinha de fazer uma escolha muito difícil. Por um lado, estava atado pela tradicional obediência que lhe fora ensinada durante toda a vida. Por outro lado, era um samurai que tinha aprendido a ajudar aqueles que estivessem em necessidade. Sabia que se desafiasse as ordens de seus superiores, poderia ser demitido e cair em desgraça, e talvez jamais pudesse trabalhar novamente para o governo japonês. Isso resultaria em enorme dificuldade financeira para sua família no futuro.

Chiune e sua esposa Yukiko temiam até pelas próprias vidas e pelas vidas dos filhos, mas no final. somente poderiam seguir sua consciência. Os vistos seriam assinados.

Durante 29 dias, de 31 de julho a 28 de agostode 1940, o Sr. e a Sra. Sugihara se sentaram durantes horas intermináveis escrevendo e assinando vistos à mão. Escreviam cerca de 300 vistos por dia, o que normalmente seria um mês de trabalho para o cônsul. Yukiko também o ajudava a registrar estes vistos. Ao final do dia, ela massageava as mãos cansadas do marido. Ele não parava nem mesmo para comer. A esposa o supria de sanduíches, Sugihara optou por não perder um minuto porque as pessoas estavam de pé na fila em frente ao consulado dia e noite esperando pelos vistos. Quando algumas pessoas começaram a subir pelo muro da residência, ele saiu para acalmá-las e assegurar que ele faria o melhor para ajudar a todos. Centenas de aplicantes se tornaram milhares, enquanto ele trabalhava para garantir o máximo possível de vistos antes de ser forçado a fechar o consulado e deixar a Lituânia. O cônsul Sugihara continou a emitir documentos da janela do trem até o momento em que o trem deixou Kovno rumo a Berlim em 1 de setembro de 1940. E quando o trem deixou a estação, Sugihara deu o carimbo de visto do cônsul a um refugiado que poderia usá-lo para salvar ainda mais judeus.

Ele foi assombrado pelas palavras do velho ditado samurai: “Nem mesmo um caçador pode matar um pássaro que voa na direção dele em busca de refúgio.”Após receber os vistos, os refugiados não perdiam tempo em embarcar em trens que os levariam a Moscou, e então pela ferrovia Transiberiana até Vladivostok. Dali, a maioria continuou até Kobe, no Japão. Receberam permissão de ficar em Kobe por vários meses, e então foram enviados a Xangai, na China. Cerca de seis mil refugiados conseguiram chegar ao Japão, China e outros países nos meses seguintes. Eles tinham escapado do Holocausto. Por meio de uma estranha virada na história, eles deviam a vida a um homem japonês e sua família. Tinham se tornado os Sobreviventes de Sugihara.

Apesar da sua desobediência, o governo considerou útil a vasta capacidade de Sugihara durante o restante da guerra. Mas em 1945, o governo japonês sem cerimônia despediu Chiune Sugihara do serviço diplomático. Sua carreira como diplomata estava arruinada. Ele teve de começar a vida a partir do zero. Tendo sido antes um astro no serviço exterior japonês, Chiune Sugihara a princípio conseguiu trabalhar apenas como tradutor e intérprete de meio-período. Nas duas últimas décadas de sua vida, ele trabalhou como gerente de uma empresa de exportacão com negócios em Moscou. Este foi o seu destino porque ele ousou salvar milhares de seres humanos da morte certa.

O Milagre de Chanucá em 1939
Os feitos de um herói são muitos e complexos, mas a fatídica decisão de Sugihara de arriscar sua carreira pode ter sido influenciada por um simples ato de bondade de um menino com 11 anos de idade, Ele morava com sua família na Lituânia, e seu nome era Zalke Jenkins (Solly Ganor).

Solly Ganor era filho de um refugiado menshevik da revolução russa no início dos anos de 1920. Após a revolução russa a família mudou-se para Kaunas, Lituânia. A família prosperou durante anos antes da Segunda Guerra, com importação e exportação têxtil. O jovem Solly Ganor, preocupado com os judeus poloneses entrando em Kaunas, deu a maior parte da sua mesada e economias para os refugiados judeus. Tendo doado todo seu dinheiro, ele foi até a loja de alimentos de sua tia Anushka em Kaunas. Foi até lá para pedir emprestado um lit (dólar lituano) para assistir ao mais recente filme de Laurel e Hardy (O Gordo e o Magro). Na loja da tia ele conheceu o cônsul japonês Chiune Sugihara. O cônsul entreouviu a conversa e deu ao jovem Solly dois lits reluzentes.

Impulsivamente, o garoto convidou o cônsul de olhos bondosos para a celebração de sua família da primeira noite de Chanucá de 1939.

O cônsul, surpreso e deliciado, aceitou com gratidão a oferta do menino, e ele compareceu com a esposa Yukiko à sua primeira celebração de Chanucá.

O Sr. Sugihara comentou sobre a união das famílias judaicas e como isso o lembrava de sua família, e de festas japonesas semelhantes. Cinquenta e quatro anos depois, a Sra. Sugihara se lembra dos bolos, biscoitos e sobremesas oferecidos a eles na festa judaica das luzes.

Solly Ganor e seu pai logo fizeram amizade com o cônsul geral e conversavam em russo. Mais tarde Solly e seu pai testemunharam Sugihara em seu escritório chamando os funcionários russos para conseguir permissão de emitir vistos para cruzar as fronteiras russas. Solly Ganor e seu pai mais tarde receberam vistos de Sugihara, mas não puderam usá-los porque eram cidadãos soviéticos.

A maior parte da família Ganor foi morta no Holocausto. A irmã de Solly, Fanny e a Tia Anushka sobreviveram à guerra. Tia Anushka retornou à Lituânia e faleceu em 1969. Fanny casou-se com Sam Skutelsky de Riga, e mudou-se para os Estados Unidos. O filho deles, Robert, único sobrinho vivo de Solly, agora mora em Boulder, Colorado.

Solly e seu pai passaram mais de dois anos no Gueto de Kauna antes de serem deportados para Landsberg-Kaufering, campos de Dachau no final de 1944. Sobreviveram à guerra e mudaram-se para Israel. O pai faleceu pacificamente em Tel Aviv em 1966.

Ironicamente, em maio de 1945, Solly Ganor foi libertado por soldados japoneses americanos do 522 Batalhão de Artilharia de Campo, homens que tinham sido alistados em seu próprio país.

Para Solly, a face japonesa passou a simbolizar bondade e libertação.

Quem foi Chiune Sugihara?

Durante meio século as pessoas têm perguntado: “Quem foi Chiune Sugihara?”

Elas também têm perguntado: “Por que ele arriscou a carreira, a sorte e a vida da família para emitir vistos para refugiados judeus na Lituânia?” Estas não são perguntas fáceis de responder, e talvez não haja um conjunto de respostas que satisfaça nossa curiosidade.

Chiune gostava de dizer: “Posso ter precisado desobedecer ao meu governo, mas se não o fizesse, estaria desobedecendo a D'us.”Chiune (Sempo) Sugihara sempre fez as coisas à sua própria maneira. Nasceu em 1 de janeiro de 1900. Graduou-se no Ensino Médio com notas altas e seu pai insistia para que se tornasse médico. Mas o sonho de Chiune era estudar literatura e morar no exterior. Sugihara freqüentou a famosa Universidade Waseda para estudar Inglês. Pagou pela própria educação trabalhando meio-período como estivador e tutor.

Um dia ele viu um anúncio classificado. O Ministro do Exterior estava procurando pessoas que desejassem estudar fora e poderiam estar interessadas na carreira diplomática. Ele passou no difícil exame de admissão e foi enviado para o Instituto de Língua Japonesa em Harbin, na China. Estudou russo e graduou-se com honras. Também converteu-se ao Cristianismo Grego Ortodoxo. A natureza cosmopolita de Harbin, na China lhe abriu os olhos para entender como o mundo é diverso e interessante.

Trabalhou também na Manchúria, controlada pelo governo japonês, ao norte da China. Mais tarde foi promovido a Vice-Ministro do Departamento de Assuntos Externos. Logo estava cotado para ser o Ministro de Assuntos Estrangeiros na Manchúria.

Na Manchúria, ele negociou a compra do sistema de ferrovias, então dos russos, pelos japoneses. Isso economizou milhões de dólares ao governo japonês, e enfureceu os russos.

Sugihara ficava incomodado pela política de seu governo e pelo tratamento cruel que davam aos chineses. Ele renunciou ao cargo como protesto em 1934.

Em 1938 Sugihara foi colocado no escritório diplomático japonês em Helsinki, Finlândia. Com a Segunda Guerra surgindo no horizonte, o governo japonês enviou Sugihara à Lituânia para abrir um consulado em 1939. Ali ele faria relator sobre os planos de guerra dos soviéticos e alemães. Seis meses depois, a guerra irrompeu e a União Soviética anexou a Lituânia. Os soviéticos ordenaram que todos os consulados fossem fechados. Foi nesse contexto que Sugihara enfrentou os pedidos de milhares de judeus poloneses fugindo da Polônia ocupada pelos alemães.

Sugihara, o Homem/Samurai
A história pessoal de Sugihara e seu temperamento contêm a chave do motivo para desafiar as ordens do governo e emitir os vistos. Sugihara herdou a personalidade da mãe. Ele pensava sobre si mesmo como bom, gentil e artístico. Estava interessado em ideias novas, religião, filosofia e linguagem. Queria conhecer o mundo e ver tudo que havia, sentir o mundo. Tinha um forte senso do valor da vida humana. Seus talentos para idiomas mostram que estava sempre interessado em aprender mais sobre outros povos.

Sugihara era um homem humilde e discreto. Era altruísta, modesto e tinha um grande senso de humor. Yukiko, sua esposa, dizia que ele achava difícil disciplinar os filhos quando eles se comportavam mal. Ele nunca perdia a calma.

Sugihara também foi criado no estrito código de ética de uma família samurai da virada do século. As virtudes cardeais de sua sociedade eram oya koko (amor à família), kodomo no tamene (em prol das crianças), ter gidi e on (dever e responsabilidade, ou obrigação de pagar uma dívida), gaman (ocultar as emoções), gambate (força e recursos interiores), e haji no kakete (não trazer vergonha para a família), Essas virtudes foram fortemente inculcadas pela classe média rural samurai da família de Chiune.

Foi preciso uma enorme coragem para Sugihara desafiar a ordem de seu pai para tornar-se médico, e em vez disso seguir seu caminho acadêmico. Foi preciso coragem para deixar o Japão e estudar no exterior. Foi preciso ser um japonês muito moderno e liberal para casar-se com uma caucasiana (sua primeira mulher; Tomoko foi a segunda) e converter-se ao Cristianismo. Foi preciso ainda mais coragem para opor-se abertamente às politicas militares japonesas de expansão nos anos de 1930.

Assim, Sempo Sugihara não era um japonês comum, e não era um homem comum. Na época em que ele e sua esposa Yukiko pensaram sobre a provação dos refugiados judeus, ele foi assombrado pelas palavras do velho ditado samurai: “Nem mesmo um caçador pode matar um pássaro que voa na direção dele em busca de refúgio.”

Um Tributo Final; Justo Entre as Nações

Hoje, mais de 50 anos após aqueles fatídicos 29 dias em julho e agosto de 1940, deve haver mais de 40.000 pessoas que devem a vida a Chiune e Yukiko Sugihara. Houve duas gerações após os sobreviventes originais de Sugihara, todos devendo a existência a um homem modesto e sua família. Depois da guerra, Sugihara jamais mencionou ou falou a ninguém sobre seus feitos extraordinários. Foi somente em 1969 que Sugihara foi encontrado por um homem que ele tinha ajudado a salvar, o Sr. Yehoshua Nishri. Logo, centenas de outros que ele tinha salvo se apresentaram e testemunharam ao Yad Vashem (Memorial do Holocausto) em Israel sobre seus atos de coragem que salvaram vidas.

Após coletar testemunhos de todos pelo mundo, Yad Vashem percebeu a enormidade do sacrifício deste homem para salvar judeus. E assim em 1985 ele recebeu a mais alta honraria de Israel, foi reconhecido como “Justo Entre as Nações” pela Autoridade de Lembrança dos Mártires Yad Vashem em Jerusalém.

Na época, idoso e próximo da morte, ele estava doente demais para viajar a Israel. Sua esposa e filho receberam a homenagem por ele. Além disso, foi plantada uma árvore em seu nome no Yad Vashem, e um parque em Jerusalém foi nomeado em sua honra.

Quarenta e cinco anos após assinar os vistos, perguntaram a Chiune por que o fez. Ele gostava de dar dois motivos: “Eram seres humanos e precisavam de ajuda,” disse ele, “Estou contente por ter encontrado força para tomar a decisão de dar ajuda a eles.”

Sugihara era um homem religioso e acreditava num D'us universal de todos os povos. Ele gostava de dizer: “Posso ter precisado desobedecer ao meu governo, mas se não o fizesse, estaria desobedecendo a D'us.”

O Cônsul Chiune Sugihara, 86 anos, faleceu em 31 de julho de 1986. A Sra. Yukiko Figihara completou 88 anos em 17 de dezembro de 2001, em Fujisawa, Japão.

       
  Estes princípios estão baseados nos textos sagrados da Torá, do Talmud e da Lei Judaica, com os comentários dos Rebes de Chabad em referência ao Holocausto.
       
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