Porção Semanal: Shofetim indice  
     
  Shofetim trata basicamente dos mandamentos a respeito do estabelecimento de um sistema de liderança na Terra de Israel, começando com a designação de tribunais, juízes e oficiais em cada cidade. Após esboçar o processo de julgamento de um idólatra, a Torá ensina que a pena de morte deve ser imposta sobre qualquer erudito que proferir uma decisão contra o Grande Sanhedrin (Suprema Corte composta por 71 juízes) em Jerusalém, não importa quão notável ou destacado o erudito em questão possa ser.

O povo judeu recebe ordens de requerer um rei, assim que se estabelecer na Terra de Israel. Alguns dos presentes especiais a ser dados aos cohanim, sacerdotes, são enumerados. Após descrever o tipo de profecia, a Torá repete as leis das cidades de refúgio para assassinos acidentais, e descreve o caso judicial único de testemunhas de conspiração.

A Torá então trata de diversos aspectos do comportamento da nação durante a guerra, dizendo-lhes para não temer o inimigo, e enumera aqueles que estão isentos do serviço militar. Ao inimigo deve-se dar primeiro a oportunidade de fazer as pazes, e o povo judeu deve ser cuidadoso para não destruir quaisquer árvores frutíferas durante a batalha.

A Porção da Torá conclui com o caso de um assassinato não resolvido e com o ritual de eglah arufah, a novilha decapitada com um machado, que serve como expiação para o povo das cidades vizinhas por não terem impedido o assassinato.

       
  Mensagem da Parashá
       
 

A Torá relata em Shofetim como foi dada a Moshê a ordem de fundar Cidades de Refúgio para os israelitas que eventualmente iriam entrar na Terra Prometida. A tarefa destas cidades era a de proteger uma pessoa que tivesse matado outra acidentalmente. Nessas cidades ela estaria à salvo das mãos de familiares da vítima que procurariam vingar a morte de seu parente, um sistema comum e aceito por muitos povos, séculos atrás. Mas na Torá, cujos caminhos são pacíficos, não há lugar para ódio, por isto a instrução de criar Cidades de Refúgio. As estradas para estas cidades eram largas e bem pavimentadas e quando havia um cruzamento haviam setas indicando o caminho. Portanto, a viagem para estas cidades era fácil e rápida facilitando aos fugitivos chegar em segurança.

Qual é o significado destas cidades para nós hoje em dia? A Torá é eterna e contém uma mensagem clara para cada geração. Já que sempre lemos esta porção no primeiro sábado do mês judaico de Elul, com certeza deve haver uma ligação entre este mês e as Cidades de Refúgio.

Esta semana começamos o mês de Elul, o último mês do calendário judaico. É um mês de balanço, quando fazemos uma revisão de nossos atos realizados durante os onze meses anteriores. Os sábios comparam Elul com as Cidades de Refúgio da seguinte forma: assim como no caso das cidades, quando alguém cometia um erro, a salvação se encontrava na sua completa remoção do seu ambiente começando de novo, o mesmo acontece com Elul; se o balanço revela que durante o ano que finda cometemos atos falhos, então o aviso é de que devemos nos remover, a nós mesmos, da situação anterior para seguir um novo caminho de vida.

Muitos judeus se encontram hoje numa encruzilhada, com caminhos que levam à direções opostas, estendendo-se de maneira convidativa à sua frente. De um lado, a observância da Torá e seus preceitos conduzindo a uma vida feliz e realizada tanto espiritual, como materialmente. O caminho oposto, destituído de Torá e mitsvot conduzindo à assimilação e no final à frustração, descontentamento e infelicidade.

Devemos nos dirigir para estas encruzilhadas e aproximar os judeus que permanecem confusos sem saber que direção tomar e gritar-lhes: "Refúgio, Refúgio. Tomem o caminho da direita como indicam todas as setas." Como no caso das Cidades de Refúgio, a estrada para esta nova vida é larga e fácil, com placas que apontam para as direções corretas e levam para uma vida verdadeira e maravilhosa, em todos os sentidos.

       
 
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