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Estou
escrevendo um artigo sobre reuniões em cemitérios, uma espécie
de guia. Eu estava lendo um artigo no site, por Maurice Lamm, que declara
que é inadequado levar uma Torá a um cemitério, bem
como comer ou beber ali. Por que fazer estas coisas é inadequado,
segundo os costumes judaicos? Não estou discordando, estou simplesmente
escrevendo um artigo que inclui opiniões daqueles que têm
uma abordagem informal e outros que são mais formais.
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RESPOSTA:
No decorrer da vida de uma pessoa, o corpo é parceiro da alma,
e juntos cumprem a vontade de D'us neste mundo físico. Assim, embora
a alma parta do corpo na morte, o corpo merece receber o respeito apropriado.
Um objeto com o qual uma mitsvá tenha sido cumprida – ex.,
um Rolo de Torá ou uma mezuzá - assume um grau de santidade;
muito mais então o corpo humano, que foi indispensável para
o cumprimento de inúmeras mitsvot.
(Além disso, segundo o Zohar(1), parte da alma conserva sua conexão
com o corpo mesmo após a morte.)
A lei Judaica, portanto, exige que tratemos um cemitério –
o lar final para tantos corpos – com o maior respeito. Dentro dos
perímetros de um cemitério, atividades frívolas ou
distrações não são consideradas aceitáveis(2).
Além disso, como sinal de respeito, não fazemos uso pessoal
nem extraímos beneficio de um cemitério.(3) Comer ou beber
num cemitério seria considerado: a) utilizar o local para benefício
pessoal, e b) não estar de acordo com o decoro esperado.(4)
Quanto a levar a Torá a um cemitério, isso tem a ver com
ostentar nossas mitsvot perante os mortos. Vou explicar:
Os Sábios ensinam na Mishná(5) : “Um momento de satisfação
no Mundo Vindouro é mais bonito que a vida inteira neste mundo.”
Ali, a alma do falecido pode experimentar o júbilo e o êxtase
de revelações espirituais inimagináveis em nosso
grosseiro mundo material. Apesar disso, nada daquilo pode se comparar
à suprema experiência que somente pode ser atingida neste
mundo – como eles também ensinam na mesma Mishná.
“Um momento de retorno e boas ações neste mundo é
mais belo que toda a vida no Mundo Vindouro.”
Uma maneira de explicar isto: Naquele mundo espiritual vindouro, repleto
de luz e sabedoria, a alma vê a verdade. Neste mundo obscuro de
ignorância, porém, não podemos ver a verdade com clareza
– porém somos os trabalhadores que estão furando as
trevas para trazer aquela verdade e aquela luz ao mundo e transformá-lo.
E embora nós, os vivos, possamos não sentir plenamente o
júbilo que isto gera Acima, é essa transformação
que é o desejo supremo e mais profundo de D'us. Depois que a alma
se foi deste mundo, não pode mais ser uma parte ativa disto. Na
verdade, as almas estão invejosas de suas parceiras ainda investidas
nos corpos físicos.
Tendo em vista o acima, seria doloroso e insensível escarnecer
dos mortos levando perante eles um Rolo de Torá, um lembrete de
todas as mitsvot que eles não podem cumprir enquanto estão
num estado puramente espiritual.(6)
Notas:
1 – Vol. 3, 70 b
2 – Talmud, Meguilá 29 a
3 – maimonides, Leis do Luto 14:13
4 – Código da Lei Judaica, Yoreh De’ah 368:1
5 – Avot 4:17
6 – Talmud, berachot 18 a, Código da Lei Judaica, YD 367:3
Segundo uma opinião, é somente halachicamente proibido,
na verdade, ler a Torá, mas não levar um Rolo fechado ao
cemitério. No entanto, veja Responsa de Noda B’Yehudah que
explica, baseado no Zohar vol. 3 71 a, que isso também não
deveria ser feito.
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