Porção Semanal: Shemot
 
    
 

A parashá começa descrevendo a família de Yaacov que desceu ao Egito, somando setenta pessoas. As gerações seguintes se proliferam, e o povo de Israel multiplica-se.

Um novo Faraó sobe ao poder, e não reconhece a dívida que o Egito tem para com José. Temendo o grande número de Israel, resolve subjugá-los sob uma rígida vigilância, condenando-os a um serviço penoso e árduo.

Mais uma medida tomada é falar com as parteiras hebréias para que matem todos os recém-nascidos homens. As parteiras, porém, são tementes a D'us e não executam o decreto, alegando a Faraó que as parturientes judias não as esperam para dar a luz. Como recompensa lhes é prometida descendência sacerdotal, levítica e real.

Faraó decretou a seu povo, então, que joguem ao Nilo todo nascido varão.

A Torá relata o nascimento de Moshê, o qual após os três meses foi posto numa arca no Nilo, sob vigilância de sua irmã, pois não havia mais como escondê-lo dos egípcios. A filha de Faraó vai banhar-se no Nilo e encontra o bebê. Moshê cresce no palácio de Faraó.

Já crescido, vê um egípcio maltratando um judeu e o mata. O episódio chega aos ouvidos de Faraó e Moshê é forçado a fugir para Midian. Lá, casa-se com Tsipora, uma das sete filhas do sacerdote Yitrô.

Enquanto cuida do rebanho de seu sogro, Moshê vai parar no monte Chorev, onde vista uma sarça que arde em fogo mas não se consome. D'us então revela-se a ele neste monte, e o incube da tarefa de ser seu mensageiro para redimir Israel do Egito, e lhe dá três sinais para que prove sua veracidade diante de Faraó.

Moshê despede-se de seu sogro, e parte ao Egito com sua família. No caminho, Tsipora circuncida seu filho.

No Egito, Faraó duplica o serviço de Israel como réplica as palavras de Moshê.

Ao término da parashá, D'us reafirma a Moshê que o coração de Faraó está endurecido, e que será castigado por isso.

     
  Mensagem da Parashá
     
 

Na parashá Shemot está descrito o serviço penoso da escravidão em que Israel se encontrava. Este trabalho começou com a manufatura de tijolos. Devemos nos perguntar que mensagem isto vem nos ensinar. O que há de especial na manufatura de tijolos que seja diferente de outras tarefas?

Uma casa pode ser feita de dois materiais: pedras ou tijolos. A diferença entre eles é que pedras são matérias-primas encontradas na natureza. Apesar do homem ter de extraí-las e lapidá-las, são uma criação Divina. Tijolos, por outro lado, são frutos de mãos humanas. É o homem que deve recolher os materiais, misturá-los e aquecê-los, formando algo que não existia antes.

Nossa tarefa neste mundo é construir uma morada para D'us. Na nossa existência temos que tornar o mundo um lugar de espiritualidade, um local santo, digno de receber a santidade. Para tanto, devemos utilizar aquilo que D'us criou no mundo para santidade, os elementos especificamente destinados ao Serviço Divino. Assim, estaremos construindo uma "casa de pedras", formada de matéria-prima que já é encontrada praticamente pronta, e não requer tanto trabalho.

Porém, há uma outra tarefa mais elevada. Além de utilizar os bons elementos que D'us criou para serví-lo, pode-se ainda transformar o mal em bem, a escuridão em luz. Não são apenas os materiais positivos que podem ser usados para construção. O judeu pode também transformar o que é negativo, tornar o desprezível em útil. Assim, estará criando um novo material, fruto de suas mãos. Algo que não poderia existir no mundo se não fosse o seu trabalho.

Esta é a nossa tarefa no exílio, assim como foi de nosso antepassados no Egito. Devemos criar tijolos, ultilizar-nos do que há neste mundo para construir a morada de D'us. É esta a casa que Ele almeja.

     
 
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