Porção Semanal:
 
    
 

A parashat Bô continua a sequência das Dez Pragas. Moshê e Aharon novamente advertem Faraó, este porém se recusa a libertar o povo de Israel.

A oitava praga é enviada. Uma infestação de gafanhotos toma conta do Egito, cobrindo até onde a vista possa alcançar, e acabando com a vegetação e os frutos que restaram da chuva de pedras.

Na nona praga, uma escuridão espessa tomou conta do Egito. Tão intenso era o escuro, que os egípcios não eram capazes sequer de mover-se.

Israel recebem a primeira mitsva como povo. D'us indica que o primeiro mês seja Nissan, determinando assim o sistema do calendário judaico.

Finalmente, a redenção está prestes a chegar. Cada família deverá sacrificar um carneiro, e passar seu sangue nos dois umbrais da porta. A carne do carneiro deverá ser comida na noite do décimo quinto dia de Nissan. Nesta data, todos os primogênitos do Egito morrerão, e o sangue no umbral será um sinal para que as casas de Israel seja poupadas.

Após a décima praga, Faraó finalmente convoca Moshê e Aharon, e lhes diz que saiam do Egito com todo Israel, pois os egípcios não mais podiam suportar as mortes. O povo de Israel sai as pressas, e seu pão nem sequer teve tempo de fermentar - era o pão ázimo.

Por comemoração aos milagres da redenção, Israel deve celebrar por sete dias, comendo apenas pão ázimo, que não tenha sido fermentado. Recebemos a responsabilidade de repassar a história da saída do Egito de geração em geração. As matsot (pão ázimo), serão o símbolo desta redenção.

A parashá é concluída com mais uma mitsvá. Como recordação a praga dos primogênitos, da qual Israel foram poupados, recebemos a misvá da consagração dos primogênitos. Os primogênitos dos animais devem ser dedicados ao Templo Sagrado. E o primogênito homem deve ser redimido das mãos do cohen.

 

     
  Mensagem da Parashá
     
 

Nessa Porção Semanal lemos que D'us falou a Moshê e Aharon para que transmitissem uma ordem aos filhos de Israel. Deveriam orientá-los para que começassem a preparar alicerces para a futura construção do Tabernáculo de D'us. Esta ordem parece pouco realista e prematura, visto ser dada em meio à escravidão e ao sofrimento.

O objetivo de liberdade de uma nação geralmente encontra expressão em alguma proeminente instituição física ou espiritual. A liberdade do Egito encontrou sua expressão nas pirâmides, as quais nada mais eram que túmulos glorificados para os reis, às custas da miséria de milhares de escravos. A antiga Grécia, após ganhar sua liberdade dos Persas, construiu templos na Acrópole, glorificando o corpo humano.

Israel, ao ganhar sua liberdade, tinha como objetivo o Sinai, onde após lhe ser entregue a Torá, todo o povo se uniu para construir um Tabernáculo onde deveria repousar a Presença Divina. A essa finalidade, todo o Êxodo foi dedicado desde o início. E, de fato, ao estudarmos a história de Israel, após sua entrada na Terra Prometida, encontramos o climax de toda a história judaica, quando o rei Salomão construiu o Templo de Jerusalém.

O significado espiritual da Porção Bô constitui um desafio ao mundo de hoje, onde cada vez mais, pequenas nações conquistam sua independência. Ao nível individual pode ser sentida mais intensamente se levarmos em conta as condições econômicas que tendem a dar-nos cada vez mais tempo livre. O que fazemos com este tempo livre? Há duas chances: ou é tão mal aplicado a ponto de nossos dias tornarem-se uma fonte de aborrecimentos, ou por outro lado, seguindo o exemplo de Israel, utilizamos nossos dias para preparar os "alicerces para o Tabernáculo de D'us".

     
 
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