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O
que é chamêts |
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Antes de começarmos
a falar de Pêssach, é fundamental saber o que é um
alimento denominado "Chamêts", já que durante os
oito dias da festa, a lei judaica proíbe seu consumo ou possessão.
Chamêts é
qualquer comida ou bebida feita à base de trigo, centeio, cevada,
aveia ou espelta, ou de seus derivados, mesmo que em quantidade mínima,
que é fermentado. A única exceção é
a matsá, que é o pão não fermentado, pois
foram tomadas precauções especiais para assá-la.
Entretanto, mesmo matsot para as quais não foram tomados cuidados
estritamente minuciosos (para evitar o início do processo de fermentação)
serão consideradas chamêts.
Alimentos que durante
o ano inteiro foram verificados, e se enquadram dentro das rigorosas leis
da dieta judaica, cashrut, não são necessariamente também
permitidos para Pêssach. Requerem preparação especial
e só podem ser consumidos durante os oito dias da festa se contiverem
em sua embalagem o selo "Casher para Pêssach" emitido
por um rabino ortodoxo.
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O
que não é chamêts |
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- Carne, aves, peixe
- Todas as frutas
- Todos os vegetais.
(O costume entre os Ashkenazim é não comer feijões,
ervilhas, arroz, milho e sementes em Pêssach, embora o seja permitido
entre os Sefaradim.)
- Produtos lácteos
com apropriada supervisão Casher para Pêssach.
- Todos os alimentos
embalados que tenham supervisão rabínica ortodoxa que
seja válida para Pêssach.
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Uma
busca formal por chamêts deve ocorrer este ano, 2012, quinta-feira,
5 de abril. A busca do chamêts é feita à luz de uma
vela. Os membros da família percorrem aposento por aposento, onde
quer que algum alimento possa ter sido "esquecido".
É um costume
cabalístico colocar dez pedaços de pão bem embrulhados
(para que não caia nenhum farelo) e espalhados pelos diversos ambientes,
para serem achados e coletados durante a busca geral de chamêts.
As crianças curtem muito este momento, percorrendo os quartos,
sala e cozinha munidos com uma pena que serve para "varrer"
o chamêts. Antes de procurar, a seguinte bênção
é recitada:
"Baruch Atá
A-do-nai E-lo-hê-nu Mêlech Haolám, Asher
Kideshánu
Bemitsvotav Vetzivánu Al Biur Chamêts."
"Bendito és
Tu, Senhor nosso D'us, Rei do Universo que nos santificou com Seus mandamentos
e nos ordenou remover o chamêts."
Ao concluir a busca
e após ter-se recolhido qualquer chamêts que por acaso tenha
sido encontrado, a seguinte declaração de anulação
deve ser pronunciada:
"Todo fermento
ou qualquer produto fermentado em meu poder que não vi ou removi,
e de que não tenho consciência, seja considerado sem valor
e sem dono como o pó da terra."
O chamêts encontrado
durante a busca deve então ser embrulhado e colocado de lado, para
ser queimado na manhã seguinte na sinagoga juntamente com o chamêts
de outros membros de sua comunidade e que passaram pelo mesmo procedimento.
A lei proíbe
o uso de qualquer chamêts que permaneça em propriedade judia
durante Pêssach, mesmo após o fim do feriado. A não
ser que tenha sido transferido para um não-judeu. Tal transferência
de chamêts, por meios legais, deve ter um contrato na forma da lei,
que dê ao não-judeu posse total de todos os alimentos chamêts.
Os detalhes legais
que envolvem esta transferência de propriedade são muitos,
e apenas um rabino deve ser encarregado da sua execução.
Para evitar chamêts
em seu poder durante Pêssach, preencha o formulário "Procuração
para a Venda de Chamêts" e envie-o em tempo hábil
para que chegue nas mãos do rabino pelo menos dois dias antes de
Pêssach. |
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Procuração
para a venda de chamêts |
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O judeu que detém
chamêts (levedura ou fermento) em seu poder durante Pêssach
(em 2012, de 6/4 a partir das 10h09 até o anoitecer de 14/4),
age contra a Lei Judaica e nunca poderá usufruir de tais produtos
ou consumi-los, mesmo após Pêssach. Portanto, é dever
de cada um vender todo o chamêts – que não for possível
eliminar antes de Pêssach – a um não-judeu. Esta transação
legal é muito complexa e deve ser efetuada somente por uma autoridade
rabínica competente. Abaixo, à sua disposição,
um formulário a ser preenchido para a venda do chamêts.
Envie-o em tempo hábil para que chegue a nossas mãos antes
de Pêssach (até 5/4). Não nos responsabilizamos por
formulários recebidos após esta data. Se enviá-lo
por e-mail chabad@chabad.org.br ou por fax (11) 3060-9778, mande também
o original pelo correio, mesmo que chegue após a data limite.
A procuração deve ser devidamente preenchida, assinada e
endereçada ao Rabino Shamai
Ende – Beit Chabad Central – Rua Melo Alves, 580 – S.
Paulo, SP – 01417-010. Quem mora
em lugar com fuso horário diferente do de S. Paulo (ou que passará
Pêssach em tal local) deve
enviar uma procuração para a venda de chamêts para
um Rabino local.
Delegação
de Poderes para a Venda de Chamêts
Saibam todos que eu,
__________________________________________________________,
abaixo assinado, confiro os mais amplos, gerais e ilimitados poderes ao
Rabino Shamai Ende para, agindo em meu lugar e em meu nome, dispensando
expressamente a presença e a assinatura de testemunhas instrumentais
a este ato, poder vender todo o chamêts (fermento e levedura) que
possua, quer aquele que tenha conhecimento ou desconheça, conforme
definido pela Torá e pela Lei Rabínica (i.e., exemplificadamente
chamêts, ou seja, fermento e levedura; possível chamêts,
e todos os tipos de mistura ou composição de chamêts;
também o chamêts que tende a aderir a superfícies
internas de panelas, caçarolas, utensílios de cozinha e
outros, bem como todas as espécies de animais vivos que tenham
comido chamêts ou misturas dele). Outrossim, para alugar todos os
pontos em que o chamêts de minha propriedade possa ser encontrado,
seja em casa, no meu escritório, loja ou fábrica ou em outros
locais.
Ao Rabino Shamai Ende é concedido pleno direito de vender ou alugar
através de transações
conforme julgar conveniente e apropriado e pelo tempo que considerar necessário,
de conformidade com os requerimentos da Lei Judaica, conforme incorporados
no contrato genérico de autorização para a venda
do chamêts. Tal instrumento geral de autorização torna-se
parte integrante do manifesto acordo. Também, pela presente, dou
ao mencionado Rabino Shamai Ende pleno poder e autoridade para indicar
um substituto em seu lugar, recebendo posse para vender ou alugar conforme
previsto nesta, do que dou fé. A procuração supra
é feita em conformidade com as leis e regulamentos da Torá,
Rabínicos e também em concordância com as leis e regulamentos
vigentes no país. E, para estes fins, eu, através desta,
aponho minha assinatura antes da véspera de Pêssach do ano
5772.
Assinatura(s)______________________________________________________________
Nome(s)__________________________________________________________________
Endereço_________________________________________________________________
Cidade__________________________________Estado______CEP__________________
Caso possuam chamêts
em outros endereços, enumere-os no verso ou em folha anexa.
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A partir das 10h09,
não pode mais ser ingerido chamêts
.
Este ano, 2012, a
queima do chamêts deverá ser realizada até às
11h07 de sexta-feira, dia 6 de abril.
Não se deve ingerir nenhuma matsá, vinho ou nada que será
usado durante o sêder, antes do mesmo ser realizado.
Qualquer chamêts remanescente sem vender deve ser queimado. Informar-se
com a sua sinagoga sobre o horário quando o chamêts será
queimado. Após o chamêts ser jogado ao fogo, a seguinte declaração
é pronunciada:
"Todo fermento ou qualquer produto fermentado que esteja
em meu poder, que eu tenha visto ou não, que tenha observado ou
não, que tenha removido ou não, seja considerado sem valor
e sem dono, como o pó da terra."
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O
significado do Chamêts |
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Os
judeus estão terminantemente proibidos de ingerir quaisquer alimentos
fermentados em Pêssach. O pão é substituído
pela matsá – pães chatos feitos apenas de farinha
e água. Judeus de todo o mundo tomam um cuidado especial para não
comer nem mesmo a mais ínfima partícula de chamêts.
A característica da massa fermentada (chamêts) é que
cresce e incha, simbolizando orgulho e ostentação. Por outro
lado, a matsá é fina e plana, sugerindo submissão
e humildade. Pêssach nos ensina que chamêts – arrogância
– é a própria antítese do ideal da Torá.
Quando um homem arrogante é confrontado com a obrigação
de cumprir uma mitsvá que demande uma dose de auto-sacrifício
(por exemplo, caridade, que envolve compartilhar suas posses com os menos
afortunados), ele evita cumprir sua obrigação. Argumenta:
"Na verdade tenho o direito a ter mais do que possuo atualmente,
portanto, por que deveria doar parte disso?"
Além do mais, o egoísmo da pessoa arrogante priva-a de sua
capacidade de discernir o valor de seu próximo e ele conclui presunçosamente
que o outro está bem abaixo de seu nível. Segundo esta lógica,
a causa da pobreza do próximo é prontamente entendida: "Aquele
mendigo certamente não merece nada melhor!" "Ora"
– pensa consigo mesmo – "se D’us considera correto
que este homem seja pobre, por que deveria eu interferir e ajudá-lo?"
Tal raciocínio egoísta leva a pessoa orgulhosa a praticar
mais e mais o mal. Então, jamais perceberá a maldade de
suas ações e se arrependerá delas. Pois mesmo quando
é obrigado a concordar que seus atos são impróprios,
encontra várias justificativas "além de seu controle"
que prevalecem sobre ele para agir da maneira que o fez.
Além disso, mesmo quando não pode encontrar nenhuma desculpa
para satisfazer sua consciência, não obstante, "o amor
próprio encobre todas as transgressões." Ele pode ser
um rancoroso malfeitor que não consegue inventar, mesmo no auge
de sua imaginação, qualquer linha de raciocínio para
justificar seu comportamento, pois o amor próprio cega seus olhos
e encobre sua atitude.
O homem humilde, por outro lado, toma a atitude exatamente oposta, seja
com respeito ao cumprimento de mitsvot, seja quanto a seu arrependimento
de atos incorretos no passado.
Usando a mitsvá de tsedacá (justiça) uma vez mais
como exemplo: o homem humilde compara-se com seu próximo judeu
à luz adequada. Pensa consigo mesmo: "Sou realmente melhor
do que ele? Mereço melhor sorte?" Esta análise, feita
objetivamente, leva-o a simpatizar com o próximo e a prestar-lhe
ajuda.
Além disso, quando a pessoa despretensiosa age erradamente, não
tenta justificar seu comportamento incorreto. Pelo contrário, sua
sincera auto-análise o estimula a fazer teshuvá, a arrepender-se
honestamente de suas ações inadequadas.
A cada ano, em Pêssach, somos ordenados pela Torá a livrarmo-nos
de todos os traços de chamêts. Devemos procurar descartar
cada partícula do "chamêts espiritual" –
a arrogância – para que sejamos capazes de perceber claramente
nossas próprias falhas e as boas qualidades de nosso próximo. |
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Receita
para o sucesso |
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por Rabi Shlomo Freundlich |
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O Talmud
(Tratado Berachot 17a) relata que o grande sábio Rabi Alexander
acrescentava a suas preces diárias as seguintes palavras de súplica:
"Mestre do mundo, está claramente revelado a Ti que nosso
desejo é concordar com a vontade Divina. Entretanto, é o
fermento na massa que nos impede de fazê-lo."
Nossos sábios usam de forma críptica a metáfora de
"fermento na massa" para caracterizar a má inclinação
dentro de nós. Que quer dizer este conceito de chamêts que
nos impede de encontrar a espiritualidade?
Rabi Chaim Friedlander explica que a fermentação da massa
é basicamente um processo natural. Adicionar fermento ou outros
agentes de levedura simplesmente apressa a transformação
química. Quando farinha e água são misturadas e uma
determinada quantidade de tempo passa naturalmente, uma alteração
química ocorrerá, tornando a mistura chamêts. O processo
de fermentação foi colocado em movimento simplesmente permitindo-se
que a natureza seguisse seu curso nesta mistura. Por outro lado, a matsá,
embora seja composta de ingredientes idênticos, é produzida
por intervenção humana. É um processo apressado,
que atinge seu objetivo através de manipulação cuidadosa
e estritamente supervisionada dos ingredientes, dentro de um período
de tempo específico. Nossa iniciativa e criatividade, não
o decorrer natural do tempo, produz o resultado desejado.
Chamêts, portanto, é simbólico de teva, natureza.
A noção de que a natureza governa nossa existência
e nos impele vida afora é antiética a um judeu de Torá.
Ao contrário, a matsá sugere uma força Divina acima
e além do curso natural dos eventos que subjugam a natureza à
sua vontade, e produz um resultado desejado para facilitar o plano Divino
para o homem.
O Zohar relata que, quando o povo judeu deixou o Egito, confundiu-se quanto
a determinados pontos da fé. Hashem exclamou que eles deveriam
tomar seu remédio e sua incerteza espiritual desapareceria. A medicina
era a matsá, e ao comê-la os Filhos de Israel ficaram curados
de sua moléstia espiritual.
Ao comer matsá no sêder deste Pêssach, ao invés
de se concentrar em quão pesada e dura é, por que não
prestar atenção na mensagem da matsá que insiste
para reafirmarmos que Hashem dirige todos os eventos da vida, e que nossas
ações têm impacto na maneira como Ele se relaciona
conosco. A natureza não determina nosso destino – isso é
feito por nosso comprometimento com a Torá e as mitsvot. |
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