Porção Semanal: Shemini
 
    
 

A porção desta semana da Torá, Parashá Shemini, começa discutindo os eventos que ocorreram no oitavo e último dia de melu'im, serviço de inauguração do Mishcan.

Após meses de preparação e antecipação, Aharon e seus filhos são finalmente instalados como Cohanim, em um serviço elaborado. Aharon abençoa o povo, e toda a nação se rejubila quando a presença de D'us paira sobre eles. Entretanto, o entusiasmo pára abruptamente quando os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, são consumidos por um fogo celestial e morrem no Mishcan, enquanto ofereciam ketoret sobre o altar.

A Torá declara que eles morreram porque trouxeram um "fogo estranho" no santuário interior do Mishcan, cujo significado é discutido pelos comentaristas à exaustão. Aharon recebe ordens de que os Cohanim são proibidos de entrar no Mishcan enquanto intoxicados, e a Torá continua a relatar os eventos que ocorreram imediatamente após a morte trágica de Nadav e Avihu.

A porção termina com uma lista dos animais casher e não-casher, e várias leis sobre tumá, rituais de contaminação.

     
  Mensagem da Parashá
     
 

Coloque-se no lugar de Aharon. Você acaba de ser informado de que dois de seus preciosos filhos acabaram de morrer. Imagine o trauma de perder dois filhos queridos num único dia, e então aumente esta dor com o conhecimento de que na hora da morte, eles estavam tentando servir a D'us.

O Mishcan acabara de ser concluído, e eles estavam trazendo incenso pela primeira vez, naquilo que poderia ter sido longas carreiras a serviço de D'us. Pense sobre a dor e o sofrimento que Aharon deve ter sentido.

Muitas pessoas questionariam a justiça de D'us. Perguntariam: "Por que eles morreram? Estavam tentando fazer o bem! Faziam o melhor para servi-Lo!" Esta seria a questão mais fundamental jamais feita na história: Por que acontecem coisas más a pessoas boas? Sob esta ótica, a reação de Aharon a esta notícia horrível é enigmática. A Torá relata que "Aharon estava em silêncio" (Vayicrá 10:3) - ele não reagiu. Aparentemente, Aharon não questionou as ações de D'us; ao contrário, permaneceu calmo e aceitou a morte dos filhos como a vontade de D'us.

Encontramos um fenômeno similar no comportamento de Aharon a respeito da passagem na Torá, quando D'us inicialmente envia Moshê e Aharon para pedirem ao faraó que o povo judeu seja libertado da escravidão. Ao invés de libertar os escravos, o faraó reage aumentando sua carga de trabalho. Moshê não pôde compreender como D'us lhe ordenara a pedir a liberdade, sabendo que nada de bom adviria disso. Portanto, Moshê pergunta a D'us: "Por que fizeste mal a este povo, por que me enviaste?" (Shemot 5:22).

Na essência Moshê estava também perguntando por que coisas más acontecem a pessoas boas. É interessante notar que embora Aharon estivesse presente também quando o faraó aumentou o fardo, e embora Aharon fosse mencionado no versículo anterior, a Torá apenas relata que Moshê fez esta pergunta básica. A Torá não menciona se Aharon também perguntou a D'us por que Ele "fez mal a este povo." Aharon não tinha a mesma dúvida? Pela reação que ele teve com a morte dos filhos, poderia parecer que embora a dúvida tivesse espicaçado Aharon, ele não perguntou. O que deu forças a Aharon para não questionar D'us quando as coisas ficaram amargas?

Examinando a infância de Aharon, talvez possamos entender como ele aprendeu esta importante lição. Aharon cresceu no Egito, durante uma época em que todo recém-nascido judeu era afogado no Nilo. Imagine seus pensamentos quando descobriu que sua mãe havia dado à luz seu irmão Moshê. O jovem Aharon deve ter refletido por que D'us seria tão cruel para trazer uma criança ao mundo apenas para ser atirada no rio. Entretanto, logo ele soube que Moshê fora salvo da morte pela filha do faraó, e destinado a tornar-se o redentor do povo judeu do cativeiro egípcio. Pela experiência, Aharon sabia que tudo que D'us faz tem um propósito. Ele descobriu que coisas más não acontecem a pessoas boas. Ao contrário, com a limitada visão do mundo que os humanos possuem, não podemos imaginar o verdadeiro bem que nos cerca.

E quanto a nós? É muito difícil para uma pessoa sem proporções bíblicas perceber que D'us apenas faz o bem. Os Zoroastristas da época do Segundo Templo não podiam compreender que algo que parece mau fosse na verdade bom. Ao contrário, eles diziam que deveria haver duas entidades separadas governando o mundo, tanto uma força do bem como uma força do mal. Como podemos chegar ao completo reconhecimento de que tudo, mesmo aquilo que aparenta ser mau, é realmente bom?

Seja um discípulo de Aharon. Examine sua vida em retrospecto e reflita sobre algumas das coisas que aparentavam ser más na época, e que então produziram algo de bom. Naturalmente, devido a nossa limitada visão sobre a vida, poderemos não ser capazes de responder a todas as perguntas. Muitos de nós ainda nos sentimos como Rabi Yannai (Pirkê Avot 4:19) que declarou: "Não podemos entender nem a tranqüilidade dos malfeitores nem o sofrimento dos justos." Entretanto, ao final receberemos respostas para todas nossas dúvidas.

Como dizemos três vezes por dia na última linha da prece Aleinu, o profeta Zacharia previu que haveria um tempo quando "... Seu nome será um." O profeta queria dizer que quando Mashiach vier, perceberemos que tudo, tanto o bem quanto o mal, foi determinado pelo único D'us carinhoso e na verdade foi para o bem.

     
 
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