| Porção Semanal: Ki Tavo | indice | |||
| Parashat Ki Tavo inicia descrevendo a mitsvá anual aos fazendeiros de Israel para que trouxessem seus bicurim, primeiros frutos, ao cohen no Templo, quando então o fazendeiro reconhece o importante papel de D'us na provisão de seu sustento. Após novamente exortar o povo judeu a permanecer fiel a D'us, que os elegeu especificamente como Seu povo escolhido dentre todas as nações do mundo, Moshê ensina duas mitsvot especiais que eles deverão cumprir ao entrar na Terra de Israel para reafirmar seu compromisso com a Torá. Primeiro deverão escrever toda a Torá em doze grandes pedras, e então deverão recitar bênçãos e maldições no vale entre Monte Gerizim e Monte Eival, as quais se aplicarão respectivamente àqueles que cumprem e àqueles que afrontam a Torá. Seguindo-se uma recontagem das maravilhosas bênçãos que D'us concederá ao povo judeu por permanecer fiel, Moshê faz uma assustadora profecia do que se abaterá sobre o povo judeu por não cumprir a Torá. Conhecido como admoestação, Moshê descreve com detalhes a horrível destruição que infelizmente acontecerá quando nos desviarmos das mitsvot. A Porção da Torá conclui quando Moshê contempla em retrospecto os maravilhosos milagres que D'us realizou pelos quarenta anos anteriores, lembrando o povo da enorme dívida de gratidão que tem com D'us por Seu carinhoso amor. |
||||
| Mensagem da Parashá | ||||
| Atualmente é comum nos aproveitarmos dos outros, encarregando-os das nossas obrigações. Nesta semana a leitura da Torá nos fala sobre a mitsvá de dedicar os primeiros frutos, bicurim. Este mandamento positivo é muito instrutivo em relação à maneira como se deve agir a respeito do cumprimento das coisas importantes da vida. Desde que estejamos prontos a pagar o preço, compramos aqueles que estudam e rezam por nós - indivíduos anônimos que dizem kadish (reza recitada por um enlutado em memória de um ente querido) e que completam o minyan (quórum de dez homens necessário para a reza). Conta-se a história de um empresário bem sucedido que perdeu seu pai e contratou um senhor de idade de religiosidade impecável para sentar shivá (em luto) em seu lugar. Durante o período de luto o negociante fez uma visita de condolência à pessoa que ele havia contratado, a tal ponto chegou sua hipocrisia. A lei estabelece que aquele que traz os primeiros frutos tem permissão de dá-las ao seu servo ou parente para carregá-las ao longo do caminho, somente até alcançar o exterior do Templo. Ao penetrar no recinto sagrado, ou seja, a área que circunda o Templo, terá que carregar o cesto nos ombros, ainda que seja um grande rei de Israel. A tarefa de trazer as primícias não pode ser delegada; o próprio dono teria que reconhecer a divina providência e bondade. O trabalho legado poderia ser feito pelos outros, mas não a oferenda em si. Não era suficiente levar as frutas para o Templo; era necessário que a própria pessoa fizesse e recitasse a oração de agradecimento. O que há de errado com a nossa vida espiritual de hoje? Mesmo nos nossos sinceros esforços nos contentamos com judaísmo por procuração e uma participação delegada. Quantas vezes ouvimos respeitáveis membros da comunidade dizer: "Basta meu dinheiro estar na sinagoga; eles que se ajeitem sem a minha presença." Se até um rei importante tinha que levar os bicurim ele próprio, como poderiam os outros se eximir desta obrigação? A prova de sua participação é quando você está presente para se rejubilar na Casa do Senhor. Os primeiros frutos, assim como o judaísmo, reclamam a sua presença e não a do seu substituto. Esta é a lição para reis e homens do povo; para a elite e para as pessoas comuns. |
||||