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A
Conferência Internacional de shluchim, emissários Chabad-Lubavitch
deste ano em seu 28º ano contou com a ilustre presença do Rabino
Chefe da Inglaterra, professor Jonathan Sacks, que falou no banquete de
encerramento para mais de 4.000 emissários, de mais de 70 países.
O Congresso durou cinco dias com programas envolvendo diversas oficinas,
workshops, aulas e palestras em encontros inspiradores.
Segue transcrição
das palavras proferidas
Por Rabino Jonathan Sacks
Rabino Krinsky, Rabino Shemtov, Rabino Kotlarsky, Rabino
Sudak, Rabino Lew, todos os shluchim [emissários Chabad-Lubavitch]
do Reino Unido, todos os shluchim de toda parte, ilustres convidados,
amigos.
Posso resumir minha reação a esta noite em uma palavra:
Uau!
Em duas palavras, Uau Duplo!
Se eu não tivesse visto isso, não teria acreditado!
Sei que Rabino Kotlarsky me disse que estava convidando alguns amigos…
(risos). Mas tenho de dizer a vocês, mikerev lev – do fundo
do meu coração, já recebi muitas homenagens, mas
nenhuma tão comovente como esta.
Porque vocês, os shluchim, estão entre as pessoas mais importantes
no mundo judaico de hoje. Vocês estão trazendo a Shechiná
[Divindade] a locais onde, talvez, jamais foi vista antes. Vocês
estão trazendo a Shechiná a vidas que jamais a conheceram
antes, e estão transformando o mundo judaico.
E por que vocês estão fazendo isso? Porque direta ou indiretamente,
foram tocados, assim como eu fui, por um dos maiores líderes judeus,
não apenas do nosso tempo, mas de todos os tempos.
No decorrer da história judaica houve grandes líderes, mas
mas não conheço um precedente, um que tenha transformado,
de maneira visível e substancial, toda e cada comunidade judaica
no mundo – incluindo muitas partes do mundo que jamais tiveram uma
comunidade judaica antes.
E deixem-me contar a vocês uma pequena história que resume
tudo:
Aconteceu há quarenta anos, Elaine e eu estávamos em lua-de-mel.
Decidimos ir aos Alpes Suíços – eu jamais tinha visitado
montanhas antes. Fomos, e lá chegamos. O pôr-do-sol estava
reluzente. A vista era magnífica.
Na manhã seguinte, abri a janela e disse: “Quem mexeu nas
montanhas? Sumiram!” Então olhei novamente e vi que estavam
cobertas por nuvens muito grandes. O que fazer? Tínhamos ido até
lá para escalar uma montanha, e não poderíamos voltar
sem escalar uma montanha. Mas não conseguíamos enxergar
mais que um ou dois metros em cada direção. Não sabíamos
aonde estávamos indo, não sabíamos como, [se] iríamos
chegar, se voltaríamos.
Ali estava eu, um ninguém vindo de lugar
nenhum, e ali estava um dos mais notáveis líderes do mundo
judaico me desafiando a não aceitar a situação, mas
a mudá-la.Então eu disse a Elaine: “É
muito simples. Vamos cantar nigunim Chabad.”
Ela disse: “Por que estamos cantando nigunim Chabad?”
Eu disse: “Muito simples. Porque se um judeu está perdido,
em qualquer parte do mundo, Chabad o encontrará.”
E tudo isso por causa do Rebe, [Rabi Menachem Mendel Schneerson,] zechusoh
yagen aleinu [de abençoada memória]. Então assim
foi, e assim é.
Vocês foram tocados pela grandeza e cada um de vocês se tornou
grande.
E portanto eu digo a todos os shluchim e a todas aquelas pessoas maravilhosas
que apoiam a obra dos shluchim e a tornam possível: yehi ratzon
shetishrê shchina bemasei yedeichem – que D'us abençoe
a todos vocês. Amen.
Amigos, Rabino Kotlarsky me pediu para contar uma pequena história,
algo pessoal, sobre como o Rebe mudou a minha vida. E concordei, não
porque pense que minha história é especial, não é.
Mas é contando essas histórias que nos lembramos do que
é Chabad e o que o torna especial.
É uma história em três atos; o primeiro ocorreu em
1968 (5767-5768), quando eu era um estudante no segundo ano da faculdade.
Eu já tinha conhecido Chabad, porque Rabino Shmuel Lew e Rabino
Faivish Vogel visitavam Cambridge. Eles estiveram entre os primeiros a
visitar os campi das universidades e eu fui um dos primeiros beneficiados.
Eles foram naquele verão de 68 e fui para os Estados Unidos para
conhecer rabinos notáveis daquela época, e cada um deles,
todo e cada rav (líder rabínico] que encontrei na América
me disse: “Você precisa conhecer o Rebe! Você precisa
ver o Rebe.”
Então fui até Eastern Parkway, 770, e entrei; eu disse ao
primeiro chassid que encontrei: “Gostaria de falar com o Rebe, por
favor.” Ele quase caiu na risada.
Ele disse: “Você sabe quantos milhares de pessoas estão
esperando para ver o Rebe? Esqueça!”
Eu disse: ‘Bem, Vou viajar pelos Estados Unidos, aqui está
o telefone da minha tia em Los Angeles, se for possível me telefone.”
Semanas depois, eu estava em Los Angeles, chegou motsaê Shabat,
o telefone tocou, era Chabad. “O Rebe vai atendê-lo na quinta-feira.”
Eu não tinah dinheiro naquela época, e tudo que tinha era
uma passagem de ônibus da companhia Greyhound. Se você já
viajou de Los Angeles a New York num ônibus da Greyhound…
Setenta e duas horas sem paradas fiquei sentado neste ônibus.
Cheguei ao 770, e por fim chegou o momento em que fui levado ao escritório
do Rebe. Fiz a ele todas as minhas perguntas intelectuais e filosóficas;
ele deu respostas intelectuais e filosóficas, e ennão fez
algo que ninguém havia feito.
Ele trocou os papéis, e começou a me fazer perguntas. Quantos
estudantes judeus há em Cambridge? Quantos estão envolvidos
na vida judaica? O que você está fazendo para trazer outras
pessoas?
Ora, eu não tinha ido lá para me tornar um sheliach (emissário
Chabad-Lubavitch). Tinha ido para fazer umas simples perguntas, e de repente
ele estava me desafiando. Então eu fiz a coisa à maneira
inglesa. Sabem, o inglês pode construir frases como ninguém
mais pode, sabiam? Eles conseguem construir desculpas mais complexas por
fazerem nada, mais que qualquer outro na terra. (risos)
Então comecei a frase: “Na situação em que
me encontro…” e o Rebe fez algo que, eu creio, fosse bem incomum
para ele; interrompeu-me no meio da frase. Ele disse: “Ninguém
se encontra numa situação; você se coloca nessa situação.
E se você se colocou nessa situação, pode colocar-se
em outra.”
Aquele momento mudou a minha vida.
Ali estava eu, um ninguém vindo de lugar nenhum, e ali estava um
dos mais notáveis líderes do mundo judaico me desafiando
a não aceitar a situação, mas a mudá-la. E
foi quando eu percebi aquilo que tenho dito muitas vezes desde então:
que o mundo estava errado. Quanto eles pensavam que o fato mais importante
sobre o Rebe era que ali estava um homem com milhares de seguidores, eles
deixaram de lado o fator mais importante: que um bom líder cria
seguidores, mas um grande líder cria líderes.
Foi isso que o Rebe fez por mim e por milhares de outros.
Amigos, aquele episódio em particular teve um final incomum: eu
estava para deixar os Estados Unidos, voltar para a Inglaterra, era um
voo num domingo no final de agosto, início de setembro, não
me lembro exatamente quando. Então no dia anterior, um Shabat,
houve um grande farbrenguen, e os chassidim me disseram: “Você
está voltando para a Inglaterra? Leve uma garrafa de vodca, vá
até o Rebe num nigun, durante o farbrenguen, e ele fará
um l’chaim, e você levará a garrafa, e aquela será
a vodca do Rebe.”
Então no meio do farbrenguen, havia milhares de pessoas ali, fui
até o Rebe e pedi a ele para dizer um le’chaim’ ele
olhou-me surpreso e disse: “Você está indo embora?”
Os não-judeus respeitam os judeus que
respeitam o Judaísmo.Eu disse: “Sim.”
“Por quê?”
Eu disse: “Tenho de voltar a Cambridge, o semestre está começando.”
Ele voltou-se para mim e disse: “Mas o semestre em Cambridge só
começa em outubro.”
Eu não sabia então, ainda hoje não sei, como ele
sabia disso, mas estava certo! Ele me disse: “Acho que você
deveria ficar para Rosh Hashaná.” Então ele fez um
le’chaim; eu voltei.
Todos queriam saber: “O que o Rebe disse a você? O que o Rebe
disse?” Então contei a eles. Eu não sabia –
se o Rebe diz fique, é a coisa educada, você diz muito obrigado
– eu não entendi; se o Rebe diz fique, você fica. Portanto
fiquei.
Como resultado disso, ouvi o Rebe tocar shofar em Rosh Hashaná.
Foi a experiência mais notável que já tive. A pureza
daquelas notas, a visão de todos os chassidim se esforçando
para ver o Rebe tocando shofar. E ouvi um som no qual céu e terra
se tocaram. E os ecos daquele shofar permaneceram comigo, até hoje.
Aquele foi o desafio que ele lançou. Um desafio para liderar.
Aquilo não mudou imediatamente a minha vida. Voltei à universidade,
embora ainda sentisse o poder do desafio do Rebe. Então em 1969
após me formar, fui estudar em Kfar Chabad, onde estudei com Rav
Gafni, e foi uma experiência maravilhosa. Em 1970 voltei, casei-me,
comecei a lecionar filosofia, escrevi um doutorado, mas sentia que ainda
não tinha feito o suficiente para corresponder ao desafio do Rebe.
Portanto estudei para smicha [diploma rabínico]. Qualifiquei-me
como rabino, e acho que foi isso. Cresci um pouco como judeu, e agora
estava pronto a voltar para o resto da minha vida.
Foi então que cometi o segundo grande erro – fui novamente
visitar o Rebe. (risos)
Janeiro de 1978: Meus amigos em Lubavitch me disseram exatamente o que
fazer. Você coloca sua pergunta por escrito, dá 3 opções
ao Rebe, e ele vai lhe dizer, um, dois ou três. Então escrevi
minhas opções. Disse ao Rebe: “Tenho uma carreira
à minha frente, tenho três escolhas.” Número
um, talvez eu gostasse de ser um acadêmico – halevai um dia
eu serei um professor ou talvez tenha um cargo na minha faculdade em Cambridge.
Número dois – inicialmente fui à universidade para
estudar economia – gostaria de ser um economista. Ou número
três, gostaria de ser um advogado. Eu era membro de um dos Inns
da Corte, o Templo Interior onde você estuda para ser advogado.
Entrei em yechidut [audiência privada] sem saber o que o Rebe responderia;
seria um, seria dois, ou seria três? O Rebe olhou-me e conferiu
a lista; não um, não dois, não três.
Pensei: “Espera um pouco, isso é contra as regras!”
O Rebe não me deu tempo de responder. Disse-me que o Judaísmo
britânico estava carente de rabinos, e portanto ele declarou: “Você
deve treinar rabinos.” Especificou a Faculdade Judaica, onde os
rabinos eram treinados na Grã-Bretanha. E então ele disse:
você mesmo deve se tornar um rabino congregacional, para que seus
alunos venham e escutem você fazer – ainda me lembro da maneira
que ele pronunciou a palavra – “Sermões”. Eles
escutarão você fazer sermões e aprenderão.
Ele disse: você treinará rabinos e se tornará um rabino.
Bem, fiquei um pouco farblonged – uma palavra que introduzi no idioma
inglês, cortesia da BBC – mas se o Rebe diz faça isso,
eu fiz. Abri mão das minhas três ambições.
Treinei rabinos, ensinei na Faculdade Judaica, por fim me tornei diretor
da faculdade, rabino congregacional, em Golders Green e Marble Arch.
Sabem, aconteceu algo engraçado.
Tendo desistido das minhas três ambições, tendo decidido
caminhar na direção oposta, algo engraçado aconteceu.
Tornei-me funcionário de minha faculdade em Cambridge. Tornei-me
professor. Na verdade, naquele ano, tive três cadeias; uma na Universidade
de Oxford, duas na London University. Fiz as duas palestras sobre economia
mais importantes na Grã-Bretanha, a palestra Mais e a Hayek, e
o Inner Temple me fez advogado honorário e convidou-me a fazer
uma palestra sobre direito na frente de seiscentos advogados, do Lord
Chanceler – o advogado mais graduado na Grã-Bretanha,
e a Princesa Anne que é o Master.
Sabe, você nunca perde nada – quando coloca yiddishkeit em
primeiro lugar.
E aprendi algo muito profundo: às vezes a melhor maneira de atingir
suas ambições é parar de persegui-las, e deixar que
elas o persigam.
E aquele foi o ato dois. O ato três foi em 1990. O Anglo-Judaísmo
estava procurando um novo Rabino Chefe. Estava claro que eu seria um dos
candidatos, mas eu não tinha certeza de que eu seria certo para
o cargo ou de que o cargo era certo para mim. Então, sentei-me
com minha família, com Elaine, meus filhos, e eles concordaram
em permitir-me escrver ao Rebe e pedir seu conselho.
Enviei o tzdodim lekan u’lekan – os prós e os contras
do trabalho, e o Rebe escreveu a resposta mais extraordinária,
brilhante, sem usar uma só palavra.
Vocês sabem que o Rebe, antes de ser Rebe, dirigia a editora Chabad
– Kehot – e como resultado ele sabia – já escrevi
24 livros e ainda não sei essas coisas, mas ele conhecia os símbolos
tipográficos que são usados por leitores de teste. Então
no fim da carta, tendo escrito os prós e os contras, escrevi a
frase: “Se eles me oferecerem o cargo, devo aceitar?” Esta
foi a resposta do Rebe: O símbolo tipográfico para a ordem
inversa da palavra. Em vez de dizer “Deveria eu?” a resposta
é: “Eu deveria.”
Assim, treze anos após me tornar rabino congregacional, tornei-me
Rabino Chefe, e naquele trabalho tenho tentado fazer o melhor –
se consegui não sei – mas tentei fazer aquilo que sei que
o Rebe teria gostado que eu fizesse: construir escolas, melhorar a educação
anglo-judaica, divulgar, e fazer não seguidores – mas líderes.
E fiz uma outra coisa, um pouco incomum, e quero explicar a vocês
agora o por quê.
Eu nunca disse isso em público antes. Houve um ponto em que eu
estive um pouco envolvido – a hanhola [mesa de diretores] do Lubavitch
de Londres pediu-me para me envolver apenas um pouco – houve um
ponto entre 1970 e 1980, quando o Rebe criou uma campanha muito interessante
– a sheva mitsvot benei noach – para fazer contato não
somente com judeus, mas também com não-judeus.
Percebi que na minha posição de Rabino Chefe eu poderia
fazer aquilo. Comecei então a divulgar na BBC, no rádio,
na TV, escrevendo para a imprensa nacional. Escrevi livros lidos por não-judeus
e por judeu, e o efeito foi totalmente extraordinário. Quanto mais
eu falava mais eles queriam ouvir – o que certamente prova que não
eram judeus. (risos)
Quanto mais eu escrevia mais eles queriam ler, e vocês sabem o que
aquela experiência me ensinou – não somente a sabedoria,
a vasta percepção do Rebe em entender que o mundo estava
preparado para ouvir uma mensagem judaica – mas ensinou-me também
algo mais. E quero que vocês nunca se esqueçam dessas palavras.
Os não-judeus respeitam os judeus que respeitam o Judaísmo.
E os não-judeus ficam constrangidos por judeus que ficam constrangidos
com o Judaísmo.
O Rebe nos ensinou como cumprir kol amei haaretz ki shem hashem nikra
alecha. Que todo o mundo veja que nunca estamos envergonhados de nos posicionar
como judeus.
Então, nos três pontos críticos em minha vida, o Rebe
foi meu sistema de navegação via satélite, mostrando-me
aonde ir e como ir. E embora eu nem sempre tenha entendido na época,
em retrospecto vejo como seu conselho foi extraordinário e o quanto
foi sábio.
A maioria das pessoas olha para os outros e vê aquilo que parecem
ser. Pessoas notáveis olham para os outros e veem aquilo que são.
O mais notável dos notáveis - e o Rebe foi o mais notável
dos notáveis – olha para os outros e vê aquilo que
elas poderiam se tornar. E esta era sua grandeza.
E vocês são testemunhas do fato de que todos, todos vocês,
que não apenas o Rebe transformou vidas, ele transformou pessoas
em pessoas que elas próprias transformam vidas e que, através
de vocês, é como ele mudou o mundo. Através de vocês,
seus shluchim e todas as outras pessoas especiais que apoiam vocês
e tornam possível a sua obra.
E agora, amigos, devemos continuar a transformar o mundo. E como fazemos
isso?
Fazemos isso exatamente nas palavras tiradas de Hayom Yom que são
o tema da conferência deste ano: “ah shliach iz doch an aind
zach mit dem mishaleiach.”
Sabemos, pelo Reb Yosef Engel, pelo próprio Rebe, que há
vários madreiges em se tornar um sheliach, mas o maior madreiga
é, como diz em Hayom Yom “in altz mekushar!” Em tudo
que fazemos, “es geit ah Chassid, est a Chassid, shluft ah Chassid”
– espero que vocês estejam fazendo isso agora, amigos, porque
caso contrário eu não estive fazendo o meu trabalho.
Amigos, se vivemos e respiramos a Shlichut do Rebe, então ele continua
vivo em nós.
A questão é: o que é Shlichut aqui e agora? Há
tantas coisas que podemos dizer sobre os desafios dos meses à frente
– quero dizer apenas três coisas: Número Um –
pensem sobre isso – o Rebe, como todo Rebe, estabeleceu sua meta
para mekarev a gueulá [aproximar a Redenção]e para
trazer Mashiach. Mas o Rebe era diferente dos outros Rebeim, porque o
Rebe fez isso com urgência específica, e embora ele nunca
tenha especulado sobre isso, e eu penso isso – talvez eu esteja
errado, mas creio que não – porque ele foi o primeiro Rebe
a se tornar Rebe depois do Holocausto.
E como se pode redimir um mundo que tinha testemunhado Hitler? E o Rebe
fez algo absolutamente extraordinário: ele disse a si mesmo, se
os nazistas buscaram cada judeu com ódio, buscaremos cada judeu
com amor.
Esta foi a reação mais radical ao Holocausto jamais concebida
e não sei se ainda – se o mundo judaico ainda – entende
isso.
Hoje, em muitas partes do mundo o antissemitismo voltou, e Baruch Hashem
há centenas de organizações lutando contra isso.
Mas ainda, mesmo agora, ninguém está dizendo aquilo que
o Rebe disse – não explicitamente, mas implicitamente em
tudo que ele fez.
Se vocês quiserem lutar sinas yisraeel [ódio ao seu próximo],
então pratique ahavat yisrael [amor ao próximo].
Amigos, levantem as mãos para cima todos aqueles que pensam que
há Ahavat Yisrael demais no mundo…
Então amigos, ainda temos trabalho a fazer, ainda temos trabalho
a fazer.
Os antissemitas, vocês sabem, são totalmente loucos. Os antissemitas
acreditam que os judeus controlam os bancos, controlam a mídia,
controlam o mundo; mal sabem eles que não podemos sequer controlar
uma reunião no shul [sinagoga]. (risos)
E é por isso, amigos, se houver sonei iisroel ali, temos de ser
ohavei yisroel, se o Rebe estivesse falando conosco hoje, ele diria “es
geit ahavas yistoel, est ahavas yisrol, shluft ahavas yisroel” e
se você já ama os judeus, ame-os ainda mais!
Ponto dois, ponto dois, se vocês querem mekarev yidden [aproximar
judeus], façam isso da maneira que o Rebe fez quando pegou um estudante
de vinte anos vindo de longe e o transformou num líder.
Amigos, certa vez ouvi uma linda história de um sheliach, que tinha
ido para uma pequena cidade no Alasca. Ele perguntou na pequena sede da
prefeitura: “Há algum judeu aqui?” Eles disseram que
não havia judeus ali. Então ele perguntou – para não
voltar sem ter feito nada – ele poderia visitar o local e fazer
uma palestra para crianças? E o prefeito ou diretor da escola –
não sei, não lembro, o próprio sheliach me contou
essa história – disse que tudo bem. E ele foi, entrou numa
sala de aula – nessa pequena cidade no meio do Alasca – e
disse: “Crianças, algum de vocês já conheceu
um judeu?”
O Rebe fez algo absolutamente extraordinário:
ele disse a si mesmo, se os nazistas buscaram cada judeu com ódio,
buscaremos cada judeu com amor.E uma menininha levantou a mão
e disse: “Sim”.
E ele disse: “Quem?”
Ela disse: “Minha mãe”.
E ele ficou pensando consigo mesmo: “O que eu digo a esta menina?”
Ela é a única criança judia nessa escola, são
os únicos judeus na cidade, tenho de ir, e não posso fazer
com que eles deixem a cidade para irem a um lugar onde haja outros judeus.
O que posso dizer a esta menina que a leve a continuar judia?
E isso foi o que ele fez: pediu a ela que acendesse velas do Shabat em
todo erev Shabat. E disse a ela: “Não sei se você sabe
disso, mas o Alasca é o local mais a oeste do mundo onde há
judeus, é o último lugar do mundo onde o Shabat chega. E
quando todo judeu acende velas do Shabat, elas trazem luz e paz ao mundo.
Portanto todo Shabat o mundo inteiro está esperando pela sua vela
de Shabat – a última de todas a ser acesa.”
Vocês podem imaginar o que aquilo fez por aquela criança?
Ele poderia ter dito: O que você está fazendo no meio do
nada, onde não há judeus? Em vez disso, da maneira mais
bonita, ele a fez sentir-se importante. Ela tinha uma tarefa a realizar
por todo o povo judeu, pelo mundo inteiro, é assim que você
muda vidas, foi assim que o Rebe mudou vidas.
Mostrando às pessoas a grandeza que desconheciam possuir. Mostrando
às pessoas aquilo que elas poderiam se tornar.
Então essas são as primeiras duas maneiras, amar os judeus
e mostrar a eles o que podem se tornar.
O último ponto que penso é muito simples, Rosh Chodesh Kislev
– Chanucá está chegando. Há uma famosa machlokes
[disputa] no Talmud. Guemara Shabbos, daf chof beis, sobre a seguinte
questão: madlikin mi’iner ‘ner o’lo? –
você pode pegar uma vela de Chanucá e usá-la para
acender outra vela de Chanucá? Sim ou não? Sobre isso há
uma machlokes [entre] Rav e Shmuel, Rav diz que não, Shmuel diz
que sim. Rav diz que não porque ko machish mitsva – você
diminui a mitsvá. Se eu pegar uma luz para acender outra, então
vou estragar um pouco do azeite, ou um pouco de cera e o resultado é
que diminuirei a primeira luz. E Shmuel não se preocupa com isso,
agora sabemos em geral, e qualquer machlokes Rav e Shmuel, Halachá
k’Rav – a lei é sempre como Rav contra Shmuel com outras
três exceções, e esta é uma delas.
O que está em questão? Sobre o que eles estavam discutindo?
E por que neste caso a lei não é como Rav, mas como Shmuel?
E a resposta, você encontrará no mundo judaico atual, vocês
pegarão dois judeus ambos religiosos, ambos frum, ambos yorei shamayim,
ambos cumprindo todas as mitsvot, kale ke’chamura. Mas há
uma grande diferença entre eles; um diz tenho de cuidar da minha
luz, e se eu me envolver com judeus que não são frum, não
religiosos, que não estão comprometidos com ko machism mitsva
– meu yiddishkeit diminuirá. Esta é a opinião
do Rav, e Rav foi um gigante espiritual. Mas Shmuel ousou dizer o oposto.
Ele disse: quando pego minha luz para acender outra alma judia em fogo,
não tenho menos luz, tenho mais! Porque onde havia uma luz, agora
há duas, e talvez daquelas duas vão surgir mais! E sobre
isso a Halachá é como Shmuel. Amigos, é isso que
é ser um chassid, paskin como Shmuel, saber que quando vamos até
judeus menos comprometidos que nós, nossa luz não é
diminuída; o resultado é que nós criamos mais luz
no mundo.
Um chassid do Rebe sabe, oron nossei hisnosov, se você erguer outro
judeu, você mesmo é erguido. Se você acender com sua
vela e acender a chama no coração de outro judeu, sua luz
não será diminuída, você será elevado;
sua luz será dupla.
Amigos, há quarenta e dois anos, um dos maiores líderes
judeus de todos os tempos, pegou um estudante de milhares de quilômetros
de distância, e acendeu em sua alma uma luz que tem queimado desde
aquele dia, e não apenas para ele, mas para dezenas de milhares
de outros. E nós somos seus shluchim.
Jamais conseguiremos fazer isto plenamente, mas faremos o melhor para
caminhar como ele caminhou, comer como ele comeu, shluft [dormir] como
ele shluft, o que foi quase nunca.
E vocês sabem, vocês sabem o que eu sei, e isto, no silêncio
de nossas almas podemos ouvir aquilo que o Rebe estaria nos dizendo hoje.
Ele diria: “Você acha que fez o suficiente? Você deve
ser como uma luz é em Chanucá, mosif veholech – sempre
fazendo mais. Mailin bakodesh, v’ein moreidin – em kedusha,
você sempre sobe, e há sempre mais montanha para escalar.
E ele estaria nos dizendo: número um, viva, respire e durma ahavas
yisrael; número dois, tornem-se líderes que transformam
outros judeus em líderes; e número três, sejam madlik
mener le’ner, levem sua luz e acendam outros. E juntos, vamos acender
uma chama nos corações dos outros judeus, e juntos vamos
iluminar o mundo. Amen. |