Desposar uma
mulher cativa
Moshê continuou a ensinar as mitsvot que se aplicam à época
em que o povo judeu vive em Erets Yisrael. Nestas, incluem-se mandamentos
a respeito da agro-pecuária e cuidado com animais; sobre vestuário,
vida familiar e comportamento comunitário.
Moshê também repetiu algumas mitsvot que não eram
novas, a fim de explicá-las mais ampla e profundamente. Por exemplo:
um judeu não pode vestir shatnez (uma mistura de lã e linho);
deve atar tsitsit a uma vestimenta de quatro cantos; e não se pode
utilizar pesos e medidas adulterados. Explicaremos agora algumas das novas
mitsvot.
Yefat Toar
Durante uma guerra, o exército judaico às vezes captura
inimigos e os mantém como reféns. O que acontece se um soldado
judeu vê uma mulher cativa e deseja casar-se com ela?
D’us disse: "Se Eu proibir os judeus de se casarem com não
judias cativas, alguns soldados podem não conseguir derrotar seu
yetzer hará (mau instinto).Eles pecarão, de qualquer maneira.
Portanto, permitirei isto; contudo, eles devem observar leis especiais,
bastante difíceis. Assim, talvez o soldado mude de idéia."
Que leis são estas? As leis de yefat toar aplicam-se apenas sob
a liderança de um rei judeu; atualmente, elas não se aplicam:
1. Quando o soldado judeu levar a yefat toar, a cativa de guerra, à
sua casa, ela deve raspar todo o seu cabelo.
Por que D’us ordenou isto? Talvez o soldado tenha se sentido atraído
pela sua beleza. Ao raspar seu lindo cabelo, ele poderia não desejá-la
mais.
2. Ela deve deixar suas unhas crescerem, para que tenham uma aparência
horrível.
3. Ela deve despir-se de suas belas vestimentas.
O soldado agora olharia para ela e se perguntaria: "Como pude sequer
pensar em casar-me com ela, em vez de com uma mulher judia? Ela não
é tão bela quanto pensei. Estava errado em querê-la!
Ele talvez a deixe ir, agora.
Contudo, se ainda a quiser como esposa, ela permanece em sua casa por
um mês. Ela deve se preparar para ser uma guiyoret (convertida).
Somente após a conversão um judeu poderia casar-se com ela.
Durante esse mês, ela deveria prantear seus pais, os quais estava
deixando. O soldado a veria chorando e infeliz. Isto poderia fazê-lo
pensar: "Será que eu realmente preciso de uma mulher assim?
Afinal de contas, talvez seja melhor não me casar com ela!"
Se ele ainda a quisesse, e ela concordasse em tornar-se judia, o Bêt
Din (tribunal) a tornaria guiyoret após um mês. Ela deveria
observar todas as mitsvot, e ser tratada como qualquer mulher judia.
No passado, era permitido a um homem ter mais de uma esposa. Se esse soldado
já tivesse uma esposa judia, a cativa tornava-se sua segunda esposa.
A Torá, através de uma alusão, adverte que ele provavelmente
odiará a yefat toar, a cativa de guerra.
Como sabemos disto?
Porque o próximo assunto do qual a Torá fala é sobre
um marido que tem duas esposas e odeia uma delas. Quando o soldado viu
a yefat toar pela primeira vez, ficou cego por sua beleza. Não
levou em conta se ela seria ou não uma esposa adequada para si.
Uma vez casado, começou a pensar: "Como pude querer essa moça?
Ela não é tão fina, delicada e educada como uma esposa
judia deve ser!" Ele se lamentaria e se arrependeria de ter se casado
com ela, até que, finalmente, começaria a odiá-la.
Se isso acontecesse, ele poderia pensar: "Farei dela uma escrava!
Ou talvez a venda como escrava!" Mas a Torá o proíbe
de agir assim: "Você a tomou por esposa, agora, deve tratá-la
bem!"
A herança
do primogênito e o filho rebelde
O primogênito
Um homem pode ter duas esposas e não gostar de uma delas. O que
acontece se seu filho primogênito é da esposa da qual ele
não gosta? O pai pode não querer legar-lhe seu duplo quinhão
de primogênito. Em vez disso, pode querer dar a porção
dupla ao filho de sua esposa favorita. A Torá o proíbe de
agir desta forma. Um pai não pode negar ao primogênito a
parte da herança que lhe cabe.
Porque esta lei aparece na Torá após o tema da yefat toar?
A Torá indica que mesmo que um judeu pudesse eventualmente odiar
a yefat toar, ele deveria tratar o primogênito que ela porventura
lhe desse de maneira justa e equânime.
A seguir, a Torá explica as leis do filho rebelde. Isto é
uma indicação de que a yefat toar poderia dar à luz
um filho assim.
Ben Sorer Umorê: o filho rebelde
O que é o "ben sorer umorê"?
Um exemplo: Um rapaz se torna bar-mitsvá, e nos três meses
seguintes, rouba dinheiro de seu pai. Com esse dinheiro, compra carne
e vinho. Ele passa o tempo com pessoas de má índole, e na
presença delas, devora carne semicrua, enfiando-a goela abaixo,
e traga o vinho sofregamente.
Duas pessoas testemunharam seus atos. Elas tentaram dissuadi-lo para não
comportar-se de forma tão rude e grosseira. Se o rapaz não
se corrigir, os pais podem levá-los a um Bêt Din de três
juízes, a fim de contar-lhes o que aconteceu. Os juízes
ordenam que o jovem seja açoitado (malkot), com o propósito
de melhorar seu comportamento. Todavia, o jovem reincide em seus erros.
Rouba novamente, empanturra-se de carne e embriaga-se de vinho, de maneira
indecente, na frente de seus amigos.
Seus pais agora o levam à presença de um Bêt Din de
vinte e três juízes. Se determinadas condições
forem preenchidas, o rapaz é condenado à morte. Ele é
chamado de "ben sorer umorê". Será que esse jovem
merece morrer, só porque roubou dinheiro e empanturrou-se de carne?
D’us disse: "É verdade, até agora ele é
culpado apenas de pequenos delitos. Porém se ele continuar a viver,
tornar-se-á um ladrão e assassino! É melhor que morra
jovem, do que cometa pecados mais graves."
Alguma vez um jovem judeu foi condenado à morte por ser ben sorer
umorê ?
A resposta é: Não! Jamais foram preenchidas todas as condições
necessárias. Por exemplo: o rapaz não pode ser condenado
à morte se roubou dinheiro de outra pessoa, que não seu
pai. Tampouco pode ser sentenciado à morte se não ingerir
a comida da maneira como nossos sábios chamam de "repugnante".
Além disso, se o rapaz ainda não tem idade de bar-mitsvá,
ou se já decorreram três ou mais meses desde seu bar-mitsvá,
as leis de ben sorer umorê não são aplicáveis.
Se esse caso realmente nunca aconteceu, porquê D’us pôs
esse assunto na Torá?
D’us queria que estudássemos estas leis por dois motivos.
O primeiro é para sermos recompensados por as termos estudado.
E o segundo é para que aprendamos uma lição. Por
exemplo: Os pais podem preferir ser lenientes com a desobediência
e gula de uma criança. Podem considerar sua má conduta como
relativamente inócua. A Torá, contudo, proclama: "Não
tolere seu comportamento! Não o declare inocente! É necessário
intervir!"
Essa questão desta forma ensina aos pais a obrigação
de educar seus filhos no caminho da Torá e mitsvot, e a repreendê-los;
e também inculcar neles os elevados e virtuosos valores judaicos.
Quando jovens, crianças não gostam dessas restrições;
mas, um dia, serão gratas a seus pais. Por isso, foram ensinadas
a seguir o caminho correto, tornarem-se judias cujas vidas são
pautadas pela Torá; disciplinadas, atenciosas e prestativas. Foram
educadas para verdadeiramente aproveitar a vida. Uma criança mimada
e egoísta transformar-se num adulto infeliz. Todavia, uma criança
que se transforma num adulto realizado, decidirá: "Educarei
meus filhos da mesma maneira!"
O rei Salomão admoesta (Mishlê, 1:8): "Shemá
bení mussar avicha, ve al titosh torat imecha" - "Ouça,
meu filho, os conselhos de teu pai, e não te afastes dos ensinamentos
de tua mãe."
Devolução
de objetos perdidos
Hashavat Avedá: Devolvendo um objeto perdido
Se alguém encontrar um objeto perdido, é mitsvá devolvê-lo
ao proprietário. Contudo, se o objeto vale menos que uma perutá
(cerca de dez centavos de real), não é necessário
devolvê-lo. Também não é preciso devolver algo
que o dono não possa identificar.
Um exemplo: você encontra uma nota de R$100,00 no chão. Todas
as notas de R$100,00 se parecem, e o dono, provavelmente, não a
reconheceria. Portanto, o dinheiro é seu. Se o dinheiro, porém,
estiver dentro de uma carteira, deve-se guardar a carteira com o dinheiro,
até que o dono a reclame. Antes de devolvê-la, pede-se que
o dono descreva a carteira. Se a descrição for correta,
esta precisa ser devolvida. Colocam-se avisos pela vizinhança,
notificando o fato de ter encontrado uma carteira. Não se pode
usar a carteira, mesmo se o dono nunca a reclamar.
A mitsvá de devolver os objetos perdidos "aparece" em
nossa vida com freqüência. É uma oportunidade de cumprir
mais uma mitsvá!
Na época do Bet Hamicdash havia um local fora de Yerushalayim,
para guardar objetos perdidos. Quem achasse um objeto, poderia ir até
lá e anunciar seus achados; e os que perdessem algo, poderiam lá
reclamar suas perdas. Após a destruição do Templo,
proclamas de achados e perdidos eram realizados nas sinagogas e Batê
Midrashim (casas de estudos).
Histórias
Como nossos sábios cumpriam esta mitsvá
Certa vez, Rabi Shemuel bar Susretei viajou a Roma. Lá, ouviu um
servo real proclamar: "A rainha perdeu um bracelete precioso! Quem
quer que o encontre dentro de trinta dias receberá uma recompensa
de 1000 peças de ouro. Se o bracelete for encontrado em posse de
alguém após os trinta dias, ele será morto!"
A rainha tinha certeza de que a recompensa em moedas de ouro seria um
incentivo para que procurassem o bracelete. Esperava que em breve alguém
o encontrasse e devolvesse.
Um belo dia, Rabi Shemuel estava andando na praia, quando avistou algo
brilhando na areia. O bracelete perdido! Rabi Shemuel guardou o bracelete
até que os trinta dias findassem. Só então ele o
devolveu à rainha.
"Você sabe que há uma punição por devolver
o bracelete após trinta dias?
"Sim," respondeu Rabi Shemuel.
"Porquê, então, você esperou tanto antes de devolver
o bracelete?" perguntou ela.
"Queria mostrar a você," explicou Rabi Shemuel, "que
a razão de eu ter devolvido o bracelete não é porque
a temo, mas porque temo a D’us!"
"Louvado seja o D’us dos judeus!" exclamou a rainha.
A mitsvá de hashavat avedá aplica-se quando trata-se de
um proprietário judeu. Contudo, é uma obrigação
judaica devolver um objeto perdido a qualquer pessoa, pois nosso comportamento
em todas as esferas da vida deve ser o de fazer kidush Hashem (santificar
do nome de D’us).
Nossos sábios nos contam também acerca da extraordinária
maneira como Rabi Pinchas ben Yair cumpria essa mitsvá. Certa vez,
dois judeus deixaram com ele duas medidas de grãos de trigo. Rabi
Pinchas semeou-os, e depois armazenou a colheita em seus silos. Sete anos
depois, os dois judeus retornaram.
Rabi Pinchas mostrou-lhes um armazém repleto de grãos e
disse-lhes: "Tudo isto é de vocês!"
Rabi Pinchas ben Yair era um grande tzadic. Ele fez mais do que a mitsvá
requeria. Teria sido suficiente se ele simplesmente guardasse o trigo.
Ou, se o trigo estivesse começando a se estragar, ele poderia ter
vendido o trigo e entregue o dinheiro aos proprietários.
A mitsvá
de ajudar um judeu a carregar seu animal
Se uma pessoa está viajando por uma estrada, e percebe um companheiro
judeu cujo animal arriou, devido à pesada carga em suas costas;
ela não deve continuar a viagem, mas sim, parar e ajudar o proprietário
a descarregar o fardo que está sobre o animal. Também é
uma mitsvá ajudar um judeu a carregar seu animal.
O que acontece se o dono do animal disser: "Por favor, coloque a
carga sobre o animal para mim," mas não quiser ajudar?
Não somos obrigados a fazer o todo o trabalho sozinho. Porém,
se ele se recusar a ajudar a descarregar, precisamos fazer esta tarefa
sozinhos. Já que o animal está sentindo desconforto e sofrendo,
devemos fazer de tudo para evitar tzaar baalê chaim, causar sofrimento
a um ser vivo. Neste caso, contudo, pode-se exigir pagamento por este
trabalho.
A Torá quer que colaboremos com um judeu que necessita de auxílio.
Vestimentas
apropriadas
Um homem judeu não pode vestir trajes ou jóias normalmente
utilizados por mulheres, e uma mulher não pode usar roupas masculinas.
"Lo yihyê kli guever al ishá, velo yilbash guever simlat
ishá"; "Não haverá traje de homem na mulher,
e não usará o homem vestimenta de mulher." ( Ki Tetzê,
22:5)
A Torá quer que respeitemos e preservemos a distinção
que D’us criou entre os sexos. A proibição impede
um homem de vestir-se como mulher a fim de misturar-se com mulheres, e
vice-versa, evitando, assim, imoralidade e promiscuidade, abominadas por
D’us.
De acordo com o Midrash, armas são consideradas artigos masculinos;
portanto, mulheres são proibidas de carregá-las. (Mesmo
sem carregarem armas, a Torá proíbe a presença de
mulheres no exército, uma vez que esta mistura leva à devassidão.
Nota: Em Israel há jovens religiosas que servem o país desempenhando
outras funções que valem como serviço militar e que
não ingringem a Torá.)
Afastar o
pássaro-mãe de seu ninho
Kan tzipor
Se um judeu quiser pegar os ovos ou os filhotes de um ninho, ele deve,
antes, afugentar o pássaro-mãe. Se a ave retornar, ele precisa
afugentá-la novamente. Não é permitido pegar os ovos
ou os filhotes do ninho enquanto a mãe ainda estiver perto. Esta
mitsvá se aplica apenas às aves selvagens casher. Se alguém
cria patos ou galinhas em seu quintal, pode pegar os ovos.
A Torá não nos diz porque temos de afugentar a mãe
do ninho. Uma explicação é que D’us não
quer que destruamos uma família inteira de pássaros de uma
vez. Do mesmo modo, Ele proibiu-nos de abater a mãe de um animal
e suas crias no mesmo dia. Estas mitsvot nos ensinam a sermos misericordiosos.
Outra explicação é que a mãe-pássaro
fica muito triste ao ser separada de seu ninho. Ela chora de sofrimento,
despertando, assim, a misericórdia de D’us. Por conseguinte,
D’us é misericordioso com todos os que por Ele clamam.
Contudo, não precisamos de uma explicação para cumprirmos
uma mitsvá. Ao realizar uma mitsvá, devemos pensar: "Fazemos
a mitsvá porque D’us a ordena!"
Qual a recompensa da mitsvá de de afugentar a mãe do ninho?
A Torá promete: "Será bom para ti. Terás uma
vida longa."
Que outra mitsvá da Torá promete vida longa? A mitsvá
de honrar os pais.
É muito mais difícil cumprir a mitsvá de honrar os
pais que a de afugentar a mãe do ninho. A mitsvá de kibud
av vaem (honrar pai e mãe) demanda muito mais tempo e dedicação!
Afugentar a mãe do ninho, em comparação, é
bem mais simples. Não constitui grande esforço, e leva só
alguns instantes.
Como a Torá pode prometer a mesma recompensa tanto para uma mitsvá
difícil como para uma fácil?
O seguinte mashal, parábola, nos ajudará a compreender.
O jardim do rei
Um rei possuía um lindo jardim, com diversas espécies de
árvores, como laranjeiras, macieiras e pereiras. No jardim também
cresciam plantas raras, e verduras fresquinhas. O rei contratou jardineiros
para cuidarem do jardim. Cada jardineiro era responsável por uma
planta.
Ao término de um mês, o rei mandou que todos os jardineiros
se apresentassem, pois ele iria lhes pagar. O rei perguntou ao primeiro
jardineiro: "De que planta você cuidou?"
"Da pimenteira," respondeu o operário.
"Por isso, você receberá uma moeda de ouro," disse-lhe
o rei. Satisfeito, o trabalhador recebeu seu salário e saiu.
"Você cuidou de que planta?" perguntou o rei ao próximo
trabalhador.
"Cuidei das esplêndidas flores brancas," replicou o jardineiro.
"Por isso, você receberá meia moeda de ouro," disse
o rei.
Ao questionar o terceiro jardineiro, este respondeu que cultivara a oliveira.
"A oliveira me é muito cara," disse o rei. "Você
receberá duzentas moedas."
E desse modo, o rei pagou todos os jardineiros. Alguns receberam altos
salários, outros bem menos. Não demorou muito para que os
jardineiros começassem a discutir e brigar entre si.
"Sua Majestade," reclamaram, "porque não nos disse
o salário para cada planta antes que começássemos
a trabalhar? Assim, poderíamos ter escolhido com quais plantas
trabalharíamos!"
"É exatamente por isso que não lhes revelei seu salário
de antemão," sorriu o rei. "Preciso de todas as plantas
deste jardim. Se eu tivesse lhes dito que o pagamento para determinadas
plantas é menor, ninguém se daria ao trabalho de cultivá-las."
A lição da parábola
D’us quer que cumpramos tantas mitsvot quantas forem possível.
Se Ele nos tivesse dito de antemão a recompensa para cada mitsvá,
as pessoas se dedicariam mais para cumprir as mitsvot de maior relevância,
e negligenciariam as de menor recompensa. Para nos mostrar que não
devemos tentar calcular que mitsvá é mais "valiosa",
D’us nos dá a conhecer que ambas as mitsvot, honrar os pais
e afugentar a mãe do ninho têm a mesma relevância.
Disto aprendemos que não podemos saber a recompensa de cada mitsvá
. Isto nos ajuda de duas maneiras:
1. Cumpriremos igualmente todas as mitsvot.
2. Cumpriremos as mitsvot leshem shamayim, para cumprir a vontade de D’us,
e não por termos alguma recompensa em mente.
Fazer cercas
Maakê – Construir cercas em áreas perigosas
Moshê ordenou: "Se você se mudar para uma casa com laje
ou varanda que utilizará, deve imediatamente construir uma forte
cerca protetora que a circunde."
A cerca deve ter no mínimo dez tefachim (80 cm) de altura.
D’us protege os tsadikim de qualquer infortúnio. Não
obstante, temos de tomar precauções contra acidentes, pois
D’us quer que ajamos de acordo com as leis da natureza, que Ele
criou.
Também é proibido que alguém deixe largados em sua
propriedade objetos perigosos ou que ofereçam riscos, tais como
uma escada quebrada. Esta mitsvá também se refere a qualquer
situação perigosa, como piscinas ou escadas altas.
Se alguém ferir-se ou morrer porque um proprietário não
tomou as devidas precauções, este é culpado pelo
acidente; apesar de que nenhum acidente ocorre acidentalmente", ou
seja, sem o consentimento Divino. Não obstante, somos advertidos
para não sermos os agentes culpados de algum infortúnio.
Histórias
Nossos sábios preocupavam-se com a segurança
Certa vez, na cidade de Nahardaya, em Bavel, havia um muro instável.
Contudo, as pessoas passavam perto dele. Elas asseveravam umas às
outras, dizendo: "Este muro está assim há treze anos,
e nunca ocorreu nenhum acidente. Provavelmente, é seguro!"
Todavia, dois sábios, Rav e Shemuel recusavam-se a andar rente
ao muro. "É perigoso," diziam. Eles sempre se desviavam
de seu caminho, para não passar perto do muro.
Um dia, Rav Ahada bar Ahava, que era um grande tsadic, visitou os chachamim
(sábios).
Os três saíram juntos, e chegaram perto do muro. Shemuel
disse a Rav: "Vamos circundá-lo, como sempre fazemos."
Rav replicou: "Desta vez não será necessário,
pois Rav Ahada está conosco. Seu zechut (mérito) é
tão grande que tenho certeza de que nenhum mal nos sucederá."
Outro sábio, Rav Huna, estava preocupado com sua adega. As paredes
estavam tão vacilantes que ele temia entrar na adega. Mas era uma
pena desperdiçar tantos barris de vinho. Se as paredes ruíssem,
esmagariam os barris, e o vinho se perderia.
"Como posso retirar o vinho em segurança?" perguntou-se
Rav Huna. Então, teve uma idéia: "Sei que as paredes
não tombarão enquanto o tsadic Rav Ahada lá permanecer.
Vou chamá-lo."
Rav Huna convidou Rav Ahada à sua casa. Eles discorreram sobre
assuntos da Torá. Rav Huna e seu convidado adentraram a adega,
enquanto continuavam a falar de temas da Torá. Rav Huna fez sinal
para que seus criados removessem os barris para fora. Assim que a adega
foi evacuada, Rav Huna conduziu seu inocente amigo para fora. Neste instante,
as paredes ruíram! Quando Rav Ahada percebeu que foi usado para
salvar o vinho de seu anfitrião, ficou aborrecido:
"Você correu um grande risco," reclamou para Rav Huna.
"Não sou um tsadic perfeito. Poderíamos ambos termos
sido soterrados sob os escombros! Ninguém pode colocar-se numa
situação de perigo e então confiar num milagre que
o salvará!"
Vemos dessa história que Rav Huna não se considerava um
tsadic fora do comum. Era um homem muito humilde, a despeito de sua grandeza.
O Talmud nos conta muitas coisas maravilhosas sobre Rav Huna. Em seus
últimos anos, sempre que havia uma forte tempestade, costumava
percorrer a cidade numa carruagem. Ele inspecionava todas as casas, para
verificar quais delas eram seguras. Quando avistava uma parede cujas estruturas
estavam abaladas, aconselhava o proprietário a reconstruí-la.
Com freqüência, Rav Huna encontrava um pobre cuja choupana
era frágil. Caso o pobre lhe dissesse: "Não posso arcar
com as despesas de uma reforma." Rav Huna contribuía com seu
próprio dinheiro para reconstruir a casa.
Mitsvá goreret mitsvá
Dizem nossos sábios: Um pecado leva a outro, uma mitsvá
atraí outra.
Como as mitsvot desta parashá estão relacionadas umas às
outras?
A parashá começa com o tema da yefat toar. Se um judeu se
casar com uma yefat toar, ele terá duas esposas. Elas discutirão,
e o marido logo odiará uma delas. A yefat toar provavelmente dará
à luz um ben sorer umorê (filho rebelde).
O início da parashá nos mostra como uma averá leva
à outra.
Analogamente, mitsvot conduzem a mais mitsvot.
Se alguém cumpre a mitsvá de afugentar o pássaro-mãe
de seu ninho, D’us o recompensará com uma casa. Então,
ele terá a chance de cumprir a mitsvá de construir uma cerca
de proteção (maakê). Em decorrência disto, D’us
lhe dará campos, onde cumprirá a mitsvá de kilayim
(não semear duas espécies diferentes juntas). D’us,
então, lhe concederá animais, com os quais cumprirá
a mitsvá de não arar sua plantação usando
dois animais diferentes, atrelados juntos.
Como recompensa, D’us lhe dará roupas com as quais poderá
agora cumprir a mitsvá de tsitsit. E assim a lista continua.
Casamentos
proibidos
Moshê continuou a explicar as leis sobre a vida familiar judaica.
Geralmente, é permitido casar-se com um não judeu, homem
ou mulher, desde que ele(ela) tenha se convertido ao judaísmo conforme
a Halachá, Lei Judaicae passa a cumprir todas as mitsvot. Contudo,
há exceções, como veremos na tabela abaixo.
Casamentos
entre judeus e não judeus
Nação
___________________
Guer (Convertido) __________________ Guiyoret (Convertida)
Amon
____________________
Proibido
__________________________
Permitido
Moav _____________________
Proibido __________________________
Permitido
Edom _____________________
Permitido na 3ª geração ______________
Permitido na 3ª geração
Egito ______________________
Permitido na 3ª geração ______________
Permitido na 3ª geração
Explicando a tabela:
Convertidos de Amon e Moav
Moshê explicou: " Os amonim e moavim são descendentes
de Lot, sobrinho de Avraham. Lot devia sua vida a Avraham. Avraham resgatou-o
quando foi capturado pelos quatro reis que conquistaram Sedom. O mérito
de Avraham também salvou Lot quando os perversos de Sedom foram
destruídos.
"Amon e Moav deveriam ter sido bondosos e solícitos com Benê
Yisrael, pois devem sua própria existência a Avraham Ao invés
disso, foram cruéis. Quando Benê Yisrael aproximaram-se das
terras de Amon e Moav, o povo não ofereceu pão e água
a Benê Yisrael. Eles não sabiam que os judeus tinham o man
e o poço de água de Miriam. Sabiam que Benê Yisrael
estavam cansados e famintos, porém recusaram-se a oferecer-lhes
hospitalidade. Moav chegou até a contratar o feiticeiro Bil’am
para maldizer Benê Yisrael. Como tinham mau caráter D’us
não queria que o povo judeu se casa-se com eles."
Mas porque é permitido que suas mulheres convertidas casem-se com
judeus?
As mulheres moabitas e amonitas não têm culpa de terem negado
hospitalidade. Não seria um ato de recato as mulheres terem saído
para saudar estrangeiros com alimentos. Isto era uma obrigação
exclusiva dos homens, não das mulheres. Outro motivo pelo qual
D’us proíbe o casamento com amonitas e moabitas é
porque, em Shitim, eles enviaram suas filhas para que Benê Yisrael
caíssem em tentação e pecassem. Tentar destruir o
povo judeu espiritualmente é muito mais grave sua destruição
física.
Convertidos de Edom
Convertidos de Edom, homens ou mulheres, podem casar-se com outros convertidos
(de sua nação ou de uma outra diferente), mas não
com um judeu de nascimento. Seus filhos também só poderão
casar-se com guerim. Mas seus netos, homens e mulheres, podem casar-se
com judeus natos.
Por quê?
Os edomitas são descendentes de Essav. São parentes próximos
de Benê Yisrael, e têm o mérito de descender dos santos
filhos de Avraham. Por este motivo, D’us releva o mal que fizeram
a Benê Yisrael. Quando Benê Yisrael se aproximou do país
de Edom, os edomitas mobilizaram seus exércitos. Agiram belicosamente,
pois foram ensinados por seus antepassados que Yaacov tomou a primogenitura
de Essav.
A terceira geração de convertidos egípcios
Assim como os edomitas, os convertidos egípcios precisam aguardar
até a terceira geração para casar-se com judeus natos.
Transcorridas essas gerações, eles poderiam casar-se com
Benê Yisrael.
Isto é surpreendente. Acaso os egípcios não escravizaram
nosso povo? Acaso não causaram enorme sofrimento ao Povo de Israel?
Como lhes é dada esta permissão?
Quando Yaacov e sua família desceram ao Egito, durante a fome,
os egípcios os convidaram a ficar. No princípio, trataram
bem os judeus.
Divórcio
e Leis sobre garantia de empréstimos
O Guet
A Torá não exige que um casal que não se entenda
permaneça atado um ao outro até o fim de suas vidas. Mesmo
assim, nossos sábios, os mais humildes e pacientes dos homens,
toleravam esposas geniosas e irritantes, como nos ilustram os casos a
seguir:
A esposa de Rav causava-lhe constantes aborrecimentos. Quando ele lhe
pedia que cozinhasse lentilhas, ela cozinhava ervilhas, e vice-versa.
Quando seu filho, Chiya, cresceu e começou a levar mensagens de
seu pai para sua mãe, compreendeu que deveria invertê-las,
para que seu pai recebesse o prato que realmente queria.
Rav comentou com seu filho: "Sua mãe melhorou."
"Ela melhorou porque sempre lhe digo o contrário do que você
pede," elucidou o garoto.
Apesar de admitir que foi uma ótima idéia, Rav proibiu seu
filho de continuar a trocar as instruções. "Ninguém
deve acostumar-se a mentir," explicou.
Não obstante a esposa de Rabi Chiya causar-lhe muitos aborrecimentos,
ele mesmo assim levava-lhe presentes. Quando Rav indagou a seu filho,
Rabi Chiya, o porquê, ele retrucou:
"Ficamos satisfeitos por nossas esposas educarem nossos filhos, e
nos salvarem de pensamentos pecaminosos."
Podemos perceber o quão importantes e vitais são a paciência
e autocontrole para manter a harmonia no lar (shalom bayit).
Contudo, se um divórcio é inevitável, a Torá
ordena um judeu a dar o guet, um documento de divórcio, à
sua esposa. Assim como um casamento judaico tem status legal somente se
forem realizadas as cerimônias de chupá e kidushin, também
um divórcio requer um guet, um documento cujo texto exato envolve
muitos detalhes. Qualquer discrepância nas exigências haláchicas
no tocante às palavras ou ao estilo invalida o guet.
Se um guet está haláchicamente inválido, a esposa
"divorciada" continua a manter seu status de mulher casada.
Casar-se com outro marido constitui adultério, e uma criança
que nasça deste matrimônio é um mamzer (proibido de
se casar com um judeu nato). A fim de evitar danos irreparáveis
para as futuras gerações, é de vital importância
entrar em contato com um rabino ortodoxo perito em administrar um guet
de acordo com a halachá, para que o guet seja válido.
Se o rabino não souber todo o procedimento do divórcio,
ele deve indicar ao casal uma autoridade haláchica competente,
caso contrário, são inválidos, de acordo com a lei
da Torá, e causam tragédias irreparáveis.
O guet protege a santidade do casamento (similarmente ao kidushin, a cerimônia
de casamento realizada em público e perante testemunhas). Os diversos
detalhes haláchicos de como escrever um guet também impedem
que o marido queira, num ímpeto, "divorciar-se" de sua
esposa quando, digamos, ele estiver de mau humor.
Se um judeu divorcia-se de sua esposa e esta casa-se novamente, a Torá
proíbe que seu primeiro marido case-se de novo com ela, mesmo após
a morte do segundo marido, ou se ela divorciou-se dele. Esta proibição
impede a possibilidade de trocas previamente combinadas de esposas, sob
o manto protetor da legalidade.
Leis sobre garantia de empréstimos
Enumeramos algumas leis da Torá sobre garantias de empréstimos:
*Não se pode aceitar como garantia algo que o comodatário
necessite para preparar seus alimentos; por exemplo: a mó que ele
utiliza para moer a farinha.
*Também não se pode confiscar do comodatário a faca
para shechitá, seu forno, ou qualquer outro objeto necessário
para o preparo de refeições.
Se você emprestar dinheiro a alguém e esquecer-se ou não
se der ao trabalho de pedir uma garantia, você não poderá
exigi-la depois. Em vez disso, você dirá ao Bet Din (tribunal)
que emprestou dinheiro a alguém e quer uma garantia. O Bet Din
enviará mensageiros que exigirão uma garantia. É
proibido ao mensageiro do Bet Din até mesmo entrar na casa do comodatário.
Ele deve esperar do lado de fora até que o comodatário lhe
traga a garantia.
*O que acontece se o comodatário for tão pobre que não
possua nada valioso para usar como garantia? Ele pode dizer ao cedente:
"Você pode reter minhas roupas como garantia." Se ele
der seus pijamas, e não tiver outros, a Torá ordena que
o cedente devolva os pijamas toda noite. Em seu lugar, o cedente pode
reter as roupas diurnas do comodatário durante a noite. De manhã,
o cedente pode pegar os pijamas novamente. Se o comodatário der
as roupas que veste de dia ao cedente, este poderá retê-las
apenas durante a noite, e é obrigado a devolvê-las todas
as manhãs.
*Ninguém pode aproveitar-se de um judeu, e fazê-lo sofrer
porque deve dinheiro.
A Torá nos inculca traços de caráter positivos.
Se uma viúva pedir um empréstimo, não se pode pedir-lhe
garantia. A Torá compreende que a vida de uma viúva é
difícil. Não devemos dificultar-lhe ainda mais, pedindo-lhe
garantias.
As mitsvot
de yibum e sobre pesos e medidas
Yibum
Quando um homem morre sem ter deixado filhos, a Torá ordena que
seu irmão case-se com a viúva. Isto se chama um casamento
yibum.
Se deste matrimônio nascer um filho, ele é considerado filho
do falecido irmão. Sua alma encontra descanso e consolo no Gan
Eden por causa do nascimento desta criança. Este filho herda as
propriedades do falecido. Porém, se o irmão do falecido
recusa-se a se casar com a viúva, eles devem dirigir-se ao Bet
Din da cidade. A viúva deve descalçar os sapatos de seu
cunhado perante os juízes. Ela cospe no chão, na frente
do cunhado, e diz: "Isto é o que acontece com aquele que se
nega a construir a família de seu irmão!"
Esta cerimônia se chama chalitsá. Após a chalitsá,
a viúva está livre para casar-se com quem desejar. Nos casos
em que o cunhado e a viúva são realmente incompatíveis,
o próprio Bet Din os dissuade de casarem-se.
Atualmente, não se realizam mais casamentos através de yibum.
O costume é fazer somente a chalitsá.
A proibição de possuir falsos pesos e medidas
A Torá exige que um judeu utilize pesos e medidas perfeitamente
exatos e precisos. Não somente é proibido gerir os negócios
com pesos incorretos, mas também é proibido tê-los
em casa. Aquele que frauda e trapaceia com pesos ou medidas adulterados
é odioso e abominável aos olhos de D’us. "Você
pode enganar seu próximo, mas não pode enganar a Mim. Assim
como Eu sabia quem eram, na verdade, os primogênitos no Egito (inclusive
os nascidos fora dos laços matrimoniais), também sei quem
é desonesto com os pesos e medidas, e os punirei."
D’us promete que recompensará com abundância material
aquele que é meticulosa e cuidadosamente honesto com os pesos e
medidas de suas mercadorias.
Relembrando
Amalec
A Torá ordena: "Lembre-se do que Amalec fez a você logo
após a saída do Egito!" D’us dividiu o Yam Suf
(Mar Vermelho) e afogou os egípcios. Todas as nações
tremiam, apavoradas. Apenas Amalec ousou atacar. Eles queriam mostrar
que D’us é fraco, e destruir Seu povo.
"E naqueles dias você estavam cansados de viajar." Os
amalequitas atacaram secretamente, de surpresa, pela retaguarda, os judeus
que andavam do lado de fora das Nuvens de Glória.
"Após estabelecer-se em Êrets Yisrael, o rei judeu deve
destruir totalmente a nação de Amalec. Não deve poupar
uma alma sequer."
Shaul, o primeiro rei de Israel, foi ordenado a guerrear e destruir todos
os amalequitas. Ele venceu a guerra e matou todos os soldados Tomou Agag,
o rei amalequita como prisioneiro.
Agag implorou a Shaul que este poupasse sua vida. "Tenha misericórdia!
Porque devo ser destruído?" suplicou Agag a Shaul.
Shaul sentiu pena de Agag, e deixou-o viver. Shaul também não
matou todos os animais dos amalequitas, como a Torá exigia. O erro
de Shaul causou trágicos resultados. Para entender melhor, leia
a história a seguir.
Uma história
A erva vivificante
Um homem que viajava a Êrets Yisrael viu dois pássaros brigando.
Ao final, um matou o outro. Apareceu um terceiro pássaro, com uma
erva em seu bico. Este colocou a erva sobre o corpo do pássaro
morto e algo espantoso aconteceu: o pássaro morto voltou à
vida.
"Isto é incrível!" exclamou o homem. Ele correu,
para conseguir a erva.
"Agora poderei ressuscitar os judeus mortos em Êrets Yisrael!"
declarou alegremente.
O homem colocou a preciosa erva na sua mochila e continuou seu caminho.
Pouco depois, avistou uma raposa morta num campo. "Vejamos se isto
funciona mesmo," pensou, e colocou a erva sobre a raposa. Esta abriu
os olhos e saiu andando!
O homem ficou maravilhado. Logo passou por um leão morto à
beira da floresta. "Se a erva puder trazer um leão de volta
à vida," pensou, "saberei que é realmente poderosa."
Colocou a erva sobre o leão. Este levantou-se com um estrondoso
rugido. Quando o leão avistou o homem, abriu a boca imediatamente
e devorou-o.
O rei Shaul pensou que estava sendo bondoso poupando a vida de Agag. Qual
foi o resultado?
Agag teve um descendente, Haman, que tentou aniquilar todo o povo judeu
de uma só vez!
É uma mitsvá ler os versículos do final desta parashá
uma vez por ano. Nós os lemos no Shabat que antecede Purim. Desta
maneira, cumprimos o mandamento da Torá de lembrar o que Amalec
fez ao povo judeu. A história de Purim nos conta como Haman, o
iníquo e perverso descendente de Amalec quis destruir o povo judeu;
mas D’us os salvou. Na época de Mashiach Amalec será
completamente destruído.