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A inspiração chega em todos
os formatos e tamanhos. Há algumas semanas, durante um farbrenguen
no Chabad do Norte de Nevada, Rabi Shlomie Chein que estava nos visitando
contou a história de um cocheiro que pensava ter um emprego mundano,
sem inspiração. Certo dia ele foi até seu Rebe para
algumas palavras que o inspirassem, mas quando finalmente viu o Rebe estava
tão nervoso que tudo que conseguiu dizer foi: “Sou um simples
cocheiro.” O Rebe (Maharash) olhou para o homem e disse-lhe que
seu trabalho lhe permitia uma oportunidade única; todos os dias
podia erguer os olhos e contemplar algo feito por D’us em tudo que
via.
Rabi Chein continuou dizendo que as sinagogas têm janelas grandes
para que os congregantes possam facilmente ver lá fora, e assim
serem constantemente lembrados de D’us toda vez que estão
na sinagoga. Devido ao fato de nossa sinagoga estar localizada na base
da magnífica cadeia de montanhas Sierra Nevada, o grupo todo sentado
ao redor da mesa pôde avaliar bem as profundas palavras do Rebe
Maharash. Apesar da enormidade da cadeia de montanhas e do inigualável
esplendor do Lago Tahoe, nas proximidades, três dos exemplos mais
inspiradores das bênçãos de Hashem no Norte de Nevada
talvez sejam Moshe, Chana e Rachel Cunin, os trigêmeos de quatro
anos de Rabino Mendel e Rebetsin Sara Cunin.
Recentemente, na primeira noite de Pêssach, quando chegou a hora
das Quatro Perguntas, os três apareceram e ficaram em pé
nas cadeiras, e de maneira encantadora e melódica entoaram as perguntas
que as crianças judias têm feito aos pais há mais
de 3 mil anos. Os trigêmeos dos Cunin são membros da primeira
pré-escola judaica ao Norte de Nevada. Embora não saibam
ler nem escrever, os trigêmeos e seus coleguinhas de classe memorizaram
muitas canções, preces e passagens como parte de suas lições
diárias. Cada membro desta escola é uma inspiração
para os pais, amigos e vizinhos em nossa pequena comunidade judaica.
Alguns dos pais dos alunos, que anteriormente não estavam interessados
ou conscientes de seu legado judaico, têm visto as crianças
desabrocharem no cálido abraço da sua Pré-Escola
Gan Sierra, e começaram a acender velas de Shabat, comer comida
casher e freqüentar mais a sinagoga, pois seus filhos os inspiram
a cultivar e construir sólidas raízes judaicas em casa.
Durante o Sêder, quando os trigêmeos Cunin subiram na cadeira
sorrindo de orelha a orelha, e alegremente entoaram suas canções
observei a reação dos adultos sorridentes na sala apinhada.
Foi como se cada um deles tivesse de repente voltado no tempo, a um momento
em que eles eram os pequeninos de pé nas cadeiras, cantando para
seus Zeides, Bobes, Mamães e Papais: “Ma nishtaná”.
À medida que Moshe, Chana e Rachel entoavam cada pergunta de memória,
os adultos à mesa deixaram a mente voltar a um tempo muito mais
simples, inspirador, em suas respectivas vidas; um tempo em que eles eram
inspirados a aprender mais sobre seu legado e tradições.
No mundo atarefado de hoje muitos de nós achamos que é tarde
demais, difícil demais ou constrangedor demais voltar às
nossas raízes judaicas para explorar e abraçar os ensinamentos
de Torá, e viver uma vida mais observante, mais baseada na Torá.
Uma simples visita a qualquer Beit Chabad no mundo receberá um
convite sincero, caloroso para aprender, no seu próprio ritmo,
as informações sobre seu povo, tradições e
rico legado.
No dia anterior à primeira noite de Pêssach, um morador de
Reno enviou uma carta ao nosso jornal local, questionando a habilidade
dos judeus de hoje cumprirem as mitsvot da Torá no mundo turbulento
em que vivemos. Ele deixou claro que sente que os mandamentos dados por
D’us a Moshê e ao povo judeu simplesmente são difíceis
demais, muito desafiantes e não-realistas para os seres humanos
“modernos” seguirem. Ele estava argumentando que as pessoas
simplesmente não possuem a capacidade para seguir os Dez Mandamentos,
que dirá 613! Sua carta fez-me perceber que obviamente ele nunca
tinha ido a um Beit Chabad, que jamais se sentara a uma mesa de Shabat
iluminada pela luz das velas, e que definitivamente nunca tinha visto
três membros inspiradores da comunidade judaica no Reno, que devido
aos pais e professores maravilhosos, demonstram diariamente como se pode
facilmente tornar os mandamentos Divinos uma parte da vida diária.
Os trigêmeos Cunin servem como inspiração para toda
a nossa comunidade. Enquanto eu os observava no Sêder, perguntei
a mim mesmo: se crianças com quatro anos podem aprender a honrar
o Shabat, comer casher, recitar o kidush, acender velas de Shabat, celebrar
yamim tovim (dias festivos), colocar tsitsit e uma kipá e dar graças
após as refeições, por que é tão difícil
para um adulto fazer o mesmo. Se uma criança de quatro anos consegue
ver a mão prodigiosa de Hashem no mundo ao seu redor, por que nós
não podemos? Se uma criança de quatro anos pode subir orgulhosamente
na cadeira e fazer as Quatro Perguntas, por que temos tanto medo de deixar
um chefe saber que precisamos de alguns dias de licença para celebrar
Rosh Hashaná, Yom Kipur, Shavuot e Sucot?
A verdade é que uma criança raramente se sente constrangida
por tentar algo novo, ouvir os pais ou aquela vozinha dentro da cabeça
que lhe pede para fazerem a coisa certa. É somente quando adultos
que deixamos de ouvir aquela vozinha, nossos mentores, nossos pais e nossa
família. Não queremos ficar constrangidos ou admitir nossa
ignorância sobre assuntos que não nos são familiares.
Às vezes é preciso um pouco de inspiração
para cativar a nossa atenção, motivar-nos e focalizar nossos
esforços na direção certa.
Como eu disse antes, a inspiração vem em todos os tamanhos
e formatos. Às vezes somos inspirados pelas glórias da natureza.
Às vezes por líderes da comunidade, e às vezes por
três pequenos membros de nossa comunidade que vivem, respiram e
cantam as alegrias do seu legado. No decorrer dos anos 90, milhões
de pessoas no mundo todo assistiram a Michael Jordan numa quadra de basquete.
Os comerciais da Nike proclamavam que todos queriam ser “Igual a
Mike”. Tenho de admitir que houve vezes em que eu também
queria ser igual a Mike. Mas com todo o devido respeito ao Sr. Jordan
e ao pessoal da Nike, após ter passado tempo e eu ter assistido
aos trigêmeos Cunin no último Pêssach, creio que eu
gostaria mais de ser como Moshe, Chana e Rachel!
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