Maamar Bati Legani
“Vim ao meu jardim”
Maamar escrito pelo Rebe Anterior, Rabi Yossef Yitschac Schnersohn z”l
e divulgado em Yud Shevat (10 de Shevat) de 5740. Neste mesmo dia o
Rebe anterior faleceu. Tornou-se costume entre os chassidim estuda-lo
nesta data.
Esperamos que esta tradução traga inspiração
para aumentar o estudo da Torá e o cumprimento das Mitsvot e
será mais um passo na propagação das fontes Chassidicas
para fora.
(Tradução Livre)
Com a Ajuda de D’us
Shabát Parashát Bó – 10 de Shevat 5710
Aniversário do falecimento de sua venerável avó
a Rabanit Tzidcanit Rivka, de abençoada memória, cujo
mérito nos proteja.
“Vim ao meu jardim, minha irmã, minha noiva” [Cântico
dos Cânticos V:1].
[O Midrash explica que o Cântico dos Cânticos não
é um simples romance, mas uma metáfora que descreve o
relacionamento entre D’us e o povo judeu]. E comenta o Midrash
Rabá (ibid.): “Não está escrito ao jardim,
mas sim, ao Meu jardim particular, ao lugar onde originalmente Minha
essência foi revelada...”
E o Midrash continua: “No início da Criação,
a essência da Divindade estava nos níveis inferiores. Porém,
através do pecado da Árvore do Conhecimento, a Divindade
transportou-se da Terra ao Firmamento, ao segundo e terceiro. E posteriormente,
na geração do Dilúvio, do terceiro para o quarto.
“Este fato pode ser visto no versículo: “Eu (Adão
e Eva) ouviram a voz do Eterno D’us deslocando-se pelo jardim”
[Gênesis III: 8]. Falou Rav Ava: Não está escrito
“andando,” mas “deslocando-se;” o Midrash explica
andando e saltando, andando e saltando.
O Midrash continua explicando que (após sete pecados que levaram
a Divindade até o sétimo Firmamento) surgiram sete Tsadikim
(justos) que trouxeram novamente a revelação da Divindade
à Terra. Pelo mérito de Avraham, a Divindade desceu do
sétimo ao sexto Firmamento; pelo de Yitschac, a Divindade desceu
do sexto ao quinto Firmamento, até que Moshê, que é
o sétimo dos justos (e o Midrash Vayicrá Rabá 29:11
diz que todos os sétimos são queridos) mereceu revelar
novamente a Divindade na Terra.
E o principal da revelação da Divindade encontrava-se
no Beit Hamicdásh (Templo Sagrado), conforme está escrito:
“E que eles me façam um Santuário e Eu repousarei
dentro deles” [Êxodus XXV: 8]. Não está escrito
“dentro dele” (Santuário), mas sim, – “Dentro
deles”; isto significa, dentro de cada um. [A Divindade não
se restringe ao Templo, mas pode ser encontrada no coração
de cada judeu. Cada judeu tem em si o potencial para ser um templo para
a Divindade.]
E este é o significado do versículo: “Os justos
herdarão a Terra e habitarão nela para sempre” [Salmos
XXXVIII : 29] – onde “os justos herdarão a Terra”
refere-se ao Gan Éden (Paraíso ). Por quê? Porque
os justos fazem repousar (isto é, atraem ) a característica
de “Ele habitará eternamente, exaltado e sagrado [é
Seu Nome]” de forma revelada, neste mundo material.
Através da revelação da Divindade no Templo e,
mais particularmente, através da revelação da Divindade
no coração de cada judeu, podemos entender a interpretação
do versículo:.
“Vim ao meu jardim, ao Meu jardim particular,” ao local
onde se encontrava Sua essência no início, pois a essência
da Divindade encontrava-se nos níveis inferiores.
O principal propósito da Criação e concretização
dos mundos é que o Santíssimo, Bendito seja, desejou ter
uma moradia nos níveis inferiores; que haja uma revelação
de Divindade em baixo, através do trabalho do homem de submissão
e conversão de sua natureza física.
Que a alma que provém dos níveis espirituais, desça
para vestir-se no corpo material e na alma animal. E estes ocultarão
e esconderão a luz da alma divina e, apesar disso, a alma há
de agir, provocando a refinação e purificação
do corpo, da alma animal e também de seu quinhão no mundo.
E este é o significado de “E que eles me façam de
cada um, através do Trabalho de refinamento pela maneira de submissão
e conversão de sua natureza física.”
O Tanya (mencionando o Zohar, parte II, pág. 128) nos traz: “quando
a Sitra Achra [termo cabalístico que designa as forças
opostas à Santidade] é submetida, revela-se a Glória
do Santíssimo, Bendito seja, por todos os mundos.” A expressão
“ por todos os mundos” refere-se ao nível da luz
Divina que ilumina a todos os mundos igualmente, ou seja, a luz envolvente
de todos os mundos (O Hassovêv Col Almin).
Há distinções de níveis espirituais nos
mundos; os mundos superiores não se assemelham aos inferiores.
Nos mundos superiores a luz brilha de forma revelada, enquanto nos mundos
inferiores, a luz não brilha com tal revelação.
Em alguns níveis a luz surge de forma oculta e escondida.
O midrash [Pirkê de Rabi Eliezer, cap. 18] refere-se a esses diferentes
níveis em seu comentário sobre o versículo: “Minha
Mão estabeleceu a Terra e Minha Direita alçou os Céus”
[Isaías XLVIII : 13], dizendo: “Estendeu Sua Direita e
criou os Céus e estendeu Sua Esquerda e criou a Terra.”
[Como se sabe, na tradição judaica é dada maior
importância à mão direita do que à esquerda.]
O Midrash explica que a mão direita indica luz e maior revelação.
Este é o significado de “Sua Direita alçou os Céus,”
onde o termo “Céus” refere-se aos mundos superiores,
cuja revelação ocorre de uma maneira “direita”,
ou seja, uma grande intensidade da luz e a própria luz encontra-se
sob forma revelada. E o termo “Terra” refere-se aos mundos
inferiores, caracterizados por uma maneira “esquerda,” onde
a luz não se encontra de uma forma revelada e a própria
luz vem sob o aspecto oculto e escondido.
Podemos entender melhor esse conceito, compreendendo a diferença
entre os quatro níveis espirituais descritos no versículo:
“Tudo o que se chama pelo Meu Nome e para Minha Glória,
Eu o criei, Eu o formei e até Eu o executei” [Isaías
XLIII: 7], que são os quatro mundos Abyá (Atsilut, Beriá,
Yetsirá e Assiyá). [O mundo de Atsilut não tem
existência própria; é apenas uma radiação
da energia Divina]. A Luz Divina em Atsilut não é como
em Byá; atsilut é a revelação do oculto,
enquanto em Byá, isto não ocorre. O termo Atsilut vem
da expressão “Etsló,” – que significa
próxima d’Ele, “perto;” o termo Atsilut também
provém da linguagem “salvar,” pois Atsilut, apesar
de constituir um mundo, classifica-se como parte dos Mundos Infinitos.
Porém em Beriá isto não ocorre; já é
o começo da existência de alguma coisa a partir do nada
e assim é dito: “Tudo o que se chama pelo Meu Nome e pela
Minha Glória”, que Meu Nome e Minha Glória ainda
estão unidos a Mim. Isto se refere ao mundo de Atsilut (Emanação),
que é mundo da união e englobamento, no qual a luz encontra-se
no ápice de sua revelação, não sendo sequer
comparável à maneira de como se encontra em Byá.
E mesmo em Byá, há diferenças nos graus de revelação
das luzes, como se encontram no mundo de Beriá (Criação)e
nos mundos de Yetsirá (Formação) e Assiyá
(Ação).
Entretanto, tudo o que dissemos é válido em relação
à luz que vem dar vida aos mundos de uma maneira “Preenchedora
de todos os mundos” (Or Hamemalê Col Almin), mas quando
se trata da luz que está acima de um relacionamento com os mundos,
ou seja, o tipo de luz envolvente de todos os mundos, que vem de forma
envolvente e abrangente para os mundos, esta brilha em todos os mundos
da mesma forma. E é isto que o Zóhar se refere como o
termo “por todos os mundos”, ou seja, que a revelação
da luz é por todos os mundos de maneira igual. A revelação
desta luz envolvente de todos os mundos (Sovev Col Almin) vem através
do trabalho de refinamento do homem, através da submissão
de sua natureza física e conversão desta em santidade,
como está escrito no Zóhar: “quando a Sitrá
Achrá é submetida.
“Quando através de seu esforço há a submissão
das forças do “outro lado,” ou seja, opostas à
santidade e a conversão da escuridão em luz, então
a virtude da luz provém precisamente da escuridão; ou
seja, quando a escuridão transforma-se em luz, então temos
a virtude da luz. Para que esta luz brilhe de forma tão revelada,
até que ilumine realmente em baixo; isto é, que a luz
se propague de tal maneira, que seu modo de propagação
ocorra em todos os mundos por igual.
Assim explicamos: “Quando se submete a Sitrá Achrá,
revela-se a Glória do Santíssimo, Bendito seja, por todos
os mundos,” sob o aspecto da luz envolvente de todos os mundos,
cuja maneira de propagação é envolvente e abrangente
em todos os mundos por igual, logo ilumina em baixo assim como em cima.
E assim se explica: “E que eles Me façam um Santuário
e Eu repousarei dentro deles,” dentro de cada um, através
do trabalho de submissão de sua natureza física e conversão
da escuridão em luz. Através disso, traz-se a revelação
de uma forma superior de luz, pois propaga-se a Glória do Santíssimo,
Bendito seja, por todos os mundos, uma vez que ilumina e revela-se a
luz envolvente.
SINOPSE: O principal da Divindade está nos níveis inferiores.
Explica-se que o propósito da Criação dos mundos
é que haja uma moradia nos níveis inferiores e isto se
faz através da submissão da natureza física (Itcáfia)
e sua conversão em santidade (Ithapcha), o que traz a luz envolvente,
que se encontra igualmente em todos os mundos.
2
O trabalho no Tabernáculo e no Templo centrava-se no serviço
de refinamento da submissão da natureza física, que traz
e eleva até a conversão de escuridão em luz. Portanto,
um dos trabalhos que havia no Templo era o serviço dos Corbanót
(sacrifícios). Trazer um sacrifício não era apenas
um ato físico. Ao contrário, a participação
dos Cohanim e dos Leviyim nos seus serviços, sua música
e seu cântico demonstrou que a principal importância do
sacrifício era espiritual.
Na esfera pessoal, do serviço de um homem para D’us, a
idéia de um sacrifício expressa-se através do versículo:
“Um homem que aproximar de vocês um sacrifício ao
Eterno, do animal, do gado, etc.” [leviticos I:2], onde a princípio
cabe perguntar: se a intenção era simplesmente elucidar
as leis do Corban, deveria ter dito: “Um homem de vocês
que aproximar um sacrifício ao Eterno, esta e aquela será
a lei da oferenda de um sacrifício e seus estatutos;” por
que está escrito “Um homem que aproximar de vocês
etc.?” A transposição da frase mostra-nos que a
intenção do versículo não é apenas
descrever os detalhes de como trazer sacrifícios no serviço
espiritual da alma do homem.
O termo Corban [cuja origem em hebraico é Carov = perto] tem
por objeto a aproximação das forças e dos sentidos.
Assim podemos interpretar o versículo da seguinte maneira: “Se
um homem quer se aproximar da Divindade, então de vocês
será o sacrifício para o Eterno; de vocês e em vocês
depende a questão de ser um sacrifício para D’us,
ou seja, ser próximo do Todo Poderoso. [A responsabilidade, e
a possibilidade de ser uma oferenda ao Eterno, de aproximar-se da Divindade,
depende da própria pessoa.]
Mesmo que a pessoa conheça a si mesma e entenda até que
degrau ela rebaixou sua alma com atos impróprios e compreenda
como estes atos causaram uma separação genuína
entre ela e a Divindade, a pessoa nunca deve perguntar: “Como
me aproximarei de D’us?” Pois ela deve saber que a proximidade
da Divindade depende “de vocês;” de vocês é
que depende tudo, ou seja, da própria pessoa.
E cada indivíduo de Israel pode dizer: “Quando alcançarão
meus feitos, os de meus ancestrais Avraham, Yitschac e Yaacov?”
[Tana Dvê Eliyáhu Rabá, Cap. 25.] Não há
nenhuma limitação, impedimento e obstrução
de subir e chegar a aproximar-se da Divindade. “D’us nunca
sobrecarrega suas criaturas” [Avodá Zará 3a] e revela-se
e ilumina a cada qual segundo sua força e capacidade, como encontra-se
no Midrash Rabá [Números XII : 3] “E quando eu peço,
não peço segundo Minha forças, mas segundo as forças
deles,” segundo a força de cada indivíduo. Como
D’us exige apenas de acordo com o potencial de cada um, não
há obstáculos que nos impeçam de atingir o nível
mais elevado.
Este é o sentido de: “Um homem que aproximar,” pois
para o homem aproximar-se da Divindade, depende “de vocês;”
de vocês a coisa depende, ou seja, “de vocês é
o sacrifício para o Eterno,” pois de vocês aproximarão
um sacrifício para D’us.
O pretendido aqui não é somente o sacrifício do
animal, mas de vocês, ou seja, do animal que está no coração
do homem, que é a alma animal. O versículo continua: “do
gado e do rebanho,” referindo-se aos graus específicos
que existem na alma animal, pois cada pessoa tem uma tarefa diferente
no refinamento pessoal.
Há pessoas cuja alma animal é um touro chifrador, dono
dos mais grosseiros hábitos; assim como há quem seja como
um rebanho (carneiro), que apesar de ser um animal, é de natureza
mais dócil (conforme se encontra analisado pormenorizadamente
no Cuntrass Hatefilá 5660). O versículo termina com as
palavras: “Eles oferecerão os seus sacrifícios”
que cada pessoa deve trazer seu sacrifício, pois cada pessoa
tem sua própria e única tarefa de refinamento pessoal.
Quando uma oferenda material era trazida ao Templo, era sacrificada
no altar. O Talmud relata que o fogo do altar que consumia a oferenda
vinha de cima sob a forma de um leão (Rashi explica: uma brasa
que caiu dos céus nos dias do rei Salomão e que estava
sobre o altar) e o Zóhar declara: “O leão que consome
os sacrifícios.”
Este fogo dos céus também tem sua função
no que se refere as serviço de uma pessoa individual.
Há um fogo de cima, que é a labareda que se encontra na
alma Divina de cada judeu, conforme a passagem: “As labaredas
dela são labaredas de fogo, a chama de D’us [Cântico
dos Cânticos VIII : 6]. E encontra-se no Midrash Rabá (trazido
no Yalcut): “Como o fogo de cima, onde o fogo não faz com
que as águas se evaporem, nem as águas apagam o fogo;”
o que significa que na natureza da alma Divina há labaredas de
fogo, isto é, amor à Divindade que, da mesma forma que
o fogo de cima, as águas não o apagam. [Conforme está
escrito no Cântico dos Cânticos VIII : 7: “Águas
abundantes não poderão apagar o amor e rios não
o afogarão”].
O termo “águas abundantes” significa a multiplicidade
de empecilhos nas preocupações com o sustento e confusões
diversas em problemas distintos – que perturbam a pessoa no estudo
da Torá e no serviço Divino [as orações].
E apesar de tudo isto, mesmo os rios não as afogarão,
nenhuma dificuldade ou problema poderá apagar o fogo da alma
de um judeu, pois as labaredas de amor, que estão na alma Divina,
são semelhantes ao fogo que está em cima, ao qual as águas
não apagam.
[Da mesma forma que a oferenda material era consumida pelo fogo Divino
no altar, similarmente na esfera pessoal, a oferenda, isto é
a alma animal de cada pessoa, deve ser consumida por sua labareda Divina.]
E nisto precisa-se aproximar-se a alma animal para que também
ela tenha amor pela Divindade, conforme está escrito: “E
amarás ao Eterno teu D’us com todo teu coração”
(Deuteronômio VI : 5) [normalmente a palavra em hebraico usada
para designar coração é Libchá e a Torá
usou Levavchá, isto é, duplicou a letra Veit. Isto é
interpretado pelo Talmud da seguinte maneira (Berachót 54a)],
“com tuas duas inclinações;” para que não
apenas a alma Divina, mas também a alma animal chegue a amar
D’us, através da investidura da alma Divina na alma animal.
A alma animal, por natureza, não tem conhecimento nem sentimentos
pela Divindade. Porém, com a investidura da alma Divina na alma
animal e da concentração em uma meditação
Divina que a alma animal também possa captar, faz-se a aproximação
da alma animal (e conforme está escrito em outro local, forma-se
uma impressão geral gravada na alma animal de que Divindade é
também algo compreensível e captável etc.).
Sua natureza animal é transformada e consumida pelo fogo da alma
Divina [como oferenda no Templo era consumida pelo fogo no altar]. Após
este trabalho, “muita colheita pode ser feita através da
força do boi” [provérbio XIV : 4], [a alma animal
contribui com sua força e potência para o serviço
Divino].
[No Templo, um dos propósitos da oferenda era o refinamento do
mundo.] Os sacrifícios materiais faziam com que as faíscas
Divinas encontradas nos reinos mineral vegetal e animal fossem refinadas
e elevadas. Similarmente, através da aproximação
espiritual, refina-se a alma animal e converte-se a escuridão
da alma animal em luz
.
Através deste serviço “Eles Me farão um Templo
e Eu repousarei dentro deles,” isto é, dentro de cada indivíduo.
E isto é conseguido através de seu trabalho na submissão
de sua natureza física e principalmente por trazer sua conversão
em santidade. Portanto diz o Zóhar: “Quando a Sitra Achrá
é submetida, revela-se a Glória do Santíssimo,
Bendito seja, por todos os mundos,” sob o aspecto de luz e revelação
que é a luz envolvente de todos os mundos etc.
SINOPSE: Explica o objeto dos sacrifícios no trabalho do homem
que aproxima, que deve ser de vocês um sacrifício. O fogo
em cima e o fogo em baixo, o amor da alma Divina e da alma animal. O
amor da alma animal vem através da investidura da alma Divina
na alma animal.
3
Através da explicação acima, podemos entender por
que o Tabernáculo era feito exatamente de tábuas de Shitim,
visto que o serviço do Tabernáculo e do Templo era principalmente
o de converter a escuridão em luz através dos sacrifícios
(e particularmente através da oferenda do incenso). Através
deste serviço no Templo, brilhava uma revelação
de Divindade em todo o mundo.
O Templo e o Tabernáculo eram composto por madeira de Shitim,
cuja origem etimológica – “Shitá” significa
desvio, ou seja, qualquer desvio do caminho central para algum lado,
para cima ou para baixo, chama-se “Shitá”. Da mesma
forma, temos o significado de Shtut (tolice) que é o desvio do
conhecimento e da sabedoria, sendo este o caminho equilibrado e o desvio
dele chama-se Shtut.
Existe a tolice que provém da impureza, conforme a Torá
descreve o adultério no versículo: “ao desviar-se
sua esposa” [Números V :12], [usando uma palavra derivada
de Shitá], ao que Rashi comenta: “desviou-se dos caminhos
de pudor.” E também está – escrito [quando
o povo de Israel saiu do Egito rumo à Terra de Israel]: “E
acamparam em Shitim” (onde cometeram pecados de idolatria e libertinagem)
que também exprime a idéia de um desvio para o lado oposto
da santidade.
Nossos Sábios, de abençoada memória, comentam no
Talmud: “Um homem não peca a não ser que entre nele
um espírito de tolice (Shtut).” Este espírito provém
do lado oposto da santidade e é o espírito das “cascas”
que encobre a verdade.
O espírito é chamado de tolice porque é similar
a [inclinação pelo mal que é chamado] “o
rei velho e desvairado.” E este espírito oculta a luz e
a revelação, pois a realidade é que a Divindade
é a verdade e a vida, conforme está escrito: “E
o Eterno D’us verdadeiro é o D’us vivo” [Yermyiahu
X : 10]. O espírito de Shtut é denominado “casca”
pois oculta a verdade e a vitalidade Divina; assim como a casca encobre
o fruto, o espírito de Shtut encobre, esconde e oculta a luz
da revelação Divina. Por este motivo, a pessoa chega a
pecar, pois cabe a princípio perguntar: como pode um judeu chegar
a pecar? Isto ocorre somente porque o indivíduo não percebe
que através do pecado ele se separa da Divindade; ao contrário,
ele pensa que ainda permanece em seu judaísmo.
Porém, se ele soubesse a verdade, que através do pecado
o judeu torna-se separado da Divindade, então ele não
pecaria de modo algum, Ao contrário, por sua natureza, nenhum
judeu não quer, nem pode separar-se da Divindade. A prova disto
é, que quando o judeu é testado e obrigado a algum ato
de apostasia, na qual é óbvio que ele se torna separado
da Divindade, ele é capaz de arriscar sua vida e receber sobre
si toda espécie de sofrimentos e mesmo sacrificar-se para santificar
o nome do Supremo D’us.
Este fato pode ser observado sensivelmente, mesmo nas camadas mais baixas,
nos mais frívolos e nos pecadores de Israel, que estão
prontos a sacrificar suas vidas para santificar o nome de D’us.
Por quê?
Porque neste momento ele sabe e sente que este ato o separará
de D’us. Nenhum judeu não quer, nem pode separar-se do
D’us de Israel.
Mas, cometendo os outros pecados, o judeu não sente a separação
causada entre ele e D’us; parece-lhe que ele continua em seu judaísmo,
como antes de pecar. Esse sentimento falso provém do espírito
de Shtut, da Sitrá Achrá, que encobre a luz e a revelação
da Divindade, até que estas não sejam sentidas. Explicando
melhor: o espírito de Shtut provoca no homem a insensibilidade;
a intensidade da vontade por desejos e a efervescência da alma
animal causam a frieza e a insensibilidade em assuntos espirituais.
A pessoa pode estar tão tomada por prazeres e vontades grosseiros
e materiais, que sua sensibilidades espiritual encontra-se no auge do
ocultamento, até que se torna totalmente insensível. Ele
não sente mais a satisfação, a doçura, o
bem e a grandeza do cumprimento das Mitsvot (Mandamentos Divinos).
A pessoa não sente a baixeza da situação devido
ao seu distanciamento de D’us causado por seu pecado, que decorre
da cobertura da alma animal sobre a alma Divina.
A essência da alma Divina é Divindade [este fundamento
aplica-se até os níveis mais baixos da alma, porém
principalmente à sua essência], principalmente a faísca
Divina que está dentro dela e ligada a seu corpo específico.
Através da alma Divina, a pessoa sente todos os assuntos Divinos
e é sensível a qualquer coisa que não seja Divindade;
isto é, não quer algo que não seja reveladamente
Divindade, muito menos algo oposto à Divindade. Frente a algo
que seja oposto à Divindade, fugirá como quem foge do
perigo e como uma pessoa que foge da morte. A alma Divina sabe que a
morte espiritual é muito mais séria do que a morte material;
logo, todo seu anseio e vontade volta-se, à Divindade e a fazer
receptáculos para a Divindade.
A grosseria, o materialismo e a existência da alma animal encobrem,
ocultam e escondem o sentimento da alma Divina; em termos mais simples,
o prazer do mundo [Olam (mundo) em hebraico é relacionado com
a palavra Heelêm (ocultamento)] encobre e oculta o sentimento
Divino.
Ocorre exatamente o oposto do propósito da criação
dos Mundos, quando D’us quis que Ele tivesse uma moradia nos níveis
inferiores, através do trabalho do homem no corpo e na alma animal.
O homem foi posto exatamente neste mundo pra refiná-lo e purificá-lo;
porém na prática, deu-se o oposto o mundo oculta a luz
da verdade para o homem e este embrutece-se e materializa-se tanto,
até perder toda a sua sensibilidade em ramos espirituais devido
à ação da alma animal. A alma animal é firmemente
fixada e enraizada em assuntos mundanos, sendo estes objetivos de sua
existência. Neles ela medita, pensa e fala vivamente e com entusiasmo.
Esses sentimentos, especificamente o prazer que a alma animal desfruta,
negam o sentimento espiritual. Este estado é causado pela frieza
da alma animal e sua insensibilidade a assuntos espirituais. Pois a
alma animal é animalesca na essência de sua existência,
conforme seu próprio nome nos mostra: “alma animal,”
cuja vitalidade e sensibilidade está em assuntos animalescos.
Podemos ver na prática, que há pessoas que, além
de serem isentas de sabedoria da Torá e de maneiras adequadas,
seus atos são literalmente como os de animais. Eles pisam e gozam
dos assuntos espirituais, dos quais não têm sequer uma
idéia, como um animal que pisa sem discernir se em terra, em
madeira ou em um corpo humano. Isto provém da falta de sensibilidade,
pelo fato do animal ser desprovido de conhecimento (incluído
entre estes, estão aqueles que escolhem diversos caminhos, dizendo
que este mandamento eles decidem cumprir e algum outro eles não
querer cumprir).
Esse atos provêm da audácia e frieza da alma animal e do
espírito de tolice. Estes escondem e ocultam a luz da verdade
até o grau que a pessoa chega a pecar e ocorre exatamente o oposto
do propósito da criação dos mundos. O propósito
supremo da criação é para refinar o mundo e fazer
dele um receptáculo para a Divindade. Ao invés disto,
a alma animal efetuou exatamente o oposto. Não apenas o mundo
não foi refinado e purificado, mas também encobriu-se
a luz da verdade. E este é o espírito de Shtut que encobre
a verdade.
SINOPSE: Explica que o espírito de tolice, a intensidade do prazer
da alma animal em geral, ocultam a verdade e causam insensibilidade
em relação à Divindade e à grandeza das
mitsvot e a baixeza atingida com o afastamento delas.
4
Entretanto, como se encontra acima, a alma animal encobre a alma Divina;
o espírito de tolice esconde e oculta a luz da verdade e da revelação
de alma Divina. Em todo caso, este encobrimento afeta apenas os atributos
emocionais da alma Divina mas não a sua essência. [A essência
da alma Divina não é atacada pelo espírito da tolice.]
[A metáfora dada pela Torá para a alma explica por que
os atributos emocionais da alma Divina podem ser afetados e sua essência
não:] Conforme está escrito: “Yaacov é a
corda de Sua herança”[Deuteronômio XXXII : 9], a
ligação do judeu com D’us é comparada com
uma corda composta de 613 fios. A corda é a alma que liga o judeu
ao Eterno, como está escrito no Tanya (cap. 51): “A alma
possui 613 forças.”
Essa metáfora pode ser melhor entendida segundo as palavras de
nossos Sábios: “Cada pessoa deve dizer: (para mim foi criado
o mundo)” [Sanhedrin 37a] O termo “mundo ” em hebraico
tem o mesmo significado que a palavra ocultamento. O mundo oculta e
não revela Divindade.
O significado das palavras de nossos Sábios é que cada
pessoa deve perceber que a criação do mundo, do ocultamento
da Divindade, foi para ela, para que a própria pessoa refine
e eleve o mundo.
[Portanto, o universo é estruturado como o macrocosmo do homem.]
O homem possui 248 órgãos e 365 veias num total de 613.
Esta estrutura é paralela ao universo e seus mundos espirituais.
Por isto, também a alma possui 613 forças, das quais dependem
as 613 Mitsvot (preceitos). Essas 613 forças são comparadas
aos 613 fios da corda que liga o homem a D’us e estabelece unidade
entre eles. E como numa corda, onde uma extremidade está presa
em baixo, similarmente ocorre com a corda da alma: a extremidade superior
está ligada a D’us – em termos Cabalísticos
esta é a ligação entre a letra Hei do final do
nome de D’us, com as três primeiras letras Yud, hei e Vav
– e a outra extremidade está ligada em baixo. Esta se refere
ao reflexo da alma que se reveste no corpo para dar-lhe vida.
Através desta explicação, podemos entender o versículo:
“Yaacov é a corda de Sua herança.” Através
da corda da alma, mesmo os níveis mais baixos que são
comparados com calcanhares, estão aptos a realizar seu potencial
como herança de D’us. A alma liga-nos à essência
Divina e eles estão no ápice da ligação.
A heresia ou um pecado cuja pena é Caret (corte) afetam a totalidade
da ligação, tocam no íntimo da essência da
alma. E está escrito: “Os seus pecados separam entre vocês
e seu D’us” [Isaías LIX : 2], significando: sua Divindade,
a Divindade que está em sua alma específica. A essência
da alma é realmente Divina e não há coisa alguma
que esconda ou oculte a essência da alma. Portanto, quando algo
toca na essência da ligação de sua alma e que pode
ficar através deste ato separado de D’us, nenhum judeu
não quer nem pode ficar separado da Divindade.
Como estes atos afetam a essência da ligação, a
sensibilidade do judeu submerge. Porém, outros pecados cujas
penas não são tão severas, são apenas fios
particulares de uma corda grossa; por isto, a pessoa não sente
tanto a quebra destes.
Ao transgredir um dos preceitos de D’us, seja positivo ou negativo,
um fio de corda de ligação é rompido (essa capacidade
particular da alma perde completamente sua ligação com
D’us), enfraquecendo, toda a corda.
Porém, sendo apenas rompidos fios particulares enquanto a essência
da ligação encontra-se intacta, a pessoa não sentirá
tanto. Neste caso, as emoções da alma animal encobrem
e ocultam as emoções da alma Divina até que a pessoa
não consegue sentir a luz e a vitalidade Divina. Isso faz com
que o indivíduo peque. Significa que o espírito de tolice
da Sitra Achra encobre e oculta a luz da verdade, até que a pessoa
torna-se insensível à espiritualidade, a fundando-se mais
e mais até que chega a transgredir as proibições
da Torá. Tudo isso provém do espírito de tolice
que foi explicado acima.
SINOPSE: O espírito de tolice só encobre as emoções
da alma Divina, mas não a sua essência, nem a essência
de sua ligação com D’us.
5
Da mesma forma como o homem pode desviar-se do caminho central de uma
maneira abaixo da lógica (que denomina-se tolice das “cascas”),
assim existe o desvio acima da lógica, que é a banalização
da santidade.
O Talmud nos conta [Ketubót 17a] que nos casamentos, Rav Yehuda
Bar Ilay pegava um ramo de murta e dançava em frente à
noiva. Rav Shmuel Bar Yitschac dançava com três (Rashi
– fazendo malabarismo). Rav Zeira criticou-o dizendo que seu comportamento
não estava de acordo com a honra do Sábios.
Quando faleceu, um pilar de fogo irrompeu, separando-o dos que o cercavam.
Então Rav Zeira retirou sua critica. [No Talmud são recordadas
três versões diferentes sobre a retratação
de Rav Zei]
Uma diz; seu ramo(o ramo de murta com o qual ele dançava) ajudou-o;
a outra diz: sua extravagância (enquanto dançava ele se
fazia de palhaço) ajudou-o; a terceira diz: sua concepção
(seu comportamento e sua conduta) ajudou-o. Essa alegria extremada está
acima da lógica e adquire um nível elevado e maravilhoso.
[Por que os Sábios se comportaram desta maneira?]
O Talmud [Sotá 17a] traz: “Quando um homem e uma mulher
merecem, a Divindade paira entre eles” e explica: A palavra homem
em hebraico é “Ish;” se a letra “Yud”
cair, podemos ler “Esh” que significa fogo. A palavra mulher
em hebraico é “Ishá;” se a letra “Hei”
cair, podemos ler “Esh” (fogo). As letras “Yud”
e “Hei”combinam-se formando o nome de D’us. Quando
um homem e uma mulher merecem [quando concebem o casamento de modo apropriado],
a Divindade paira entre eles.
[Os Sábios estavam conscientes do alto nível – adquirido
no casamento, logo seu contentamento era enorme.] A união Divina
no casamento é grande e infinita, portanto o casamento é
chamado de “uma estrutura eterna”. Por isso, o contentamento
dos Sábios não poderia ser limitado por restrições
de boas maneiras. Também o pilar de luz, que ele recebeu por
seu comportamento, tinha um alto nível; foi um sinal óbvio
da revelação Divina.
[A necessidade da alegria da santidade, de um comportamento que transcende
o intelecto, é descrito na passagem] “A luz do Ein Sof
(Infinito) não pode ser captada pelo pensamento.” A essência
Divina transcende todos os limites de compreensão. Há
muitos níveis espirituais, refinados e abstratos que podem ser
captados pelo pensamento, mas algo que nem é ligado ao pensamento
(a essência Divina), não pode ser captada nem pelo intelecto
mais elevado.
O Tanya [cap. 18] expressa este conceito como segue: “Em relação
a D’us, que está acima da inteligência e conhecimento,
que não pode ser compreendido, todos os homens são tolos,
como está escrito [Salmos LXXIII: 22-23]: “E eu sou um
bobo e ignorante. Eu sou como uma besta em Tua frente, mas eu estou
continuamente conTigo,” significando que “porque eu sou
um bobo e como uma besta, estou continuamente conTigo.”
Para chegar à essência Divina, a pessoa deve anular sua
vontade, o que também é um ato que transcende os limites
do conhecimento; por isto, também é chamado de Shtut (tolice).
[No Livro dos Reis encontramos um conceito similar.] O profeta é
mencionado como sendo um homem louco, como está escrito: “Por
que este homem louco veio?” [Reis II, IX, 1]. Estes termos foram
usados porque durante a revelação profética a pessoa
deve transcender toda a concepção mundana do material,
totalmente além de seu entendimento e sentimento, adquirindo
um nível de anulação acima de qualquer limite de
entendimento [e só então ele é um receptáculo
para a profecia].
Logo, durante a revelação profética, os profetas
deviam remover suas vestes, como está escrito no versículo:
“E ele (Shaul) também tirou suas vestes e profetizou”
[Samuel I, XIX: 24]. [O remover das vestes representou um alto nível
espiritual.] As vestes vieram apenas depois e em conseqüência
do pecado da Árvore do Conhecimento. Antes do pecado, a Torá
afirma: “E estavam os dois nus e não se envergonharam”
{Bereshit II:25].
[Antes do pecado, o homem era instintivamente bom; ele era motivado
apenas nessa direção. Após o pecado ele “conheceu
o bem e o mal”]; porém seus pensamentos mesclaram-se com
estas duas forças. [O bem não é mais tão
facilmente distinguível do mal], mas mistura-se com ele. Apenas
depois que o pecado causou estes sentimentos, Adam e Chava puseram roupas.
A raiz profunda desses sentimentos é a própria personalidade
da pessoa, seu comportamento com o mundo do intelecto e das emoções.
Para adquirir a profecia, a pessoa deve tirar suas vestes, que é
exatamente o desligamento da própria consciência racional
e emocional. Ou seja, estar em estado de anulação de suas
forças e sentidos, como Maimônides explica nas leis de
Vessodê Hatorá (cap. VII, art. I): “Um dos princípios
fundamentais da fé é saber que D’us concede profecia
a homens. A profecia vem apenas a um homem sábio, que seja forte,
isto é, que sobrepuja seus desejos e estes não o dominam.
“E por isso, este nível chama-se tolice da santidade, que
é o desvio acima do intelecto e da lógica, e não
abaixo destes.
[Através do entendimento dos dois níveis de tolice (Shtut),
podemos entender porque o Santuário foi construído de
madeira de Shitim.] Como consta anteriormente, o objetivo do serviço
no Santuário e no Templo era transformar a escuridão em
luz, ao ponto em que a própria escuridão brilharia; neste
caso, transformar o espírito de tolice (abaixo da lógica)
para tolice de santidade. E por isso o Santuário era feito exatamente
de madeira de Shitim; um claro exemplo de como transformar o comportamento
abaixo da razão em comportamento que transcende a razão.
Através disto podemos entender a interpretação:
“E vocês Me farão um Santuário e Eu repousarei
dentro deles” – dentro de cada indivíduo. Através
do serviço do homem de refinamento pessoal, que traz a transformação
da escuridão em luz; ou seja, através de seu esforço
de transformar o sub-racional em supra-racional.
[Para explicar o conceito em um nível prático, no comportamento
cotidiano do homem:] Há certas coisas que a pessoa faz sem pensar,
só porque todos as fazem. Estas coisas são como leis inalteráveis,
pois assim é o costume do mundo, como algumas regras de boas
maneiras, etc. Este comportamento deve ser elevado de baixo da razão
para cima da razão, Por exemplo: comer e dormir são atividades
fixas e regulares; também quando é necessário ocupar-se
de negócios, são atividades inalteráveis para a
maior parte das pessoas. Em contraposição, o tempo fixo
para o estudo de Torá e para a reza é adiado e não
é regular e, por alguns, é ignorado completamente.
Quando a pessoa faz um balanço pessoal e questiona até
que ponto seu comportamento está correto, principalmente sabendo
que ela não controla o tempo que viverá, como diz o Midrash
[Devarim Rabá 9:3]: “O homem não tem controle para
dizer [ao anjo da morte]: Eepere-me até que eu faça meus
balanços e cuide da minha família, etc.” Quando
a pessoa faz apenas uma avaliação, naturalmente perguntará:
Como é possível gastar toda a energia de sua alma em coisas
completamente fúteis e esquecer-se totalmente do propósito
da descida de sua alma?
Ela deve saber que isto só é possível devido ao
espírito de tolice que encobre a verdade. E este será
seu trabalho – o de transformar essa tolice: e se esforçará
e fixará tempo para o estudo de Torá e então: “Eu
repousarei dentro deles,” a revelação Divina brilhará
em sua alma.
Este é o significado de (como traz o Zohar): Quando a Sitra Achra
é submetida, quando a tolice da alma animalesca e a excitação
por prazeres mundanos for transformado em santidade através do
cumprimento da Torá e mitsvot, então ‘revela-se
a Glória do Santo, bendito seja, por todos os mundos: “A
luz envolvente de todos os mundos brilhará e se revelará.”
SINOPSE: Explica que há também a tolice de santidade,
desvio acima dos limites da razão e conhecimento, similar à
transcendência do intelecto e emoção pessoal requerida
para a profecia. O Santuário era feito de tábuas de Shitim,
demonstrando como o Shtut, a tolice abaixo da lógica, pode ser
transformada em tolice de santidade. E assim cabe a cada pessoa em seu
serviço.