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| Simon Wiesenthal: A consciência do Holocausto | |||||||
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O mundo chora a morte de Simon Wiesenthal, "a consciência do Holocausto". O homem corajoso e obstinado que empenhou-se durante toda sua vida em perseguir e levar à Corte de Justiç
a os criminosos nazistas,
ficando conhecido como "o caçador de nazistas", faleceu
nesta terça-feira, aos 96 anos dormindo em sua casa em Viena (Áustria).
Será enterrado nesta sexta-feira (23) em Israel com todas as honras
que merece após diversas homenagens recebidas em Viena.
"A
missão era impressionante. O desafio, imenso e incalculável.
A causa possuia poucos amigos. Os aliados se concentravam na Guerra Fria,
os sobreviventes tentavam recompôr suas destroçadas vidas
e Wiesenthal estava sozinho em seu papel como perseguidor e detetive ao
mesmo tempo", acrescenta a publicação oficial de sua
organização. Para Simon Wiesenthal o importante era estar
sempre alerta e, com sua vigilância, evitar que pudesse repetir-se
a mais terrível época da História. Sobrepujando a indiferença
e apatia em que o mundo se abateu, Wiesenthal ajudou a levar 1100 criminosos
nazistas à justiça. Em suas memórias publicadas em
1988 sob o título "Justiça, não Vingança",
o que seria o lema de sua vida, Wiesenthal afirmava que "quando as
pessoas olharem para trás na história, devem saber que os
nazistas não escaparam sem punição pelo assassinato
de milhões de seres humanos.No livro ele conta seus esforços
para mostrar como, incansavelmente, perseguiu e desmascarou os criminosos,
com suas novas identidades, em todo o mundo.
Depois da execução
de Eichmann em Israel, em 31 de maio de 1962, Wiesenthal transfere para
Viena o centro, que também se propõe a combater o anti-semitismo
e todas as formas de preconceitos e revisionismo. "Os assassinos
da memória preparam as condições para os assassinatos
de amanhã", explicava outros conhecidos criminosos de guerra
nazistas que foram processados graças a seu trabalho foram o alemão
Karl Silberbauer, responsável pela deportação da
menina judia Anne Frank, e o austríaco Frank Stangl, comandante
do campo de extermínio de Treblinka. "O que fiz foi pelos jovens e pelos que morreram porque continuei com vida, e este privilégio implica em um dever", comentou certa vez o sobrevivente do campo de extermínio de Mathausen (Áustria). Wiesenthal frequentemente era questionado sobre qual o motivo que o levara a se tornar um caçador de nazistas. Segundo uma reportagem publicada por Clyde Farnsworth na revista the New York Times (fevereiro,1964), Wiesenthal certa vez foi passar um Shabat na casa de um ex-interno de Mauthausen, na época, um joalheiro de sucesso. Após o jantar, seu anfitrião lhe indagou: "Simon, se você tivesse se dedicado à construção de moradias, você teria se tornado um milionário. Por que não fez isto?" "Você é um homem religioso", respondeu Wiesenthal, "Você acredita em D’us e na vida após a morte. Eu também acredito. Quando chegarmos ao outro mundo e encontrarmos os milhões de judeus que morreram nos campos e eles nos perguntarem: ‘O que fizeram?’, haverá muitas respostas. Você dirá: "tornei-me um joalheiro", outro falará, "Fui contrabandista de café e cigarros americanos", um outro responderá, ‘Construi casas’, mas eu direi, ‘Não me esqueci de vocês.’ |
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