| Porção
Semanal: Matot e Mass'ê |
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| Matot tem início com uma discussão das leis a respeito de nedarim, promessas, e shevuot, juramentos. A Torá então descreve a batalha e a vitória do povo judeu contra Median, seguido por uma narrativa detalhada da distribuição dos despojos de guerra. Em antecipação da chegada à Terra de Israel, as tribos de Reuven e Gad adiantam-se para requisitar que sua herança esteja na margem leste do Rio Jordão, ao invés de na Terra Santa propriamente dita, pois a margem leste seria mais apropriada para seu imenso rebanho. Após alguma discussão, Moshê concorda, mas apenas com a condição de que eles ajudem o restante da nação na conquista de toda a Terra de Israel, antes de voltarem a estabelecer sua herança. A Parashá Mass'ê inicia-se resumindo a rota completa percorrida pelo povo judeu durante os quarenta anos no deserto, começando com o êxodo do Egito e concluindo com sua chegada às margens do Rio Jordão. Após ordenar ao povo para expulsar todos os habitantes da Terra Santa, a Torá esboça os limites exatos da Terra de Israel. Como os Levitas não receberiam uma porção regular, cidades especiais tiveram de ser designadas para eles, algumas das quais serviriam também de cidades de refúgio para assassinos acidentais. Em determinadas circunstâncias, alguém que por acidente matasse uma pessoa fugiria para uma destas cidades de refúgio para evitar a retribuição de um parente próximo da vítima, e teria de lá permanecer até a morte do Cohen Gadol (Sumo sacerdote) vigente. Após estabelecer a orientação para os vários tipos de assassinatos, o livro Bamidbar conclui com a informação adicional a respeito das filhas de Tzlofchad e as leis regulamentando a herança. |
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| Mensagem da Parashá | |||||
| Duas porções atrás, ao final da Parashá Balac, uma praga terrível e destruidora assolou os filhos de Israel, devido aos pecados instigados por nossos formidáveis inimigos, os Moavitas e Medianitas. Na mesma porção, toda nossa existência foi também perigosamente ameaçada por um hábil e poderoso feiticeiro não-judeu, Bilam, que foi contratado pelas forças conjuntas de Median e Moav para amaldiçoar o povo judeu, esperando torná-lo uma vítima indefesa para seus selvagens inimigos. Mesmo assim, na porção desta semana, quando D'us decide que chegou a hora de vingar a honra de Israel e destruir seus inimigos, Ele ordena a Moshê que destrua apenas os medianitas, permitindo que os moavitas escapem ilesos. Por que, pergunta alguém, os medianitas foram escolhidos para a destruição, enquanto que os moavitas, que lideraram a extrema intrusão, foram poupados? Para responder esta questão, Rashi explica que os moavitas agiram puramente por razões de auto-defesa contra um inimigo avultado e potente em suas fronteiras, enquanto que os medianitas haviam se engajado em uma disputa que não lhes dizia respeito, pois não foram ameaçados pelos judeus por viverem longe da rota para a Terra de Israel. Foi pela ação de ódio infundado dos medianitas que D'us quis vingança. Rashi explica que tal ódio e envolvimento nas disputas de outro povo é especialmente perigosa espiritualmente porque mesmo quando as partes cheguem a um acordo, o ódio daquele que está de fora da disputa conservará seu vigor pois, afinal, não era baseado em coisa alguma. Esta mensagem é especialmente fundamental para nossa geração, para quem ódio infundado é um de nossos maiores erros e desafios. O Talmud (Tratado Yoma 9b) exorta-nos que no caso do insuportável pecado de ódio fútil e infundado para com um irmão judeu, a esposa e o filho de quem odeia morrerá, D'us não o permita. Rashi explica que esta punição é midá kenegued midá, pois assim como a pessoa falhou em amar o próximo, aqueles que ama serão tirados de seu convívio. Portanto, devemos enxergar este pecado de ódio injustificado como um assassino impiedoso, e combatê-lo com fervor. Rabi Yechiel Weinberg relata uma conversa que teve com o Alter de Slabodka. Certo dia, o Alter estava falando sobre as "Três Semanas", o período de luto pela destruição dos Templos. Resumindo, ele explicou que a razão para a instituição deste período de luto foi despertar-nos de nossa rotina de pecado e incitar-nos ao arrependimento, para que sejamos merecedores da reconstrução do Templo Sagrado. A destruição do Primeiro Templo foi devida ao envolvimento do povo judeu em assassinato, idolatria e relacionamentos imorais, e mesmo assim o exílio durou apenas setenta anos. O Segundo Templo, por outro lado, apesar do envolvimento dos judeus na Torá e boas ações, foi arrasado principalmente por causa do pecado ameaçador do ódio infundado, e infelizmente ainda não merecemos vê-lo reconstruído. "Fique atento," ordena o Alter, "esta influência sinistra ainda espreita entre nós, e infelizmente não temos o nível de boas ações e Torá que envolveu nossos antepassados." "Honestamente," pergunta ele, "quantos de nós, ao ver um colega elevado a uma posição de honra que acreditamos ser nossa por merecimento, não fervemos face a tão horrível insulto, e imaginamos porque nossos amigos não correram a defender nossa honra? E mesmo assim, quantos de nós simplesmente passam pelos impulsos e leis deste período sem agir sobre sua mensagem essencial - erradicar o ódio injustificado de nosso coração?" Como soam e reverberam verdadeiras as palavras do Alter no âmago de nosso coração. Devemos instilar esta mensagem dentro de nós, arrepender-nos de nossos pecados cometidos, e aprendermos a praticar o amor injustificado. Quando conseguirmos isso, e com a ajuda de D'us, o Templo será reconstruído. Que seja brevemente em nossos dias. |
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