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Moshê
abençoa as tribos antes de sua morte
Quando D’us ordenou a Moshê: "Suba ao Monte Nevo e ali
morrerá" – o Anjo da Morte pensou que tivesse permissão
de levar a alma de Moshê.
Ele voou para baixo e pairou sobre Moshê, mas quando Moshê
o avistou, agarrou-o e atirou no chão.
"D’us garantiu-me que você não tem poder sobre
mim" – Moshê disse a ele. "Fique aí e escute
enquanto eu abençoo as tribos."
Moshê obrigou o Anjo de Morte a escutar suas bênçãos.
Moshê desejava, como seu ato final, abençoar os judeus. Ele
tinha começado o Livro de Devarim com reprovação,
e também os tinha repreendido na canção de Ha’azinu.
Agora desejava concluir com uma bênção sobre eles.
Com Moshê, os posteriores aprenderam a concluir seus sermões
de admoestação com palavras de consolo e bênção
para o povo. A Torá aqui chama Moshê "um homem de D’us"
(33:1). Este título foi concedido a ele somente depois que abençoou
os judeus, pois alguém que defende e louva o povo judeu é
elevado por D’us.
A bênção de Moshê foi superior à de todos
os tsadikim antes dele, e até às bênçãos
dos antepassados, porque ele era superior a eles.
"Muitas filhas se saíram brilhantemente, mas você superou
elas todas" (Mishlê 31:29). A Escritura refere-se a Moshê,
que foi superior até aos Patriarcas. O Midrash ilustra a superioridade
de Moshê por meio de uma conversa fictícia entre ele e os
grandes tsadikim anteriores.
Antes de começar as bênçãos, Moshê recitou
o salmo (Tehilim 90). "Uma prece para Moshê, o homem de D’us."
Nele, ele menciona o breve tempo de vida de um ser humano: "Os dias
de nossos anos são setenta e, se houver força especial,
oitenta anos." Porém, a alma do homem continua a viver, finalmente
retornando à sua fonte: "D’us, Tu tens sido uma morada
para nós (nossas almas) em todas as gerações"
(Tehilim 90:1).
Moshê descreve a grandeza do povo judeu
Moshê começou com louvores a D’us, descrevendo como
Ele Se revelou no Har Sinai para outorgar a Torá. Moshê proclamou:
"D’us foi ao povo judeu no Monte Sinai como um noivo que vai
encontrar sua noiva. D’us ofereceu previamente a Torá a todas
as nações gentias, mas elas se recusaram a aceitar."
Moshê proclamou: "A grandeza de D’us desafia a descrição.
No Sinai, Ele levou com Ele apenas uma fração das hostes
celestiais sob Seu comando, ao contrário de um ser humano que exibe
toda sua riqueza no dia das bodas.
"Ele deu aos judeus Sua lei de fogo, a Torá, que Ele tinha
gravado sobre as Tábuas com Sua mão direita."
Por que a Torá é chamada de ‘uma lei de fogo’?
1 – A Torá existiu antes da criação do universo.
Antes de ser entregue à humanidade, foi escrita perante D’us
em fogo negro sobre fogo branco. Moshê então a escreveu com
tinta sobre pergaminho.
2 – A Torá foi entregue em meio ao fogo: os anjos descendo
com D’us ao Har Sinai estavam em chamas: a montanha estava em chamas;
foi dado por D’us, que é chamado "um Fogo devorador";
e a face do agente de D’us (Moshê) reluziu por entre o fogo.
Moshê agora abençoou os judeus para que merecessem a vida
eterna no Mundo Vindouro por terem aceitado a Torá. "D’us
amava muito as tribos. Ele atou as almas dos tsadikim com Ele para a vida
eterna. Eles a merecem, pois se colocaram ao pé do Monte Sinai
e aceitaram o jugo da Torá."
Moshê
abençoa as Tribos: Reuven, Shimon e Yehuda
A Bênção de Reuven
Moshê começou abençoando os descendentes do primogênito
de Yaacov:
"Que Reuven viva e não morra, e que seus homens sejam contados
entre as tribos."
No sentido literal, Moshê estava se referindo aos soldados da tribo
de Reuven, que marcharam na frente do exército judeu durante a
conquista da Terra. Ele os abençoou para que nenhum caísse
em batalha, e que todos retornassem para casa.
Em outro nível, a bênção de Moshê se
referiu ao fundador da tribo:
"Que Reuven viva nos dias de Mashiach e que não morra no Mundo
Vindouro, Que sua tribo seja contada entre Benê Yisrael."
Moshê abençoou Reuven para que seu pecado no incidente envolvendo
Bilá não fosse usado contra ele no futuro, pois Reuven tinha
se arrependido de seu erro.
Na verdade, a bênção de Moshê ajudou Reuven
a conquistar um quinhão no Mundo Vindouro.
A Tribo de Shimon
Moshê não concedeu sua própria bênção
a Shimon. Ele estava irado com esta tribo porque seu líder, Zimri,
tinha pecado em Shitim com uma princesa moabita, dessa forma inspirando
muitos de seus amigos na tribo a erros similares.
Nosso patriarca Yaacov, em suas bênçãos aos seus filhos,
tinha reprovado Shimon e Levi. Levi mais tarde melhorou, ao passo que
Shimon se deteriorou ainda mais, como é ilustrado na seguinte parábola:
Dois homens pediram um empréstimo ao rei. Um pagou, e depois chegou
a emprestar ao rei uma quantia de seu próprio dinheiro em retorno.
O outro, no entanto, não somente deixou de pagar o empréstimo
original, como teve a audácia de pedir outro empréstimo
ao rei.
Da mesma forma, Yaacov inicialmente censurou tanto Shimon quanto Levi
pelo ódio que levou a ambos exterminarem a cidade de Sh’chem,
e pelo episódio em que ambos tinham tentado tirar a vida de Yossef.
Em seguida, a tribo de Levi utilizou seu atributo do zelo e ira para o
propósito de vingar a honra do Todo Poderoso ao punirem os adoradores
do bezerro de ouro e quando Pinchas, da tribo de Levi, matou o líder
pecador de Shimon, Zimri.
Os membros de Shimon, porém, continuaram a usar sua tendência
para a violência e agitação: seu líder Zimri
rebelou-se contra Moshê em Shitim. Portanto, esta tribo perdeu o
privilégio de receber sua própria bênção.
Apesar disso, Moshê aludiu a Shimon na bênção
de Yehuda, quando disse: "Escuta, D’us, a voz de Yehuda."
A palavra "Shemá" contém as letras do nome Shimon.
Além disso, o quinhão de Shimon em Erets Yisrael consistia
de várias faixas de terra na porção de Yehuda.
Shimon foi abençoado junto com Yehuda, o "leão",
e foi feito seu vizinho, na esperança de que a presença
de Yehuda refreasse Shimon de mais atos de violência injustificada.
A bênção de Yehuda
Moshê profeticamente abençoou Yehuda depois de Reuven, porque
Yehuda era a tribo liderante. Além disso, a tribo merecia ser abençoada
depois de Reuven, porque o fundador da tribo fez seu irmão Reuven
confessar abertamente seu pecado. Depois da corajosa admissão de
culpa no incidente envolvendo Tamar. Reuven também tomou coragem
e admitiu em frente de seu pai Yaacov: "Eu desarrumei a cama de meu
pai,"
Nossos Sábios mencionam ainda outro motivo para Moshê colocar
a bênção de Yehuda em seguida à de Reuven,
e por que ele introduziu a bênção de Yehuda com as
palavras: "E esta é para Yehuda."
Durante sua jornada de quarenta anos pelo deserto, Benê Yisrael
carregou o caixão de todos os filhos de Yaacov, até finalmente
enterrar seus corpos em Erets Yisrael. Mas enquanto os outros corpos permaneceram
intactos, os ossos de Yehuda se desconectaram e rolaram dentro do caixão.
Yehuda atraiu este castigo sobre si quando implorou ao seu pai Yaacov:
"Deixa-me levar Binyamin ao Egito. Se eu não devolvê-lo
a ti, que eu seja banido por todos os meus dias, mesmo depois da morte."
Embora Yehuda tenha devolvido Binyamin a Yaacov, seu banimento –
em referência às palavras de um homem justo – por força
teve efeito.
Portanto, a alma de Yehuda não pôde entrar no Gan Eden, e
ao mesmo tempo seus ossos não encontraram repouso.
Moshê suplicou a D’us: "O corpo de Reuven deve permanecer
intacto, enquanto o de Yehuda está desmembrado? Não foi
Yehuda que fez Reuven confessar abertamente seu erro? Portanto, ouve,
D’us a voz de Yehuda!"
Assim que Moshê falou as palavras: "Ouve, D’us a voz
de Yehuda", os ossos de Yehuda se juntaram novamente. Quando Moshê
falou: "e leva-o ao seu povo", a alma de Yehuda foi admitida
à academia Celestial, onde se reuniu às almas dos judeus
justos. As palavras finais de Moshê "e seja uma ajuda para
ele de seus adversários", fez com que a alma de Yehuda atingisse
o nível mais elevado de apego a D’us no Olam Habá.
As palavras de Moshê "E esta bênção para
Yehuda também alude à Torá. Moshê indicou:
"Os reis, que descenderão de Yehuda, devem estudar Torá
a vida toda."
Moshê rezou: "Mestre do Universo, aceita as preces dos reis
da casa de David, sempre que forem ameaçados pelo inimigo! Retorna
seus soldados em segurança! Que tenham sucesso na batalha, e sejas
uma ajuda para eles contra seus adversários!"
Moshê anteviu profeticamente que David algumas vezes se encontraria
em grande perigo, e portanto convenceu D’us a resgatar o futuro
monarca. Ele também rezou pelo Rei Yoshiyáhu, vislumbrando
que Yoshiyáhu retornaria a D’us e destruiria os ídolos
em Erets Yisrael. Devido às preces de Moshê, D’us aceitou
a teshuvá de Yoshiyáhu e prometeu não destruir o
Bet Hamicdash em seu tempo. Moshê, além disso, rezou pelo
Rei Menashe, para que D’us aceitasse sua prece, pronunciada no cativeiro
da Babilônia, e o libertasse.
Moshê
abençoa as Tribos de Levi, Binyamin e Yossef
A Bênção de Levi
Moshê abençoou a Tribo de Levi: "Tu (D’us) vestiste
Aharon, que consideraste justo, com Teu urim vetumim (o peitoral do Sumo
Sacerdote).
"Tu testaste Aharon nas águas de Meriva, onde decretaste que
ele morreria no deserto por apoiar quando Moshê golpeou a pedra.
Aharon poderia ter protestado: ‘Não cometi qualquer pecado;
por que tenho de morrer?’ Mas seu coração era perfeito
Contigo; ele não teve queixas.
Portanto, conquistou o direito de usar o urim vetumim sobre o coração."
Em outro nível, Moshê estava louvando toda a tribo de Levi,
que fora escolhida para desempenhar o Serviço de D’us no
Mishcan e no Bet Hamicdash: "Toda vez que testaste os homens da tribo
de Levi, eles foram perfeitos; quando Tu fizeste um teste com eles nas
Águas de Meriva, eles foram leais."
Os membros de Levi não tiveram (falsa) pena dos adoradores do bezerro
de ouro, mas executaram a todos – até seus próprios
parentes.
"Eles cumpriram Teu mandamento: ‘Não terás outros
deuses.’ Eles não contribuíram com ouro para o bezerro,
nem o serviram.
"Eles guardaram corajosamente o Teu pacto do brit milá, circuncidando
seus filhos até no deserto (enquanto o restante das tribos desistiu,
por causa dos perigos que se apresentavam).
"Eles são merecedores de ensinar tais leis a Yaacov e Tua
Torá para Israel. Os cohanim da sua tribo Te oferecerão
incenso diariamente, e sacrifícios sobre Teu altar.
"Abençoa, D’us, as propriedades dos levi’im, e
aceita a obra de suas mãos (o serviço dos sacrifícios)
favoravelmente."
De fato, a tefilá de Moshê fez os membros da tribo de Levi
serem tão abençoados materialmente que se diz: "A maioria
dos cohanim é rica." Além disso, o versículo
"Eu fui jovem, e agora sou velho; mas não vi um homem justo
abandonado, nem o vi esmolando pão (Tehilim 37:25), era entendido
como referindo-se aos cohanim.
Moshê concluiu sua bênção:
"Golpeia as ancas daqueles que se levantam contra ele e os seus inimigos,
para que não se levantem outra vez."
A quais inimigos dos levi’im ele se referia?
1 – Moshê rezou para que aqueles que usurpassem o ofício
do sacerdócio fossem castigados.
2 – Moshê anteviu profeticamente que na era do Segundo Templo
os chashmonaim (hasmoneanos) descendentes de Levi, lutariam contra um
exército grego que era numericamente muito superior. Então,
ele rezou a D’us: "Golpeia as ancas dos que se erguerem contra
eles."
Por que os chashmonaim eram tão bem-sucedidos, para que D’us
entregasse ‘muitos nas mãos de poucos?’ Tal milagre
transpirou pelo mérito da bênção de Moshê
à tribo de Levi.
O milagre de Chanucá ocorreu através dos descendentes de
Levi, cuja kedushá (santidade) podia superar as forças da
tumá (impureza).
A Bênção de Binyamin
Após abençoar Levi, cujos membros desempenhavam o Serviço
no Bet Hamicdash, Moshê então dirigiu-se a Binyamin, pois
o altar e o Santo dos Santos do Bet Hamicdash estavam para ser construídos
em seu território.
Moshê abençoou Binyamin antes de Yossef, porque o Bet Hamicdash
que estava para ser construído na porção de Binyamin
seria mais caro a D’us que o Mishcan de Shilo, localizado na porção
de Yossef.
Moshê abençoou Binyamin:
"Binyamin habitará em segurança por causa do amor de
D’us por ele. Ele sugeriu: "Os descendentes desta tribo habitarão
em segurança, sem temor do inimigo.
A tribo de Binyamin permaneceu parte do reino de Yehuda, após a
separação do reino, Seus membros lutaram pelos reis de Yehuda,
participando nas vitórias dos reis justos Assa, Yehoshafat a Chizkiyahu.
A bênção de Moshê foi para que Binyamin destruísse
os inimigos e morasse em segurança. Moshê também estava
se referindo ao fundador da tribo, Binyamin, que "habitaria em segurança"
até na sepultura, pois os vermes não teriam permissão
de tocar seu corpo.
D’us irá sempre pairar sobre a porção de Binyamin,
para que Sua Shechiná ali resida.
"A Shechiná ‘habita entre os ombros de Binyamin’".
(O Bet Hamicdash será construído numa colina alta em seu
território.)
O Rei David desejava ardentemente construir o Bet Hamicdash. Ele fez todos
os preparativos que pôde.
Quando David visitou o Profeta Shemuel, eles estudaram as halachot pertinentes
ao futuro Bet Hamicdash. David sugeriu que fosse construído sobre
a montanha mais alta de Erets Yisrael. No entanto, eles consideraram o
versículo ‘E Ele habita entre seus ombros’ (33:12).
Como o versículo não declara ‘Ele habita sobre sua
cabeça’, a parte mais alta do corpo humano, eles decidiram
que deveria ser construído numa colina no território de
Binyamin, mas não na parte mais alta.
A
bênção de Yossef
Moshê proclamou:
"Abençoada por D’us seja sua terra, com doces iguarias
produzidas pelo orvalho e pela chuva do Céu, e pela água
da profundeza da terra; com doces iguarias que crescem com o brilho abundante
do sol e da lua. (Determinadas plantas, como o pepino e melões,
amadurecem à luz da lua).
"Que estas montanhas sejam abençoadas com a maturação
adiantada da produção e sua terra com colinas que produzam
constantemente.
"Que esta terra seja abençoada com as iguarias da terra e
sua plenitude, e com a boa vontade Daquele que Se revelou a mim originalmente
na sarça. Que esta bênção seja uma coroa na
cabeça de Yossef; sobre ele que foi separado de seus irmãos
(quando eles o venderam. Apesar disso, ele os perdoou e os sustentou nos
anos de escassez.)"
Moshê concluiu sua bênção profetizando sobre
dois dos famosos descendentes de Yossef, Yehoshua e Gidon: "Sobre
o líder Yehoshua, que descenderá dele, será concedida
a força de um boi e os belos chifres dos Re’aim. Com eles
ele rasgará os trinta e um reis de Erets Canaan.
"Dezenas de milhares (de Canaanim) serão assassinados por
Yehoshua, um descendente de Efrayim, e milhares (de Midyanim) pelo juiz
Gidon, um descendente de Menashe."
Segundo a bênção de Moshê a Yossef, o estandarte
de Efrayim estampa a pintura de um boi, e de Menache um Re’aim.
Moshê abençoa as Tribos de Zevulun e Yissachar
Moshê abençoou Yissachar e Zevulun em conjunto, porque as
duas tribos eram parceiras. Zevulun engajou-se no comércio e dividiu
seus lucros com Yissachar, cujos membros devotavam-se ao estudo de Torá.
Embora Yissachar fosse mais velho, Moshê abençoou Zevulun
primeiro, porque se não fosse pelo apoio de Zevulun, Yissachar
não teria conseguido prosseguir seus estudos.
Moshê os abençoou: "Zevulun, que tenhas sucesso nos
negócios, e Yissachar em suas tendas de estudo de Torá."
Moshê assegurou a Zevulun que suas jornadas não teriam perigo
ou possibilidade de fracasso. Como ele pretendia sustentar Yissachar com
seus ganhos, seu sucesso e segurança foram assegurados. Além
disso, Zevulun deveria regozijar-se porque sua sociedade com Yissachar
lhe granjearia recompensa no Mundo Vindouro.
A bênção de Yissachar é formulada de maneira
mais concisa que a de qualquer outra tribo. Moshê a expressou em
apenas duas palavras: "Yissachar (se rejubile) em suas tendas."
Na verdade, estas palavras abrangem todas as bênçãos
possíveis. Moshê estava dizendo a esta tribo: "Rejubilem-se
quando estudarem Torá, pois não há felicidade maior
neste mundo que o estudo de Torá, como está escrito: ‘Os
estatutos de D’us são eretos, fazem o coração
se alegrar’" (Tehilim 19:9). Além disso, vocês
se alegrarão na Tenda Celestial no Alto, onde sua felicidade será
completa."
Moshê continuou: "Os eruditos de Torá de Yissachar irão
estabelecer sabiamente o início dos novos meses, assim fazendo
com que as tribos sejam chamadas ao Monte do Templo para as festas, quando
irão sacrificar as oferendas de yom tov.
"Yissachar e Zevulun ganharão com as riquezas do mar (em cuja
costa estão localizadas suas porções). Eles apanharão
e venderão um caro atum, e também a criatura Chilazon (com
cujo sangue um dos tsitsit é tingido de azul); com a areia branca
da sua praia um valioso vidro claro será feito; além disso,
eles descobrirão na areia tesouros levados à costa provenientes
de navios naufragados.
"Por causa de suas riquezas, Yissachar e Zevulun terão tempo
livre para estudar Torá."
Moshê também previu:
"Os negócios de Zevulun atrairão mercadores gentios
à costa do Mediterrâneo. Eles dirão: ‘Como viajamos
tão longe, vamos visitar a capital do país judaico, visitar
seu templo, e ver quais são suas divindades e seus costumes.’
Quando eles chegarem a Yerushaláyim e virem como todos os judeus
se unem para adorar um único D’us, e como comem apenas determinados
alimentos (ou seja, comida casher), eles ficarão impressionados
e declararão: ‘Jamais vimos um país como este!’
"Eles reconhecerão a futilidade de seus cultos idólatras,
e muitos se converterão ao Judaísmo, e oferecerão
sacrifícios de justiça sobre o Har Hamoria."
A
bênção de Moshê às Tribos de Gad e Dan
A bênção de Gad
Moshê disse sobre Gad:
‘Bendito seja Ele que aumenta o território de Gad."
Gad recebeu como porção as terras de Sichon e Og a leste
do Jordão. Embora menos produtivo que Erets Yisrael, este território
era maior, estendendo-se bastante a leste. "Gad mora como uma leoa,
e quando vai para a guerra sua vítimas são reconhecíveis,
pois ele tira o braço e a cabeça com um só golpe."
Gad precisava de uma bênção para ter força
em batalha, pois no lado leste do Jordão estava em constante perigo
de ataque por parte de seus inimigos.
"Os membros de Gad escolheram como sua porção as terras
de Sichon e Og, a primeira parte da terra ainda a ser conquistada, porque
eles sabiam que Moshê seria enterrado ali.
"Seus homens marcharam à frente de Benê Yisrael na conquista
de Erets Yisrael. Eram justos e cumpriram a palavra dada a Moshê
– de não voltar para casa, no lado leste do Jordão,
senão depois da divisão da Terra."
Em sua bênção, Moshê na essência desculpou
Gad por escolher uma porção fora de Erets Yisrael. Os membros
de Gad estavam parcialmente motivados pelo desejo de ter o túmulo
de Moshê em sua porção; além disso, eles cumpriram
seu dever para com as outras tribos sobre a conquista de Erets Yisrael.
A bênção de Dan
Moshê abençoou Dan:
"Dan é forte como um leão jovem."
Moshê referia-se ao fato de que Dan, cujo território formava
a fronteira norte de Erets Yisrael, ter protegido a terra de seus inimigos.
"Sua porção da terra bebe do Rio Jordão, que
desce da gruta de Pamais na porção de Dan.
"O rio forma a fronteira entre Erets Yisrael e Bashan, que é
território de Og.
"A terra ao longo do Jordão é bem irrigada e fértil."
A bênção de Moshê também sugere que a
porção de Dan na terra consistiria de duas partes. Inicialmente
eles receberiam território no centro de Erets Yisrael, mas considerariam
aquilo insuficiente. Portanto, para ter mais espaço, seus guerreiros
conquistaram o território de Leshem, que faz fronteira com Bashan
na extremidade norte de Erets Yisrael.
Tribos
de Naftali, Asher e Zevulun são abençoadas
A bênção de Naftali
Moshê abençoou Naftali:
"A porção de Naftali na terra satisfaz quem vive ali.
Inclui o vale de Ginasor, onde os frutos amadurecem primeiro. Quem avista
os frutos suculentos e belos em seu território dá graças
e louva a D’us.
"Ele herdará o Mar de Kineret e uma faixa de terra ao sul,
onde poderá espalhar suas redes de pesca."
As primeiras três letras da bênção de Naftali
aludem à famosa ligeireza de Naftali:
Naftali era "veloz como uma águia" em cumprir as ordens
de D’us."
A bênção de Asher
"Que Asher seja abençoado com filhos."
Com a palavra "filhos" Moshê referiu-se aos descendentes
de Asher, que eram nobres e cohanim, pois muitas das belas filhas de Asher
se casaram com judeus em altas posições.
"Que ele seja bem aceito por seus irmãos."
Como Asher tinha belas filhas para oferecer em casamento, era bastante
querido.
Além disso, as palavras de Moshê se referiam ao fundador
da tribo, Asher, que era olhado com desprezo pelas outras tribos por informá-las:
"Reuven desarranjou a cama de Yaacov!"
"Como você pode dizer coisas tão feias sobre seu irmão
mais velho!" eles o repreenderam. Somente depois que Reuven confessou
seu pecado Asher foi novamente aceito por seus irmãos.
"E que ele mergulhe seu pé em azeite."
A terra de Asher era tão abençoada por oliveiras que o azeite
fluía delas como um poço, e os membros da tribo podiam se
dar ao luxo de se banharem em azeite.
Moshê concluiu:
"Sua terra é rodeada por montanhas, onde o ferro e o cobre
são escavados; e como vocês são fortes em sua juventude,
assim serão na sua velhice."
Como o trabalho de escavar o ferro e o cobre enfraquece as pessoas prematuramente,
Moshê abençoou os membros dessa tribo para que conservassem
a força na velhice. A bênção de Moshê
foi cumprida.
Dizia-se sobre as mulheres de Asher que uma mulher idosa da tribo era
tão forte e bela como uma jovem das outras tribos.
Moshê
termina com os louvores a D’us e ao povo judeu
Moshê concluiu suas bênçãos com louvores
a D’us e K’lal Yisrael.
Os louvores a D’us também serviram para encorajar os judeus
que D’us os ajudaria mesmo depois da morte de Moshê, que estava
iminente.
"Saiba, Yeshurun, que não há ninguém como o
Todo Poderoso entre as divindades das nações. Ele é
o mais poderoso acima e abaixo. Ele controla as esferas superiores e os
ajuda. Sua majestade está no Céu.
"Apesar disso, Ele supervisiona todos os assuntos na terra. Vocês,
o povo judeu, são a morada de D’us desde os tempos antigos:
o mundo foi criado pelo seu mérito. Vocês são o esteio
do mundo; ele existe por causa de vocês.
"Ele afastou o inimigo da sua frente – Ele destruiu os egípcios,
Sichon, e Og – e Ele disse: ‘Exterminem-nos!’ (D’us
nos ordenou destruir Amalek e as sete nações de Erets Canaan.)"
Moshê proclamou que os judeus viveriam pacificamente e com segurança
em Erets Yisrael:
"Cada indivíduo judeu habitará com segurança
numa Terra de cereais e vinho, segundo as bênçãos
de Yaacov: ‘E D’us estará com vocês e os restaurará
à Terra de seus antepassados.’ Os céus também
farão cair o orvalho da bênção, segundo a bênção
de Yitschac: ‘Que D’us lhes dê o orvalho dos Céus.’"
Moshê concluiu:
"Felizes são vocês, Yisrael! Quem é como vocês,
um povo salvo por D’us! Quão grande é a recompensa
que Ele guardou para vocês no Mundo Vindouro! Ele devolverá
a vocês a espada de sua majestade, as coroas (espirituais) que Ele
removeu de vocês depois que pecaram no incidente do bezerro de ouro.
"Seus inimigos ficarão com tanto medo de vocês que negarão
qualquer identidade, e vocês andarão em seus locais elevados."
A última bênção de Moshê aludia à
suprema recompensa de K’lal Yisrael, o Mundo Vindouro. Como prova
de que sua profecia sobre a futura recompensa espiritual seria cumprida,
Moshê deu sinais de que isso ocorreria no mundo atual; que os inimigos
de Benê Yisrael negariam sua identidade, e que os judeus pisariam
nos pescoço de seus inimigos.
As palavras de Moshê foram cumpridas, por exemplo, na época
de Yehoshua: os Gibeonitas disfarçaram sua identidade como uma
das sete nações; e Yehoshua ordenou que seus generais pisassem
no pescoço de cinco reis inimigos (Yehoshua 19:24).
Moshê
morre em Har Nevo
Após Moshê concluir suas bênçãos, ele
disse ao povo: "Estou para morrer. Causei muitos sofrimentos a vocês
ao admoestá-los pelo mérito da Torá e mitsvot. Perdoem-me
agora!"
Eles responderam: "Nosso Rebe e mestre, eles estão perdoados.
Agora nos perdoe; muitas vezes o enfurecemos e lhe causamos problemas."
"Eu os perdôo" – respondeu Moshê.
D’us disse a Moshê: "Não espere mais. Suba ao
Monte Nevo!"
Moshê obedeceu imediatamente. Havia doze passos levando ao topo
do monte, mas Moshê galgou-os todos de um só salto (tão
ansioso estava ele para cumprir a vontade de D’us). Sua força
à idade de cento e vinte anos ainda era a mesma da juventude.
De pé no topo da montanha, Moshê contemplou Erets Yisrael.
D’us, assim, concedeu seu desejo de ver a Terra. Ali Moshê
daria suas bênçãos sobre ela, tornando a conquista
mais fácil para Benê Yisrael.
O Todo Poderoso deixou Moshê ver lugares onde seu sucessor, Yehoshua,
jamais pisaria. Em especial, D’us mostrou-lhe os pontos de futuro
perigo ou infelicidade, fazendo Moshê chorar pela segurança
e bem-estar de seu povo.
Moshê, além disso, viu a futura história de Benê
Yisrael até a era de Mashiach: viu Yehoshua lutando contra os trinta
e um reis de Erets Canaan; a era dos juízes; o reinado da Casa
de David; e o Rei Shelomô preparando os vasos para o Bet Hamicdash.
Ele anteviu até a guerra pré-messiânica de Gog e Magog,
e a queda de Gog. Na hora de sua morte Moshê recebeu também
um pedido que antes lhe fora negado: Quando Moshê pediu a D’us:
"Por favor, revela-me Tuas maneiras de manipular os assuntos do mundo",
o Todo Poderoso respondeu: "Nenhum homem pode Me ver e viver!"
Antes de sua morte, porém, foi concedido aquele entendimento a
Moshê. Assim, ele finalmente atingiu o quinto e último ‘estágio
de sabedoria’. Por ocasião da morte de Moshê, D’us
queria demonstrar a grandeza de Moshê às hostes Celestiais.
Portanto, Ele chamou o anjo Gavriel e lhe ordenou: "Vai e traz para
Mim a alma de Moshê!"
"Mestre do universo, como posso causar a morte de um ser humano que
é igual a 600.000 judeus?"
"Então vai você" – ordenou D’us a Michael.
"Não suporto vê-lo morrer" – respondeu Michael.
"Eu costumava ser seu Rebe. (Michael é o Anjo da Misericórdia,
que ensinou Moshê a defender os judeus.)
O Todo Poderoso então voltou-se a Samael (que é Satã):
"Vai e traga para Mim a alma de Moshê!"
Samael pegou sua espada (o espírito de tum’á com o
qual ele esperava derrotar a kedushá de Moshê) e voou até
Moshê.
Encontrou Moshê escrevendo o Nome de Quatro Letras de D’us
num Sefer Torá ainda incompleto. O rosto de Moshê irradiava
como o sol, e ele se assemelhava a um dos anjos. Samael ficou com medo
de Moshê. "Nenhum anjo pode tirar a alma de Moshê"
– pensou ele.
Começou a tremer e foi incapaz de pronunciar uma só palavra
a Moshê. Moshê, porém, percebera a presença
de Samael antes mesmo que o anjo se revelasse.
"Seu perverso, o que está fazendo aqui?" Moshê
perguntou severamente.
Samael então reuniu coragem e respondeu: "Vim para levar sua
alma!"
"Quem o enviou?"
"Aquele que criou tudo" – respondeu Samael.
"Ele certamente não queria que você levasse minha alma
(mas ao contrário, Ele deseja que eu o derrote)" disse Moshê.
"Eu levo as almas de todos os seres humanos" – insistiu
Samael. "esta é a lei natural do universo."
"Porém não estou sujeito às leis da natureza"
– insistiu Moshê. "Sou filho de Amram. Sou sagrado desde
o nascimento, pois nasci circuncidado e portanto não precisei de
milá. Pude andar e falar desde o dia do meu nascimento (como Adam,
antes de pecar).
"Quando eu tinha três meses de idade, profetizei que eu receberia
a Torá. (Por este motivo Moshê recusou-se a beber o leite
de uma mulher egípcia quando a filha do faraó o encontrou.)
Quando criança, no palácio do faraó, eu tirei a coroa
de sua cabeça (um prenúncio da futura queda do faraó).
Aos oito anos de idade, D’us usou-me para fazer muitos milagres
no Egito, e tirei 600.000 judeus em plena luz do dia sob os olhos dos
egípcios. Abri o Mar em doze partes. Transformei água amarga
em água doce (no local Mara no deserto). Estive no céu,
discuti com anjos que não queriam a Torá outorgada, recebi
a Torá de fogo, e fiquei perto do Trono Celestial para conversar
com o Todo Poderoso face a face. Trouxe a Torá e os segredos dos
anjos para a humanidade. Lutei contra os poderosos gigantes Sichon e Og,
que tinham sobrevivido ao Dilúvio. Fiz o sol e a lua ficarem imóveis
durante a batalha, e eu mesmo matei Sichon e Og. Quem mais, na humanidade,
pode fazer tudo isso?
(Portanto, a lei natural que permite a você tirar a lama de um homem
não se aplica a mim.)"
Samael voou de volta a D’us, reconhecendo a derrota.
D’us então investiu-o de maior força, e ordenou que
voltasse a Moshê. (D’us desejava que Moshê atingisse
uma vitória ainda maior sobre o Satã). Samael pairou sobre
a cabeça de Moshê e tirou a espada da bainha. Moshê
golpeou o anjo com toda sua força, com o bastão onde estava
gravado o nome de D’us. Samael fugiu. Moshê dominou-o e cegou-o
com os Raios da Glória que brotavam de sua face.
Uma Voz Celestial proclamou: "A hora de sua morte chegou!"
"Por favor, não me entregue ao Anjo da Morte" –
Moshê suplicou a D’us. Lembre-Se de como eu O servi na minha
juventude, quando Você Se revelou para mim na moita, e quando fiquei
em Har Sinai durante quarenta dias e noites e me esforcei para aprender
a Torá!"
"Não tenha medo" – declarou a Voz Celestial. "Eu
mesmo cuidarei de você."
Moshê levantou-se e preparou-se para morrer, santificando-se como
um dos anjos.
D’us desceu com os anjos Michael, Gavriel e Zagzagael.
Michael preparou o leito para Moshê; Gavriel estendeu uma coberta
de linho para sua cabeça; e Zagzagael outro pano para seus pés.
O Todo Poderoso falou: "Moshê, feche os olhos."
Moshê assim o fez.
"Coloque as mãos sobre o peito" – ordenou o Todo
Poderoso.
Moshê obedeceu.
"Junte seus pés" – ordenou Ele.
Moshê obedeceu.
D’us chamou a alma de Moshê.
"Minha filha" – dirigiu-se Ele à alma – "planejei
que você permanecesse no corpo de Moshê por 120 anos. Agora
deve sair; não demore."
A alma respondeu: "Mestre do Universo, existe um corpo mais puro
que o de Moshê? Portanto, eu o amo e não quero deixá-lo."
"Eu a guardarei sob Meu Trono Celestial de Glória com os anjos"
– prometeu D’us.
"É melhor para mim permanecer no corpo de Moshê que
misturar-me com os anjos" – protestou a alma. "Ele é
tão puro quanto um anjo, embora viva na terra; por outro lado,
Você certa vez permitiu que dois anjos, Uza e Azael, morassem entre
os homens, e eles se corromperam. Moshê não vive com a mulher
desde o dia em que Você falou com ele da sarça ardente (segundo
uma opinião. Segundo outras, desde matan Torá). Por favor,
deixe-me no corpo de Moshê!"
Após ouvir a alma atestar sobre a pureza do corpo de Moshê,
D’us – por assim dizer – beijou Moshê. A alma
sentiu o inigualável prazer da Divina Presença (que era
maior que o prazer que ela derivava do corpo de Moshê) e retornou
para D’us.
Moshê é pranteado no Céu e na terra, e é sepultado
pelo Próprio Todo Poderoso
Os céus choraram, dizendo: "O homem piedoso pereceu na terra"
(Michá 7:2). A terra chorou, pranteando "… e o justo
entre os homens não é mais" (ibid.).
Os anjos o elogiaram: "Ele executou a justiça de D’us
e Suas leis com Yisrael" (Devarim 33:21).
Uma Voz Celestial proclamou: "Moshê, o grande escriba de Yisrael
(que escreveu a Torá para eles) morreu."
A Voz ainda o elogiou:
"Moshê trabalhou e adquiriu quatro coroas:
• A coroa da Torá, que ele trouxe à terra;
• A coroa da kehuna (quando ele oficiou como Sumo Sacerdote durante
a inauguração do Mishcan);
• A coroa da realeza;
• A coroa de um bom nome, que ele conquistou com suas boas ações."
Moshê morreu sobre o Monte Nevo, na porção de Reuven,
mas os anjos o carregaram por quatro mil até a porção
de Gad, onde ele estava destinado a ser sepultado.
Quando o aluno de Moshê, Yehoshua, soube da morte de Moshê,
pranteou: "Meu pai, meu pai, meu mestre, meu mestre! Meu pai, porque
você me criou; e meu mestre, que me ensinou Torá desde minha
juventude."
Ele continuou a chorar até que D’us finalmente o reprovou:
"Você é o único que perdeu Moshê? Eu, por
assim dizer, também o perdi. Quem mais se erguerá para repreender
os judeus por Mim, e para defendê-los como ele sempre fez? (Não
é adequado exprimir sua dor privada; ao contrário, pranteie
pela perda do grande líder do povo judeu.)
Um rei era provocado diariamente pela má conduta do filho. Estava
sempre prestes a executar o rapaz pela sua falta de respeito, mas a mãe
do príncipe sempre intervinha e aplacava o marido.
Quando a rainha morreu, o rei ficou excessivamente choroso. Ele explicou
aos nobres: "Choro não somente por ela, mas pelo futuro do
príncipe."
Assim D’us explicou aos anjos: "A perda de Moshê poderia
ter conseqüências trágicas para K’lal Yisrael.
Muitas vezes Eu fiquei irado com o povo judeu, mas Moshê sempre
implorava por eles e assim acalmava Minha ira."
O Próprio D’us enterrou Moshê nas planícies
de Moav, perto de Bait Peor.
Por que Moshê mereceu a grande honra de ser enterrado pelo Próprio
Todo Poderoso?
Antes de Benê Yisrael deixar o Egito, Moshê procurou o caixão
de Yossef durante três dias e três noites, para cumprir a
antiga promessa feita a Yossef, de enterrar seus ossos em Erets Yisrael.
Quando todos os judeus se reuniram para o Êxodo, cada qual carregado
com o ouro e prata egípcio, Moshê foi visto carregando apenas
o caixão sobre os ombros. Ele foi o homem sábio que aproveitou
a oportunidade para cumprir uma mitsvá.
D’us disse: "O que você fez pode parecer insignificante
para você, mas aos Meus olhos foi uma grande bondade. Yossef foi
obrigado a enterrar seu pai em Erets Yisrael porque ele era um filho.
Mas você não é filho nem neto de Yossef, e não
estava obrigado a cuidar de seu corpo. Mesmo assim, você o fez.
Eu, que não tenho qualquer obrigação com um ser humano,
o enterrarei."
Moshê faleceu em 7 de Adar, a data de seu nascimento, com cento
e vinte anos. Mesmo depois de seu falecimento, seu corpo não se
decompôs (devido à sua grande santidade).
A Nuvem de Glória não se afastou de cima do Mishcan durante
trinta dias depois da morte de Moshê. Assim, Benê Yisrael
permaneceu nas planícies de Moav para pranteá-lo.
Com
a morte de Moshê, o povo perdeu três grandes presentes:
O maná – O pão Celestial que tinha sido fornecido
pelo mérito de Moshê. Embora ele parasse de cair no dia da
morte de Moshê, o restante durou milagrosamente por mais um mês,
até 16 de Nissan. (No entanto, embora o maná durante a vida
de Moshê assumisse qualquer sabor que Benê Yisrael desejasse,
depois de sua morte tinha apenas um sabor. Os judeus tinham merecido encontrar
muitos sabores no maná, pois o fenômeno refletia sua descoberta
espiritual de "muitos sabores" no seu estudo de Torá.
Como o nível de estudo de Torá declinou após a morte
de Moshê, o sabor do maná não variava mais.) A 16
de Nissan os judeus cruzaram o Jordão para Erets Yisrael e levaram
a oferenda do ômer, que lhes permitia comer o novo cereal colhido
em Erets Canaã.
O Poço de Miriam – O Poço tinha deixado de fluir com
o falecimento de Miriam, mas voltou pelo mérito de Moshê
até que ele morreu.
As Sete Nuvens da Glória que rodeavam Benê Yisrael como muros
protetores no deserto, e o pilar de fogo que iluminava o caminho `åa
noite. As Nuvens tinham desaparecido com a morte de Aharon, mas voltaram
pelo mérito de Moshê e acompanharam Benê Yisrael até
que ele faleceu.
Cada um dos três presentes nos serão devolvidos por D’us
no mundo futuro.
D’us não permitiu que Moshê fosse enterrado em Erets
Yisrael. Ele foi sepultado no deserto, num local chamado pela Torá
de "Bait Peor", pelo seguinte motivo:
Ao adorar o deus Peor em Shittim e cometer prostituição
com as filhas de Moav, Benê Yisrael criou um Anjo Acusador. (O cometimento
de um pecado cria um anjo, ou força espiritual, que acusa o transgressor).
O Todo Poderoso já tinha preparado o local de sepultamento de Moshê,
o qual expiaria o pecado com Peor, durante os Seis Dias da Criação.
Embora a Torá descreva a localização do túmulo
de Moshê – na terra de Moav, em frente a Bait Peor –
ninguém conseguiu encontrá-lo.
Por que D’us ocultou o túmulo de Moshê da humanidade?
1 – D’us temia que antes da destruição do Bet
Hamicdash e do subseqüente exílio, os judeus fossem ao túmulo
de Moshê para chorar e gritar: "Moshê, suplica a D’us
para reverter a tragédia!" O enorme poder das preces de Moshê
após a morte teria cancelado a destruição. (D’us
não poderia permitir isso, pois então em vez disso Ele teria
de destruir o povo judeu).
2 – A localização do túmulo de Moshê
é desconhecida para impedir os judeus de oferecerem sacrifícios
e incenso ali, em vez de no Bet Hamicdash; além disso, para que
os gentios não o profanassem com estátuas idólatras.
3 – A ocultação de seu túmulo é também
um castigo para a falha de Moshê em agir em Shittim, onde Zimri
levou a princesa midianita Kozbi para sua tenda. Moshê deveria ter
feito um supremo esforço para lembrar-se da halachá adequada,
mas em vez disso ficou em desespero, deixando a aplicação
da lei para Pinchas, que assassinou Zimri.
Uma passagem subterrânea vai do túmulo de Moshê até
a Gruta de Machpelá, onde estão sepultados os Patriarcas.
Os
últimos oito versículos da Torá
Os últimos oito versículos da Torá relatam a morte
de Moshê e seu enterro: "E Moshê, o servo de D’us,
morreu ali na terra de Moav…"
Quem escreveu estes versículos?
R. Meir ensinou: "Moshê escreveu toda a Torá, do primeiro
ao último versículo. À medida que D’us ditava
um versículo, Moshê o repetia, e depois o anotava. Porém
os últimos oito versículos ele não repetiu, porque
estava sofrendo tanto. Ele os escreveu com lágrimas em vez de tinta,
e Yehoshua mais tarde os preencheu com tinta.
A profecia de Moshê e seus milagres superaram os de qualquer outro
Profeta
Moshê atingiu mais que qualquer outro homem na Torá em sabedoria
e profecia.
Nenhum outro profeta pôde conversar com D’us o tempo todo,
sem preparação, e vê-Lo com absoluta clareza.
Como a profecia de Moshê foi superior a todas as outras profecias,
nenhum profeta ou tribunal judaico pôde mudar ou apagar qualquer
palavra da Torá. Nenhum profeta posterior realizou maravilhas tão
abertamente quanto Moshê. Seus milagres foram testemunhados por
toda a nossa nação (mais de um milhão de almas).
Todo Israel viu como os primogênitos foram assassinados no Egito,
uma demonstração da força da mão de D’us,
e como Moshê abriu o Mar Vermelho. Eles vivenciaram a outorga da
Torá e testemunharam os milagres no deserto, aprendendo assim a
temer a D’us.
D’us deixou Moshê fazer milagres em meio a grande publicidade,
para que a Torá fosse adotada por todas as futuras gerações.
No futuro, o Próprio D’us realizará milagres semelhantes,
e ainda maiores.
A Torá termina com a palavra "Yisrael" e começa
com Bereshit/ "No princípio." Isso insinua que o mundo
foi criado para K’lal Yisrael, como está escrito: "Yisrael
é sagrado para D’us, o primeiro de Sua criação"
(Yirmiyáhu 2:3). D’us concebeu a criação do
universo pelo bem de Benê Yisrael, um povo que estudaria e cumpriria
Suas leis.
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